Ata da reunião de 02/04/2018 – Vozes com Laura Mello

Laura Mello é compositora, artista sonora e performer. Morando entre Berlim e Viena, ela passou por São Paulo e concedeu uma palestra/entrevista para a rede Sonora.

Ela contou sua trajetória, uma parte da qual se passou na Alemanha, estudando, e apresentou obras eletroacústicas e multimídia de sua autoria. Em seu currículo constam experiências com dança, teatro, edição de vídeo e outras vertentes artísticas. Esta atuação colaborativa abriu-lhe os sentidos para varias possibilidades.

A mudança para Berlim para fazer Doutorado se deu em 2006. O programa de Doutorado permitiu-lhe ter acesso a todas as universidades da Alemanha. Se aprofundou na composição com palavras, sons, ruídos, imagens, silêncio. Suas produções costumam fazer questionamentos, por exemplo, em relação à diversidade cultural, à falta de profundidade de algumas propostas, a ideias que vão surgindo. Muitas vezes utiliza o humor para levantar tais questões.

Em 2009 realizou “Josephine Joseph”, produção que envolvia a ilusão cinematográfica de que duas pessoas se tornavam uma única. Havia a questão espacial também, com espelhos, pessoas do público que ficavam fora do ambiente em que os atores faziam movimentos sutis e pessoas que entravam neste recinto.

Ultimamente Laura tem trabalhado com um projeto autoral chamado “many media including me”. Gosta de mexer com as temporalidades, do filme, da música, de si mesma, etc. Foi mostrado um filme deste projeto, em que, como o nome diz, ela também atua.

Certa vez trabalhou com o Alexandre Fenerich sobre o “Bonde do Tigrão”, mixando gravações com vídeos feitos por eles, juntamente com a imitação de áudios que Laura experimentou trabalhando numa espécie de central telefônica de venda de ingressos em Berlim. Ela gosta muito de gravar em transportes públicos e usar estes materiais em outras ocasiões.

“São muitas coisas diferentes” – diz Laura. “Esta heterogeneidade é isso mesmo, eu trabalho desta forma”. Ela junta gravações, filmagens e tomadas ao vivo para obter determinados resultados sonoros, visuais e assim por diante. Um de seus trabalhos com rádio é “Living Radio”, e já envolveu varias pessoas.

No início de seus trabalhos com radio não havia streaming, era complicado captar varias pessoas em lugares e situações diferentes. Agora os recursos são bem mais sofisticados. Na serie Living Radio, a autora constrói programas a serem seguidos pelos atores/cantores/etc. Laura mostrou a partitura de uma peça, que conta com símbolos e indicações do que as/os performers devem fazer, sentir, entoar. Esta peça vai ser apresentada novamente em Berlim no festival Distopias.

Laura tem desenvolvido uma escrita que fica entre a linguagem musical e a literatura. Gosta de formar paralelos entre língua falada e música. Um de seus mais recentes trabalhos foi interativo e contou com a participação da Mariana Carvalho, Camila Zerbinatti e Renata Roman, entre outrxs. Cada participante devia fotografar a paisagem de sua janela e falar sobre o que estava vendo, sem usar termos subjetivos. Descrever o som como estivesse ouvindo, sentindo, vivenciando. Depois Laura uniu todos os depoimentos. No encontro de hoje ela mostrou alguns destes depoimentos.

Laura fala sobre explicitar o que não é declarado através dos sons e das atmosferas. A transmissão completa deste encontro pode ser acessada em http://youtu.be/BGGJdKL6jsw

 

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