Ata da reunião de 13/08/2018 – Vozes com Tide Borges

Esta é a 13ª edição da Série Vozes. É também a data em que a compositora brasileira Vania Dantas Leite faria 73 anos. Vania faleceu dia 11/8/2018 e em sua homenagem a Sonora fez uma curta apresentação de sua biografia, seguida da audição de sua peça Di-Stances, composta em 1982.

Conversando com Tide Borges

Tide graduou-se em Comunicação Social, com Habilitação em Cinema, na ECA-USP, em 1984. Foi uma das pioneiras a trabalhar com som direto no Brasil. Desde 82 trabalha com cinema. É Diretora de Som, entre outros, do som do filme “A hora da Estrela”, de Suzana Amaral, e “Mulheres Olímpicas”, de Laís Bodanski.

Tide conta que os primeiros professores que ensinavam a trabalhar com eletrônica na ECA abordavam, principalmente, a física dos sons, suas propriedades. A investigação artística nesta área se deu, para ela, um pouco empiricamente.

Ela conta que no curso de cinema, a parte do “som” era a que menos atraía alunos e alunas. Ela acabava fazendo as trilhas e a produção sonora de todos os filmes da escola.

Usava um gravador portátil, o Naga 3, que havia pertencido à equipe de Thomas Farka, fotógrafo e cineasta conhecido por seus documentários.

Tide voltou à USP para fazer o Mestrado em Ciência da Comunicação. Sua pesquisa, intitulada “A introdução do som direto no cinema documentário brasileiro na década de 1960”, enfocou a ligação do gravador com a possibilidade de se colocar a voz das pessoas nos documentários. Um dos filmes que ela analisou foi “Opinião Pública”, de Arnaldo Jabor, que dava voz às mulheres para saber o que estas achavam da função da mulher na sociedade. Este filme chamou sua atenção porque era raro este interesse pela opinião das mulheres acerca da vida que levavam.

Técnica e criatividade

Tide se especializou mais na captação de sons durante a filmagem e, atualmente, discute o fazer criativo nesta profissão. Critica a visão de que este é um trabalho puramente técnico. Tem que haver uma escuta sensível e criativa na hora de fazer as escolhas do que e como gravar.

Os custos dos equipamentos são outra dificuldade, muitos são importados, tudo é caro. Tide conta que iniciou a parceria com Lia Camargo também para que juntas pudessem comprar equipamentos melhores.

Sua parceria com Lia Camargo vem de décadas. Não há hierarquia nesta relação, o que difere das relações habituais do mundo do cinema. Elas dividem os microfones, até porque dividir a monitoração auxilia a vencer a rapidez das tomadas nas filmagens. Tudo ocorre muito depressa, o ensaio é gravado e pode servir para material definitivo.

Como professora, conta da dificuldade de sistematizar um conhecimento adquirido através da experiência para colocar em suas aulas. O livro “Como fazer um filme”, de Carlos Abbate, foi uma publicação muito útil e cuja tradução foi uma conquista de Tide, entre outros (as). Desde 2010 leciona Direção de Som no curso de cinema da FAAP.

A escolha de microfones, do material ou da forma de trabalhar nem sempre é o principal num filme: o relacionamento entre as pessoas envolvidas numa filmagem é muito importante para a boa realização. Pode haver muita disputa de egos, pois o que cada profissional espera da obra é único e individual. Nem todos (as) entendem como funciona a escuta através do microfone, para o que Tide convida diretores (as) e atores (as) para ouvir com um fone sensível. Com isto eles (as) percebem como é difícil conseguir filtrar falas e sons específicos em meio à poluição sonora comum das cidades.

Tide conta que não costuma ouvir música em seus trajetos, prefere prestar atenção nos sons que a rodeiam. Está fazendo, com alunos e alunas da FAAP, um mapa sonoro da faculdade. Este trabalho de gravação da paisagem sonora do local convida os (as) jovens a conhecer e sentir o espaço que frequentam a partir dos sons.

Sobre a atuação de mulheres na área de sons diretos

Tide conta que já foi mais difícil atuar na direção de som por ser mulher. Entre outras questões, os gravadores eram mais pesados e alguns diretores achavam que mulheres não dariam conta de carregá-los.

A questão familiar é difícil também, pela necessidade de viajar, estar em campo. Tide conta que trabalhou até os 9 meses de sua gravidez, mas depois se dedicou à propaganda por um tempo, para estar mais em casa.

Na docência ela conta que foi privilegiada em certo aspecto pela carência de profissionais da área que tivessem formação acadêmica. O fato de estar na ativa, fazendo filmes, também é valorizado pela faculdade.

Em relação aos salários também, ela não tem reclamações. Mas o assédio existe, apesar de estar diminuindo.

Música x som direto

Tide conta que a relação entre trilha sonora e som direto tem se tornado mais frequente. Eram universos muito distantes, já que a trilha quase sempre chega no final das filmagens. Ela tem trabalhado mais na finalização dos filmes, o que possibilita que faça a interação das composições com o som direto. Sente que quanto mais houver esta interação, melhor será o resultado final.

