Teias e viagens, dentro e fora: arte sonora e corpo-relação com Mariana Carvalho e Francisco Lauridsen Jalala

Francisco Lauridsen Jalala conversa com Mariana Carvalho acerca do trabalho da artista sob escopo da arte sonora. O encontro entre estas duas pianistas de formação aborda a trajetória de Mariana e seus atuais interesses de pesquisa. Ela tem se debruçado na experiência de um corpo-relação, a partir de deslocamentos geográficos, bem como a partir da Sonora e os grupos e coletivos aos quais pertence(u), mulheres que atravessa(ra)m sua trajetória e proposições etnográficas múltiplas. Mariana se interessa pelos limites entre dentro e fora: eu e x outrx, o corpo como filtro, escuta, a promiscuidade do som, ser habitada por diversas vozes.

Evento: https://www.facebook.com/events/562966564410500/

[Referências] Música clássica brasileira e as práticas coloniais: racismo, sexismo e relações de apadrinhamento com Antonilde Rosa e Dani Sou

Publicação de Antonilde Rosa:

Cantoras Afro-brasileiras de Ópera: Uma Reflexão Sobre a Ausência de Cantoras Líricas Negras nos Livros de História da Música Brasileira  do Século XIX:  http://www.abpnrevista.org.br/revista/index.php/revistaabpn1/article/view/224/240

O “PRETUGUÊS”: vocalidades da persona Mãe Preta da canção Bonequinha de Sede de Francisco Mignone

https://www.copene2018.eventos.dype.com.br/resources/anais/8/1527907081_ARQUIVO_ANTONILDE-CANCAODASMAESPRETAS-2.pdf

Ópera, Raça e Gênero Sob o Ponto de Vista de Artista Negras(os) – Revistas Música USP

Invisibilização de personalidades negras:

Livros:

Silvio Almeida. O que é racismos estrutura? http://www.uel.br/neab/pages/arquivos/Livros/ALMEIDA,%20Silvio_%20O%20que%20%C3%A9%20Racismo%20Estrutural_.pdf

Naomi André Black Opera: History, Power, Engagement. https://www.press.uillinois.edu/books/catalog/47wcf3tf9780252041921.html

Ensaio: HARAWAY, Donna. Saberes Localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial.  Cadernos pagu (5) pp. 07-41. UNICAMP, 1995. https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/1773


COMPOSITORAS NEGRAS BRASILEIRAS: 

Joanídia Sodré: 3º Movi. Quarteto nº 4


Aline Gonçalves Toada para Sojourner

Vanessa Rodrigues 


COMPOSITORAS AMERICANAS: 

Julia Perry, “Stabat Mater,” as we grieve together


Margaret Bonds: 3 Dream Portraits: No. 3. I, Too

Florence Price – Mississippi Suite




REGENTES BRASILEIRAS:

Priscila Santana

Alba Bomfim

Ester Freire 

Valéria Corrêia 

 Práticas coloniais: racismo sexismo e relações de apadrinhamento  

Artigo: Nacional por subtração – Roberto Schwarz. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/Autores/Schwarz,%20Roberto/Roberto%20Schwarz%20-%20Nacional%20por%20Subtra%E2%80%A1%C3%86o.pdf

Livro: Classe média negra: Trajetórias e perfis – Angela Figueiredo. https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/19350/1/Classe%20Media%20Negra_RI.pdf


Samba branco, seu racismo e seu compasso manco

Música clássica brasileira e as práticas coloniais: racismo, sexismo e relações de apadrinhamento com Antonilde Rosa e Dani Sou

Uma das principais práticas da sociedade colonial que propiciou a subalternização de pessoas negras, foi o apadrinhamento dos senhores e das sinhás em relação a famílias, grupos e/ou indivíduos negras/os. Esse sistema de troca de favores, bens materiais e afetivos, ao mesmo tempo que permitiu a autonomia financeira de uma parcela dessa população, por outro lado, sustentou a exploração de mão de obra, as investidas de natureza sexual contra as mulheres, fomentou a miséria e demais mazelas da maioria da população negra brasileira.