 

 

Ata da reunião de 11/06/2018 – Vozes com Paola Picherzky

Paola é argentina, nascida em Mendoza. Mestre em música pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), é Doutoranda no programa de Pós-Graduação da ECA-USP e professora nas Faculdades Santa Marcelina, FMU/FIAM/FAAM e Fundação das artes de São Caetano do Sul.

Sua dissertação de Mestrado intitula-se “Armando Neves: Choro no violão paulista”. O choro é uma marca importante em seu trabalho, Paola participa do grupo Choronas desde 1995.

Paola toca violão desde criança, tinha um violão verde por ser palmeirense. Seu primeiro professor não foi decisivo na escolha da carreira musical, mas ela quis se graduar em violão e se tornou concertista. Fez a Fundação das Artes e a Faculdade Carlos Gomes. Durante a faculdade teve apoio da família, principalmente da mãe, e assim que se formou ingressou como docente na Fundação das Artes.

Sempre se preocupou com a relação professor-aluno e se esforçou muito para ser digna da responsabilidade de lecionar violão. Estudou o método Kodally na Hungria. Sua pesquisa de Doutorado enfoca esta relação, pensando no ensino de violão em grupo.

O grupo de cordas Chorona surgiu por iniciativa de uma amiga, que queria montar um grupo de mulheres no choro. Uma das primeiras apresentações foi no SESC e atraiu um público significativo. Desta apresentação surgiram convites para concertos, que se tornaram frequentes. Começaram a pensar na estrutura do conjunto, roupas que deveriam usar, programa, gestualidade, divulgação. Até 3 anos atrás o grupo se mantinha o mesmo, agora algumas foram substituídas por se interessarem em seguir outros caminhos.

A prática da performance solo seguiu-se paralelamente, assim como a atividade didática. Paola entrou na Faculdade Santa Marcelina para dar aulas de música erudita e popular. A pesquisa acadêmica se deu pela necessidade profissional, mas ela fez questão de investigar peças musicais que pudesse agregar a seu repertório violonístico.

Assim nasceu a dissertação sobre Armando Neves, orientada pelo professor Ikeda. O material desta pesquisa veio do arquivo do músico Colibri, do Clube do Choro. Paola digitalizou toda a obra de Armando Neves, além de gravar um CD com música do compositor. Nos 50 anos da Fundação das Artes ela apresentou obras dele na Sala São Paulo num evento comemorativo da instituição (https://www.youtube.com/watch?v=RkBj5SqJ0kQ&feature=share).

Um dos motivos do grupo Choronas seguir ativo, segundo Paola, foi a preocupação da integrante Roseli Câmara, com seu formato e estrutura. Roseli vinha do Teatro e acabou saindo, mas as Choronas mantiveram a rotina e a disciplina de gravações. O último CD delas é “Choronas em Sampa”, mas tem diversos outros. Para se atualizar nas mídias elas gravaram um clipe em homenagem a São Paulo. A composição do clipe, “Choronas em Sampa”, é da integrante Ana Claudia Cesar (https://www.youtube.com/watch?v=EGgbrX724No).

As Choronas fazem um trabalho pedagógico de formação de plateia. Já o apresentaram em diversos CEUS, assim como em escolas particulares como o Santa Cruz. Participaram de evento criado pela AVON, tocando o Corta-Jaca de Chiquinha Gonzaga com uma orquestra de mulheres (https://youtu.be/2ln0U3G7Zu4).

 

Em relação à política de afirmação das mulheres

Choronas é o 1º grupo de choro formado por mulheres. Apresentando, entre outros, mulheres como Chiquinha Gonzaga, elas enfatizam a importância de romper o círculo machista de certos ambientes como o do choro.

Elas já ouviram comentários do tipo “elas tocam como homens”, mas sentem que tem mesmo que sair da zona de conforto e ocupar espaços. Paola tem várias alunas e se sente bem em ser inspiradora através da pedagogia e de seu exemplo pessoal – mãe, mulher, musicista, pedagoga.

 

Na pedagogia

Paola dá aulas nos cursos de Bacharelado e de Licenciatura. Com estas atividades ela diz que aprendeu muito, até em relação a intérpretes de outros instrumentos que estudam violão.

Ela trabalha também com crianças através de uma ONG israelita. Lá ela desenvolve a musicalidade das crianças, além da relação das mesmas entre si.

Idealizou e implantou o projeto “Ensino coletivo de violão”, culminando na criação da primeira Orquestra de Violões da Fundação das Artes de São Caetano do Sul – da qual é regente e diretora artística. Nesta orquestra insere também a pesquisa sonora que explora novas formas de tocar o instrumento (https://youtu.be/A1vhRXlg72o).

 

Sobre criação

As Choronas têm inserido cada vez mais composições próprias em seus programas. A ideia é aumentar esta prática. Os arranjos são todos delas e estão em constante mudança. Elas nunca escrevem os arranjos, até porque são mutantes. A improvisação tem lugar nestas propostas.

 

Sobre autoras mulheres

Um dos próximos projetos das Choronas é gravar obras de autoras mulheres. Para isso elas estão fazendo pesquisa de repertório. Já gravaram um DVD com uma opereta sobre Chiquinha Gonzaga para o projeto TUCCA – Aprendiz de Maestro, que angaria fundos para tratamento de crianças com câncer. A opereta foi gravada na Sala São Paulo, com regência de João Mauricio Galindo.

 

Sobre organização e divulgação

As Choronas tem uma pessoa responsável, um produtor, para pesquisar e escrever projetos para editais, firmar parcerias, etc. Não foi sempre assim, antes elas mesmas faziam esta parte. O grupo chegou a bancar 2 integrantes para fazerem cursos de produção e confecção de projetos para editais. Todas aprenderam muito com isso.

 

Sobre profissão e maternidade

Como organizar o tempo numa profissão autônoma como a de intérprete? Não ter uma licença maternidade definida atrapalha?

Paola diz que o segredo é ter um bom parceiro, como seu marido Paulo Tiné. E saber delegar funções, aprender a não monopolizar as funções relativas aos filhos. Deixar que as crianças tenham contato com o pai do jeito que ele sabe e quer ficar. Ela pensa que o natural da mulher é querer controlar a situação.

Paola sempre levou os filhos aos locais de gravação, com alguém que pudesse ficar nos horários em que ela estava trabalhando. Seu marido também sempre dividiu os cuidados com os filhos. Ela pensa que as crianças devem entrar na vida dos pais e não estes mudarem sua vida por causa delas. E isso tem dado certo!

Assista à entrevista completa em https://youtu.be/Mr1vTaXinRI  

 

 

 

 

 

 

 

Ata da reunião de 02/04/2018 – Vozes com Laura Mello

Laura Mello é compositora, artista sonora e performer. Morando entre Berlim e Viena, ela passou por São Paulo e concedeu uma palestra/entrevista para a rede Sonora.

Ela contou sua trajetória, uma parte da qual se passou na Alemanha, estudando, e apresentou obras eletroacústicas e multimídia de sua autoria. Em seu currículo constam experiências com dança, teatro, edição de vídeo e outras vertentes artísticas. Esta atuação colaborativa abriu-lhe os sentidos para varias possibilidades.

A mudança para Berlim para fazer Doutorado se deu em 2006. O programa de Doutorado permitiu-lhe ter acesso a todas as universidades da Alemanha. Se aprofundou na composição com palavras, sons, ruídos, imagens, silêncio. Suas produções costumam fazer questionamentos, por exemplo, em relação à diversidade cultural, à falta de profundidade de algumas propostas, a ideias que vão surgindo. Muitas vezes utiliza o humor para levantar tais questões.

Em 2009 realizou “Josephine Joseph”, produção que envolvia a ilusão cinematográfica de que duas pessoas se tornavam uma única. Havia a questão espacial também, com espelhos, pessoas do público que ficavam fora do ambiente em que os atores faziam movimentos sutis e pessoas que entravam neste recinto.

Ultimamente Laura tem trabalhado com um projeto autoral chamado “many media including me”. Gosta de mexer com as temporalidades, do filme, da música, de si mesma, etc. Foi mostrado um filme deste projeto, em que, como o nome diz, ela também atua.

Certa vez trabalhou com o Alexandre Fenerich sobre o “Bonde do Tigrão”, mixando gravações com vídeos feitos por eles, juntamente com a imitação de áudios que Laura experimentou trabalhando numa espécie de central telefônica de venda de ingressos em Berlim. Ela gosta muito de gravar em transportes públicos e usar estes materiais em outras ocasiões.

“São muitas coisas diferentes” – diz Laura. “Esta heterogeneidade é isso mesmo, eu trabalho desta forma”. Ela junta gravações, filmagens e tomadas ao vivo para obter determinados resultados sonoros, visuais e assim por diante. Um de seus trabalhos com rádio é “Living Radio”, e já envolveu varias pessoas.

No início de seus trabalhos com radio não havia streaming, era complicado captar varias pessoas em lugares e situações diferentes. Agora os recursos são bem mais sofisticados. Na serie Living Radio, a autora constrói programas a serem seguidos pelos atores/cantores/etc. Laura mostrou a partitura de uma peça, que conta com símbolos e indicações do que as/os performers devem fazer, sentir, entoar. Esta peça vai ser apresentada novamente em Berlim no festival Distopias.

Laura tem desenvolvido uma escrita que fica entre a linguagem musical e a literatura. Gosta de formar paralelos entre língua falada e música. Um de seus mais recentes trabalhos foi interativo e contou com a participação da Mariana Carvalho, Camila Zerbinatti e Renata Roman, entre outrxs. Cada participante devia fotografar a paisagem de sua janela e falar sobre o que estava vendo, sem usar termos subjetivos. Descrever o som como estivesse ouvindo, sentindo, vivenciando. Depois Laura uniu todos os depoimentos. No encontro de hoje ela mostrou alguns destes depoimentos.