Percebemos ao longo da história, que essa prática sempre se intensifica em contextos de crises nas quais a população negra fica ainda mais vulnerável diante da negligência e das políticas genocidas do Estado. Estamos há aproximadamente 8 anos em um contexto de crise econômica, porém, depois do Golpe de 2016 que resultou no Impeachment contra a Ex-presidente Dilma Rousseff, as áreas das Ciências Humanas e das Artes passaram a sofrer um tipo de criminalização e patrulha ideológica por mandatários que se beneficiaram com o Golpe. E nessa trincheira, as/os artistas que não estão inseridos na indústria cultural mainstream, beiram à falência financeira e à mendicância.

É de conhecimento público que as/os artistas negras/os, em sua maiorias, são aqueles que menos recebem incentivos e investimentos financeiro. Então, me pergunto: como e onde estão as/os artistas negras/os nesse mar de miséria? Destarte, é a partir dessa prática histórica: o apadrinhamento, que quero discutir sobre a situação de profissionais negras/os no campo da música clássica brasileira, neste momento de destruição das teias de produção e dos sistemas de fomento das atividades artísticas e culturais no Brasil.

Desenho de som e os limites entre técnica e criação com Manon Ribat e Mariana Carvalho


Nessa live receberemos a Manon Ribat, integrante da rede Sonora desde 2019 e sound designer francesa residente em São Paulo há 5 anos. Falaremos sobre a sua trajetória em relação a arte sonora na França (sua experiência com rádio arte), sua chegada ao Brasil e seus trabalhos com som para cinema. A Manon contará o que é foley e como esse ramo da sonoplastia caracteriza o desenho de som dos filmes. Ao final, falaremos sobre a relação da técnica com a criação e seu espaço na pós-produção dos filmes. Manon nos contará como é ser estrangeira e mulher nesse meio de criação.

Para assistir a transmissão entre em: https://www.facebook.com/sonoramusicasefeminismos/videos/3138165659529118/


[Referências] Compositoras Latino-americanas com Eliana Monteiro da Silva e Valéria Bonafé

SOBRE O RECITAL “ESCUTA:”

1. “ESCUTA:” – Um recital-conversa em torno da antologia de Pós-Doc “Compositoras Latino-americanas: vida – obra – análise de peças para piano”, de Eliana Monteiro da Silva. E-book lançado pela Ficções Editora em 2019. Disponível em: http://ficcoes.com.br/livros/compositoras_la.html.

2. A corrida para o século XXI: no loop da montanha russa. Nicolau Sevcenko. Companhia das Letras, 2001.

3. PROGRAMA DO RECITAL:

  1. Gabriela Ortiz (Mexico) Preludio 1, dos Estudios entre Preludios. 
  2. Eunice Katunda (Brasil) Sonatina (1º movimento).  
  3. Graciela Paraskevaídis (Argentina/Uruguai) …a hombros del ruiseñor
  4. Cacilda Borges Barbosa (Brasil) Estudo Brasileiro n 1. 
  5. Valeria Bonafe (Brasil) Do livro dos seres imaginários: Kami, Odradék, Shang Yang e Haokah.  

SOBRE TRAJETÓRIA DE ELIANA

1. De Clara Schumann à Rede Sonora: Em Busca da história de mulheres na música – por Eliana Monteiro Da Silva. Linda – revista sobre cultura eletroacústica. Disponível em: https://linda.nmelindo.com/2016/06/de-clara-schumann-a-rede-sonora-em-busca-da-historia-de-mulheres-na-musica-por-eliana-monteiro-da-silva/

2. Clara Schumann: compositora x mulher de compositor. Eliana Monteiro da Silva. São Paulo, Ficções Editora, 2011. Disponível em:  http://www.ficcoes.com.br/livros/clara.html.