Laura fala sobre explicitar o que não é declarado através dos sons e das atmosferas. A transmissão completa deste encontro pode ser acessada em http://youtu.be/BGGJdKL6jsw

 

Vozes – Laura Mello (Divulgação)

 

Laura Mello é compositora, artista do som e performer (piano, voz, movimento). Trabalha entre Berlim e Viena, em formações solo e em colaborações com outros artistas das áreas de Música Experimental, Arte Sonora e Performance. Formou-se em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda) na UFPR, em Composição e Regência na EMBAP, com especialização em Estética da Música do Século XX na EMBAP e Composição Eletroacústica na Universidade de Música e Artes Dramáticas em Viena. Como doutoranda da Universidade Técnica (TU) de Berlim, frequentou cursos em áreas que vão da produção para rádio à teoria do Happening, passando por aulas de dança Contemporânea e participando dos concertos da classe de Composição Intermídia da Universidade das Artes (UdK). Sua obra engloba peças instrumentais, teatro musical, música eletroacústica, instalações sonoras e performances. Em sua atividade artística desafia as fronteiras convencionais entre formatos, mídias e linguagens. Desenvolveu ferramentas para auxiliar na composição de música experimental para meios visuais, em projetos didáticos abertos a alunos sem experiência musical. Há alguns anos vem se aprofundando na relação entre a música e a língua falada, explorando representações e possibilidades de releitura entre estas linguagens. Elabora desde 2008 um trabalho de Performance solo chamado “Composing for many media including me”.

 

Vozes é um espaço que recebe artistas mulheres para apresentarem e falarem sobre seus trabalhos. Com uma dinâmica mais informal, é um espaço aberto para a conversa e para o compartilhamento de experiências.

Haverá transmissão ao vivo através do nosso canal do Youtube. O link para a transmissão será postado em nossa página do FB alguns minutos antes do evento.

 

Ata da reunião de 04/12/2017 – Vozes com Flora Holderbaum

O nosso encontro hoje, na última edição da Série Vozes, foi com a violinista, artista sonora e pesquisadora Flora Holderbaum. Foi um encontro especial, pois, assim como em algumas outras edições, Flora é integrante da rede Sonora.

A artista contou-nos sobre sua trajetória. Ela escreve desde muito cedo, e abraçou a música – começando pelo violino – um pouco depois. Fez Graduação e TCC em Artes Visuais, área em que conheceu melhor o que seria sua grande via de expressão, a Arte Sonora e a Poesia Sonora. Fez mais uma Graduação, em Violino, e uniu as duas vias de linguagem, sonora e visual.

O estudo do violino clássico lhe deu ferramentas para transitar pela música experimental. Ela também estudou técnicas de mixagem, eletrônica e gravação, para poder produzir suas próprias composições de música concreta e eletroacústica. Uma pessoa que a encorajou nesta área foi a compositora argentina Alma Laprida.

Assim como Alma, Flora diz que não se reconhece como uma compositora, intérprete ou criadora, pois não vê uma única área que a represente. Circula entre várias formas de atuar, unindo diversas possibilidades do fazer. “Poema, verbo instrumental” foi das primeiras obras em que inseriu uma gestualidade mais particular, como se uma coreografia fizesse parte da obra. Ela também começou a trabalhar com ruídos, sons vocais não convencionais e outras técnicas estendidas, realizando obras que podem ser ouvidas em seu soundcloud, em https://soundcloud.com/flora-holderbaum.

Das pedras no caminho

Flora acha que, no Brasil, o caminho não é tão fácil para artistas que se interessem pela área em que atua. Os equipamentos são caros, a informação de como realizar determinados procedimentos não é de simples acesso, os cursos são dispendiosos e têm-se que descobrir os processos sozinha (o). É assim que ela percorre seus caminhos, testando, experimentando, retomando materiais que usou em trabalhos anteriores, revisitando trechos, inventando outras peças, criando coisas novas.

A microvocalidade é uma das façanhas que a atrai, como pode ser conferido em “5 peças para vocalidades mínimas ou microvocalidades”, também disponível no seu soundcloud. A artista explora fenômenos como granulação, pequenos fragmentos de voz e outros micro processos. A oralidade e a escritura são vistas por ela como contínuas, não como opostas. É uma performer que compõe e usa tudo o que lhe parece moldável. Neste sentido a peça “Máquina de lavoz” é um exemplo da aplicação de vários softwares, ruídos e procedimentos, a partir do som de uma máquina de lavar em movimento.

Compositora, intérprete e…

Flora mescla vídeos e gravações com performances ao vivo. Trabalha bastante em parceria com outras (os) artistas.

Tem se interessado particularmente pelo processo terapêutico vivido pelas pessoas que participam das produções vocais e/ou instrumentais. Em “Máquina de Lavoz” ela trabalha os harmônicos gerados pela máquina de lavar, sobrepondo também sua própria voz no processo. O resultado parece dar uma sensação de paz a quem ouve, fenômeno que ela quer estudar mais a fundo futuramente.

Influências

O contato com integrantes do NuSom lhe abriu novas possibilidades. Conhecer a Lilian Campesato, o Fernando Iazzetta e a Valéria Bonafé, entre outras (os), motivou sua vinda para São Paulo e o interesse pela pesquisa no campo da arte sonora e da improvisação. Luís Vanzato também é uma referência para ela, juntos trabalharam em “Synchronia”, para voz, violino e eletrônica. Ela cita também Silvio Ferraz e suas ideias sobre sibilações, além de outros procedimentos.

Leila Monségur também é uma parceria cara a Flora, assim como Julia Teles e outras pessoas do NME (Núcleo de Música Eletroacústica). Há um tempo Flora participa da Revista Linda NME e, em algum ponto, encontrou a Leila e juntas fizeram o projeto que foi selecionado pelo edital de música e audiovisual para mulheres criadoras do 4º Festival Música Estranha, em 2016, idealizado em parceria com a rede Sonora. O tape chama-se “Miss Sound System” e pode ser visto em https://www.youtube.com/watch?v=Zx41NWguDjs.

Daniel Quaranta lhe deu várias dicas de como tirar o máximo de determinadas ferramentas. Mas, ao final, a escuta é sua melhor guia, a necessidade poética lhe direciona para os recursos possíveis.

Excessos e mínimos

Flora gosta de sair e voltar para o mínimo, que considera o duo violino e voz. Isso é recorrente em alguns de seus trabalhos, que partem de um espectro mais reduzido, alcançam uma vastidão que caracteriza como excesso e retornam ao mínimo essencial do início.

A artista mostrou sua produção foi em torno da temática dos chás, para o NME Chá.  A peça Chea-chá de ‘Passi.flora’ está no seu repertório do soundcloud.

Oficinas

Atua em oficinas de arte sonora e composição, em São Paulo e em outras cidades. Nelas a autora fala de poetas sonoras (os) e de vocalidades, questionando o lugar da voz e dos sons – do canto ao grito, o choro, etc.

Flora mostra trabalhos seus e estimula as e os alunos a trazerem materiais próprios para serem manipulados na oficina. Ela disse que surgem coisas maravilhosas, resultantes da teoria e da prática com palavras, gestos e sons. Ela pensa nos conceitos de Fucault sobre a possibilidade de emergência de vozes, quais vozes são permitidas, quais foram cerceadas, o que é possível fazer com e a partir delas.

Criações conjuntas

A improvisação [Re]Invenções, feita com Mariana Carvalho, Inês Terra, Nathalia Francischini e o NME, fez parte de um projeto do Proac. Flora conta que cada integrante veio com seu próprio repertório musical, corporal e gestual, combinando estéticas diversas. Ela gosta deste tipo de interação e composição conjunta.

Em Recife descobriu outros trabalhos acerca da cartografia do corpo, similares ao que ela pesquisa. Ela achou interessante como vários autores pensaram a atuação do corpo nos processos criativos, temáticas com as quais ela também se envolve.

Próximos passos

Flora pensa agora em trabalhar mais acústicos, com voz e violino, ou outras possibilidades. Também quer se dedicar mais à escrita para poder compartilhar suas criações com outras (os) intérpretes. Ela se lembra de uma peça que fez nesta linha, com a Marcela Lucatelli no Estudiofitacrepe, a qual curtiu bastante. Este trabalho surgiu de uma residência artística.

 

 

 

Vozes – Flora Holderbaum (Divulgação)

 

Flora Holderbaum é violinista, compositora e performer da voz. É co-editora da revista linda desde 2015. Bacharel em Artes Visuais-Pintura e Gravura (2006) e em Música-Violino (2014), ambos pela UDESC; Mestre em Música -Teoria Estética e Criação pela UFPR (2014), sob orientação de Daniel Quaranta. Integra o NuSom (Núcleo de Pesquisas em Sonologia da USP), onde faz doutorado em Música-Processos de Criação Musical-Sonologia, sob a orientação de Fernando Iazzetta. Trabalha com processos criativos em torno de poéticas vocais e instrumentais, com ênfase na Poesia Sonora e suas intersecções com a Música Experimental e suportes eletrônicos. Sua pesquisa atual gravita em torno de uma cartografia das emergências vocais a partir da relação entre as formações discursivas, na literatura dos estudos da voz, e não-discursivas, nos processos composicionais dentro do repertório vocal contemporâneo.

04/12/2017, segunda-feira às 17h30
Haverá transmissão. Link será postado neste evento no dia.