3. Beatriz Balzi e o piano da América Latina: a música erudita deste continente analisada a partir das gravações da pianista na série de CDs Compositores Latino-Americanos. Eliana Monteiro da Silva, 2014. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27158/tde-20052014-154114/pt-br.php

4. www.sonora.me 

5. www.polymnia.webnode.com

6. www.duoouvirestrelas.com

7. www.elianamonteirodasilva.com 

SOBRE NILCÉIA BARONCELLI

1. Mulheres Compositoras elenco e repertório. Nilceia Baroncelli. Editora Roswitha Kempf, 1987. 

2. Nilcéia Cleide da Silva Baroncelli: compositora e pesquisadora sobre mulheres na música. Eliana Monteiro da Silva. Revista Claves 2018, 2018. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/claves/article/view/43812.  


Ao vivo da Sonora: Compositoras Latino-americanas com Eliana Monteiro da Silva e Valéria Bonafé

Qual é a relevância de falar sobre compositoras latino-americanas em meio à quarentena do corona vírus? Eliana e Valéria, da Sonora músicas e feminismos, conversam sobre as escolhas que nos trouxeram a 2020 e as mensagens presentes nas composições de mulheres por tanto tempo silenciadas. Para assistir a live entre em: https://www.facebook.com/sonoramusicasefeminismos/videos/519791095404101/

 

Assista ao vídeo Escuta: Eliana Monteiro da Silva, Compositoras Latino-americanas:

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/150096249758332/

[Referências] Desenho de som e os limites entre técnica e criação com Manon Ribat e Mariana Carvalho

Para quem quiser mais informações sobre o que foi citado (ou não) na conversa, aqui vai uma lista de referências !! (por Manon Ribat)

Obras sonoras da Arte radio (Focadas em paisagens sonoras):

https://www.arteradio.com/serie/amazonia

https://www.arteradio.com/son/616468/los_gritos_de_mexico

https://www.arteradio.com/son/61661382/notre_dame_burning

Filmes e séries para assistir com os ouvidos abertos: 

Mon oncle (Jacques Tati); 
Bande de filles (Celine Sciamma); 
Blow out (Brian de Palma); 
Ex-Paje (Luiz Bolognesi); 
Chernobyl (Johan Renck); 
Blindness (Fernando Meirelles); 
The crown (Peter Morgan); 
The Handmaid’s Tale (Kari Skogland);Redemoinho (Jose Luis Villamarin); 
Va e veja (Elem Klimov); 
O menino e o mundo (Ale Abreu);
Como nossos pais (Lais Bodanzky).

Filmes que eu participei (comentados na conversa):

Socrates , Alexandre Moratto
Morto não fala, Dennison Ramalho
Pitanga, Beto Brant 
O filme da minha vida, Selton Mello
Elis, Hugo Prata
Bingo o rei das manhãs, Daniel Rezende

O que é foley?

O pinewood studios é uma referência no meio de som para cinema. Achei esse vídeo bem explicativo sobre o assunto. 

O que seria o  desenho de som para cinema? 

A Paula Fairfield é sound designer e trabalhou nos efeitos sonoros de Games of Thrones 

Livros de referência: 

A educaçao sonora, Murray Schafer
The soundscape (A afinação do mundo), Murray Schafer 
The foley grail, Vanessa Ament

Mulheres-maravilhas do som para cinema (BR): 

Para quem quiser saber mais sobre o trabalho delas, entrem no site IMDB (https://www.imdb.com/) e digitem o nome delas ! 🙂

Miriam Biderman (Supervisora de pós-produção de som, editora de diálogo)
Tide Borges (Som direito para cinema)
 Andreia Freire (artista de foley)
Guta Roim (Artista de foley)
Rosana Stefanoni (Mixadora, editora)
Raiza Rodrigues (Editora de diálogo e dublagem)
Vanessa Gusmao (Editora de som para cinema, foley e ambientes) 
Marina Mapurunga (Sound designer)
Bianca Martins (Editora de som para cinema)

Coletivo de mulheres no Audiovisual francês: 

http://collectif5050.com/en

Ata da reunião de 03/06/2019 – Visões – com o grupo Vozes Inaudiáveis

A rede Sonora recebeu hoje o grupo Vozes Inaudiáveis. Elas participaram da serie Visões, em que pessoas que estudam e trabalham com obras de mulheres contam sobre seus trabalhos.