CMU-ECA-USP – sala 12

Vozes é um espaço que recebe artistas mulheres para apresentarem e falarem sobre seus trabalhos. Com uma dinâmica mais informal, é um espaço aberto para a conversa e para o compartilhamento de experiências

Apoio:

Ata da reunião de 27/11/2017 – Vozes com Thais Montanari

A edição de Vozes de hoje recebeu a compositora e pesquisadora Thais Montanari. Thais se graduou na UFMG, fez Mestrado na Universidade de Montreal e está fazendo Doutorado na mesma instituição, no Canadá. Seu projeto envolve outras mulheres e outras vertentes artísticas. Trabalha, entre outros, com questões de gênero na música, pensando a relação entre espaços públicos e mulheres na sociedade.

Durante a graduação, Thaís formou um grupo para trabalhar composição. No Mestrado, ela passou a se interessar mais por trabalhos engajados, querendo atuar artisticamente em prol de causas sociais. Aliar imagens visuais, como em documentários, a sons e ao fazer musical. Sair da performance tradicional mais distante do público. Foram 2 anos de muito questionamento.

No Doutorado, ela tem trabalhado em torno de 4 ideias:

  1. Criação conjunta com intérpretes, num espaço em que possam discutir também questões não musicais.
  2. Como buscar espaços acessíveis para entrar em contato com públicos mais diversificados, que não necessariamente frequentam salas de concerto, museus, etc.
  3. Projetor interdisciplinares. Conhecer dispositivos capazes de servir a músicos e artistas de outras áreas.
  4. Notações possíveis para ilustrar as ideias musicais.

Obras

“Ser Ruído”. Foi composta durante o Bacharelado em composição. Para esta peça Thaís gravou sons da cidade (Belo Horizonte) e integrou com sons de instrumentos acústicos tocados por um grupo formado com colegas. Foi produzido um vídeo, fragmentado, que projetava um texto da compositora, bem como outras imagens visuais, em vários canais. A obra foi apresentada num espaço de Belo Horizonte, em que o público ficava em volta e havia interação entre o mesmo e os e as musicistas.

“Plug”. Utiliza Facebook, youtube, celular e outras tecnologias atuais. Estas atuam junto à performance de instrumentos acústicos.

Projeto atual: “Eu não sou um espaço público”. Envolve 7 musicistas, cada uma criando um solo de 6 a 7 minutos. Destas 7 performances e personagens ela pretende fazer uma só obra.

Thaís quer discutir a questão da mulher ser vista como espaço público, a vulnerabilidade, o fácil acesso e o desrespeito das pessoas em relação à mulher. Ela tem estudado muito os espaços públicos, o que a faz pensar no modo capitalista com que os espaços são pensados.

 

Processos

Para a criação de “Eu não sou um espaço público”, Thais discutiu com as musicistas de seu grupo de trabalho a ideia de ser personagem em diversas situações do cotidiano. Como ela está em Montreal, as experiências narradas pelas integrantes são muito distantes entre si e muito diversas da experiência que ela conheceu no Brasil. Há um certo choque cultural. Juntar estas 7 pessoas tão diferentes é um dos desafios do trabalho. Há também uma cineasta trabalhando no projeto.

A escolha das intérpretes e da cineasta se deu durante o Doutorado, em disciplinas destinadas a integrar compositores e intérpretes. A dificuldade dela foi se deparar com outros interesses, outras ideias, o que também gerou crises ocasionais que tiveram que ser trabalhadas e amadurecidas.

O contato compositora e intérpretes se deu sem hierarquia entre as partes. Thaís respeita muito a relação de instrumentistas com seus instrumentos e acatou as ideias das musicistas em relação a isto. Segundo ela, todas são muito criativas e não ficaram esperando comandos para atuar. A obra tem muito da personalidade de cada uma.

Além das filmagens das intérpretes tocando e improvisando, Thais também utiliza outras imagens delas em lugares diversos, espaços públicos. Ela também filma alguns espaços sem atores. Tudo isso será mixado e editado para um vídeo final. O processo é de colagem, e também de reciclagem. A compositora faz uma espécie de orquestração de todas as ideias trazidas pelas intérpretes. A cineasta escolhe os enquadramentos e pontos ligados à projeção. A obra discute a atuação da mulher em vários espaços públicos, mesmo os mais “privados” como as redes sociais, as lojas, etc.

Notação

Thais elabora guias, que ela chama de partitura-texto, em suas criações em geral. Nestas partituras coloca itens que as (os) intérpretes devem pensar e discutir para elaborar suas peças. No caso da obra “Eu não sou um espaço público”, Thais comenta que o clima de Montreal interfere nas decisões, pois pouco se pode atuar em espaços abertos nas estações mais frias. Alguns itens do “guia” para esta obra são provocações para as musicistas, como como elas se sentiriam em determinados lugares, situações, etc.

Não há partituras individuais, há mais um registro geral da compositora, em que ela “transcreve” alguns dos procedimentos feitos pelas musicistas.

Compositora e intérprete

Thais participa de suas peças, também, como intérprete. Isto faz com que seja um pouco difícil que suas peças sejam reproduzidas na sua ausência. Ela atua como criadora, mas também como motor propulsor de suas obras. Gosta de desconstruir a ideia de compositor (a) que tolhe os (as) intérpretes, mesmo porque ela nem sempre tem ideias a priori na composição.

Esta visão de criador (a) que cria uma partitura estanque foi um dos embates que ela encontrou durante o curso de graduação. Por outro lado, concorda que muitos intérpretes queiram este direcionamento. Para isso, ela procura trabalhar com musicistas abertos (as) a este tipo e proposta.

Doutorado no Canadá

Como resultado de sua pesquisa de Doutorado, Thais deve escrever o processo de criação, gravação e registro de seu projeto. Neste momento ela está trabalhando com uma musicóloga para embasar esta experiência.

Alguns tópicos de sua pesquisa, como a discussão da necessidade de espaços específicos para a música acadêmica, geraram polêmica no âmbito da universidade. Por esta razão, ela e seu orientador procuraram uma co-orientação na área musicológica.

Outros projetos

Thais quer também discutir musicalmente a atuação da mídia na formação de cabeças pela repetição exaustiva de certos assuntos e pontos de vista. Ela apresentou uma versão de seu novo trabalho, “Brain washed brain dead” em Belo Horizonte, com 2 músicos que ela já conhecia, e em Bogotá, com duas musicistas que ela conheceu lá.

Em Bogotá ela achou muito positiva a oportunidade de, motivada pela música, poder discutir assuntos que ela estava interessada, como o plebiscito que tinha ocorrido pouco tempo antes de sua chegada à Colômbia. Ela mostrou um trecho do vídeo deste trabalho.

Influências

John Cage, pela liberdade e coragem. Luc Ferrari, pelos procedimentos de unir sons e ruídos. Mas, mais do que pessoas, Thais tem se interessado por instalações sonoras e por improvisações.

Para sobreviver

A compositora tem trabalhado em montagens de festivais, tanto na logística como na montagem de peças. Ela se deparou com a realidade de que no Brasil, as mulheres não penetram estes lugares, isto não é uma opção.

Ela percebe que há barreiras de gênero nestas profissões, o que acaba gerando uma dependência das compositoras e intérpretes em relação às atividades técnicas da música. Thais se encontrou nestas atividades, o que lhe era impossível quando morava no Brasil. Ela dava aulas para crianças, embora não pensasse em fazer isso profissionalmente por muito mais tempo.

Dilemas da profissão

Determinadas dificuldades às vezes colocam Thais em crise sobre a criação musical. O contato com intérpretes, que ela preza, a coloca, às vezes, em uma situação de dependência que dificulta a execução de certos projetos. Em relação à dança ou outras artes, ela acha que na música as coisas são mais difíceis de acontecer. Ela encontra mais resistência por parte de intérpretes do que ela pensa que exista em outras áreas.

Na sua concepção, a eletrônica não substitui o contato com musicistas.

 

 

 

 

Vozes – Thais Montanari (Divulgação)


Sonora – músicas e feminismos convida para um encontro com a compositora mineira residente em Montreal, Thais Montanari. Nessa realização de mais um encontro da série Vozes, Thais vai compartilhar seus trabalhos e projetos. Atualmente Thais faz doutorado em composição musical e criação sonora na Universidade de Montreal. Sua pesquisa procura sugerir formas de compor peças que estimulem artistas de todos os meios a colaborarem para transmitir questões sociais atuais através de performances em espaços outros que a tradicional sala de concerto. É uma compositora que está frequentemente comprometida com a produção e a difusão de projetos artísticos contemporâneos e socialmente engajados. Atualmente desenvolve um trabalhando com uma cinegrafista e sete musicistas em um projeto que tem como objetivo destacar a relação entre a noção de espaço público e as mulheres em nossa sociedade.

27/11/2017, segunda-feira às 17h30
Haverá transmissão. Link será postado neste evento no dia.

CMU-ECA-USP – sala 12

Vozes é um espaço que recebe artistas mulheres para apresentarem e falarem sobre seus trabalhos. Com uma dinâmica mais informal, é um espaço aberto para a conversa e para o compartilhamento de experiências

Apoio:
NuSom

Ata da reunião de 14/11/2017 – Vozes com Sylvia Hinz

A reunião de hoje foi dedicada a mais uma edição da Serie Vozes, desta vez com a flautista alemã Sylvia Hinz. Esta edição teve o apoio do grupo Escritas e Invenções Musicais, além do Núcleo de Pesquisas em Sonologia.

Sylvia é artista residente em Berlim e começou o evento falando e mostrando seus instrumentos, uma coleção de flautas de diversos tamanhos e sonoridades. A mais conhecida é a recorder, ou flauta doce, usada – ou, como ela diz, mal-usada – na iniciação musical em escolas. Ela mostrou também algumas técnicas estendidas que podem ser aplicadas a todas as variantes do instrumento.