Elas contaram como surgiu o grupo, com três integrantes, a partir do PET : Programa de Ensino Tutorial, coordenado pelo Prof. Maurício De Bonis, na UNESP. Este programa é apoiado pelo MEC para desenvolver atividades de extensão, com a finalidade de aproximar a universidade de outras comunidades não acadêmicas.

O grupo começou pesquisando compositoras na universidade, na biblioteca, em sites, fazendo um levantamento de quantas partituras eram disponibilizadas e outros aspectos ligados à temática. Foram entrevistar a compositora Denise Garcia, que lhes deu algumas partituras e incentivou o grupo a apresentarem uma peça vocal para quatro vozes. E assim a peça foi interpretada em recital por quatro cantoras.

O nome veio da questão de as mulheres compositoras terem suas vozes silenciadas, inaudíveis. Ao mesmo tempo, o grupo queria expressar a urgência de divulgar o quanto antes, o que parecia uma empreitada inadiável. A fusão destas ideias se configurou no título Vozes Inaudiáveis.

O grupo tem encontros semanais, em que organizam recitais com obras de mulheres, e fazem também intervenções pontuais na UNESP. Uma delas foi colar cartazes em locais visíveis do Campus, com dizeres como “Voce sabia que a irmã do Mozart era compositora? Já ouviu alguma obra dela?”.

Começaram a organizar recitais com repertório voltado às mulheres. O primeiro concerto, realizado na UNESP, se chamou “Concerto Delas”. Abriram uma chamada para alunxs e professorxs e receberam oito propostas, sendo a metade de autoria de membros do próprio grupo. Elxs acham que há bastante resistência por parte dxs intérpretes, devido, tanto ao preconceito, quanto ao acúmulo de atividades que elxs têm no currículo.

Outra atividade é a de colocar cartazes com fotos e biografias resumidas em cavaletes pela universidade. Também nas redes sociais o grupo interage, como a realização de “quizes” sobre compositoras e obras, semanalmente, no Instagram (todo sábado).

As “Vozes” também fizeram uma intervenção chamada “Onde não estão as mulheres na música”, em que colaram papéis coloridos com nomes de mulheres tidas como referências musicais na vida dxs alunxs. Contaram que se inspiraram na intervenção feita pela Sonora anteriormente. Foram preenchidos mais de cem papeis, que ficaram expostos na parede. A recepção foi, em sua maioria, positiva. Alguns alunos comentaram negativamente sobre a atividade, dizendo que o grupo queria somente chamar atenção.

Foi perguntado ao grupo se as mulheres participantes compõem. A resposta foi que poucas estudam composição, mas já houve peças delas executadas nestes recitais. O grupo citou a inibição em mostrar composições próprias no contexto das aulas e da universidade em geral. Foi consenso que alunas se sentem mais cobradas a apresentar resultados de alto nível do que os alunos.

O grupo “Vozes Inaudiáveis” não pensa em convidar professorxs porque imagina que estxs são muito ocupadxs para fazer parte. No início seus(suas) integrantes pensaram em abarcar também as artes plásticas, o que depois se mostrou excessivo. Uma professora das artes se interessou, mas depois o contato se esvaiu.

Em relação à música eletroacústica, o grupo disse que tem dificuldade para executar. Não há instrumentos e aparelhos disponíveis, e o laboratório é restrito ao uso de compositorxs ligados ao professor responsável.

As “Vozes” conheceram a compositora Nilcéia Baroncelli por meio do regente Lutero Rodrigues. Uma das integrantes pediu a ele referencias de compositoras e partituras. Lutero mencionou a Nilcéia como uma especialista no assunto, mas não passou seu contato. Coincidentemente, uma das meninas do “Vozes” foi assistir à orquestra de cordas Laetere, da regente Muriel Waldman, e encontrou a Nilcéia. Depois disso foi organizado um encontro com ela na UNESP, do qual Eliana participou representando a Sonora.

Apesar de se interessarem pela pesquisa sobre mulheres na música, as meninas do “Vozes” sentem que o mais importante é estar em grupo para atenuar as decepções e angústias. Chamaram algumas vezes o Coletivo feminista da UNESP para fazer grupos de estudo. Estas ocasiões não se repetiram muitas vezes. Foram lidos textos da Ângela Davis, entre outros.