Sylvia disse que dá preferência a tocar música contemporânea, especialmente criada por mulheres. Em sua vinda ao Brasil, fará vários concertos intitulados “ Infelizmente desconhecidas”, em que mostra parte deste repertório. Ela não vê razão em tocar obras que outras (os) flautistas já interpretaram centenas de vezes antes dela. Em vez disso, acha interessante tocar obras atuais, que falam de questões do momento em que vivemos. Da mesma forma ela não vê propósito em divulgar obras de homens, que são divulgados o tempo todo em todo lugar.

 

Das compositoras

Entre as compositoras interpretadas por Sylvia Hinz está a romena Violeta Dinescu. Em partituras como “Gräser”, Sylvia reconhece um forte apelo visual e gráfico. A compositora não costuma enviar indicações específicas para decifrar sua escrita. Antes, prefere que a (o) intérprete crie suas próprias soluções e versões da peça a partir da partitura. No caso de sua peça para Trio, a flautista pensa que é interessante que o grupo pense em soluções comuns para os problemas apresentados. Outra abordagem possível é não adotar um padrão para as três partituras deliberadamente.

Nicoleta Chatzopoulou, grega nascida em 1976, também faz parte do rol de criadoras mostradas por Sylvia. Na peça apresentada, “Distant Fields”, a intérprete é chamada a dar contribuições. A compositora lhe cede uma cópia de sua gravação com sons eletrônicos e a flautista toca com este material. Sylvia acha esta peça particularmente importante justamente por ser uma mulher trabalhando com eletrônica, e conta que, na estreia, havia também uma mulher operando a mesa de som. Segundo a intérprete, os homens que estavam no evento se incomodaram por ser dispensados de trabalhar como engenheiros de som para ambas.

Sylvia tocou ainda a peça “Birds”, da canadense Clio Montrey, e mostrou um vídeo de sua performance com a artista plástica Carola Czempik. Com esta última ela tem trabalhado indo a seu ateliê e escolhendo pinturas sobre as quais improvisa, grava, interage. Sua improvisação é influenciada pelas imagens e vice-versa, pois a artista plástica também pinta de acordo com o que ouve em tempo real.

Sylvia é autora de algumas improvisações que viraram peças eletroacústicas, como “Anonyma”. Esta é uma obra homenagem para as mulheres guerreiras que oferecem resistência ao grupo armado ISIS, no Oriente Médio.

Ela também trabalha com as produtoras do site Female Pressure.

 

De onde vem o interesse pelas compositoras

O interesse de Sylvia pelas mulheres criadoras se deu na adolescência, quando notou que o conservatório em que estudava só lhe apresentava compositores homens. Ela decidiu ir atrás de músicas feitas por mulheres, mas diz que não é uma tarefa fácil pelo medo de muitas delas de divulgar seus contatos ou endereços eletrônicos. Encontrar partituras antigas é ainda, de acordo com ela, mais difícil. Há que ir pesquisar em bibliotecas de universidades de seus países de origem, o que torna cara a empreitada.

 

Relacionamento com as autoras

Em geral Sylvia diz ter uma boa relação com as compositoras. Porém, de vez em quando pode dar mais trabalho. Um dos problemas é que a maioria das autoras compõe ao piano e transpõe para a flauta, o que dificulta para a intérprete. Frequentemente elas colocam sons muito agudos ou muito graves, abusam das dinâmicas ppp ou fff e outros procedimentos impossíveis de realizar. A flautista, porém, prefere trabalhar com estas peças do que com novas versões de peças antigas, “neobarrocas”, ou “neorrenascentista”.  Por mais esforço que demande, ela opta por desvendar novas produções.

 

 

Vozes – Sylvia Hinz (Divulgação)

Sonora: músicas e feminismos convida para o concerto-palestra com a flautista residente em Berlim Sylvia Hinz. Ela é especializada em música contemporânea e improvisação. Nesse encontro, Sylvia vai falar sobre o seu instrumento – flauta doce – e fará a performance de algumas peças, em sua maioria composta por mulheres. Um de seus interesses está em promover o trabalho de mulheres na música a partir de ações de arteativismo que proporcionem a capacitação de mulheres artistas e a conscientização sobre a participação delas na música. Sylvia Hinz vai tratar também da cooperação entre mulheres performers e compositorxs, bem como mostrar partituras, vídeos e descrever seus trabalhos que dialogam com outras formas de arte, como a pintura e a dança, por exemplo. Compositorxs estão convidadxs a trazer suas obras para flauta doce para serem lidas durante o encontro.

 
Sylvia Hinz é uma das mais reconhecidas e atuantes flautistas dedicadas ao repertório de música contemporânea e improvisação para flauta doce. Ela vem realizando um trabalho amplo de divulgação de mulheres compositoras. Além de suas performances solo, de música de câmara e como solista de orquestra, ela tem se apresentado com formações instrumentais não usuais e colaborado com artistas de outras áreas como a pintura, escultura e literatura.