O grupo se mobilizou também para realizar ações ligadas a Direitos Humanos. Porém, ao tentar discutir assuntos como assédio e violência na instituição perceberam que é um terreno pantanoso, apesar de encontrarem receptividade por parte da Comissão de Direitos Humanos do Instituto de Artes (IA).

Foi comentado como é complicado lidar com denúncias no Departamento. As pessoas que querem denunciar têm que assumir a autoria. Foram informadxs que a universidade não conta com assistência emocional, física ou jurídica. Ainda que a denúncia seja aceita, não há como impedir um professor ou colega de conviver com a pessoa que se sente vulnerável.

As “Vozes” citaram um contato que tiveram com a compositora Vania Dantas Leite, que faleceu antes que o grupo conseguisse organizar um concerto com suas obras. A Sonora também compartilha este interesse, para o que sugeriu fazer uma parceria entre os grupos. Lilian contou que travou contato com a família da compositora no fim do ano passado, mas que neste ano a conversa não foi retomada. Este é um desejo que pode ser realizado coletivamente.

Foi lembrado que, no ano passado, as “Vozes” vieram conhecer a Sonora. Perguntamos em que este contato reverberou para suas atividades. Foi mencionado que a Sonora tinha uma organização de atividades que inspirou o grupo a pensar suas ações.

As Vozes Inaudiáveis deixaram claro que têm muita energia e potência, em relativamente pouco tempo de atuação já fizeram diversas atividades. Estão de parabéns, e a todxs do grupo desejamos muito sucesso!!

Visões – Vozes Inaudiáveis

Este grupo foi criado em consequência de questionamentos que acompanham suas/seus integrantes em sua rotina como estudantes de música. Em 2018 iniciaram o grupo no PET-Música Unesp, com a intenção de sanar essa demanda. Ao iniciarem este projeto não possuíam referências, mas aos poucos, neste último ano e meio, o grupo tem encontrado o seu lugar nessa luta. Tanto pela curiosidade em saber onde estão as mulheres na história desta arte, quanto pela pouca aparição delas no conteúdo ministrado nas academias e no repertório das salas de concerto.
O trabalho das Vozes Inaudiáveis se pauta, a partir de pesquisas e levantamento de repertório, em resgatar a vida e obra de compositoras históricas e atuais, estrangeiras e brasileiras, criando espaço para apresentação de quem está em atividade hoje. 
O intuito é trazer artistas e pesquisadorxs da área para realização de palestras, recitais (didáticos ou comentados) e mesas redondas, além de promover diversos atos de intervenção dentro do Instituto de Artes da Unesp e divulgação das suas pesquisas em plataformas digitais e físicas.

Ata da reunião de 29/10/2018 – Visões com Teca Alencar de Brito

Nesta 9ª edição de Visões, a Sonora recebe Teca Alencar de Brito, Doutora e Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC- SP, Bacharel em Piano e Licenciada em Ed. Artística com habilitação em Música. Professora e pesquisadora no CMU/ECA/USP, Teca criou, há trinta e quatro anos, a Teca Oficina de Música, núcleo de educação musical voltado à formação de crianças, adolescentes, adultos e educadores, em São Paulo, Brasil. Autora de vários artigos e livros, produziu oito CDs que documentam a produção musical de crianças e adolescentes da Teca Oficina de Música. Sobre tudo isso ela conversa com alunas (os) da ECA, convidadas (os) e pessoas da Sonora.

 

Trajetória

Teca contou que iniciou os estudos de música pela prática do piano, ainda criança. Cedo ela percebeu que o estudo rígido e tradicional do instrumento não era o que procurava, nem o que considerava importante para o fazer musical.

Sua professora de piano, por outro lado, deu-lhe liberdade para descobrir e experimentar a improvisação por conta própria, entendeu que a menina tinha condições e curiosidade para ir além do estudo técnico do instrumento.

Teca lecionou em diversas escolas antes de ter a sua. De uma delas foi demitida porque a coordenação disse que a escola não tinha seu perfil. E Teca agradece a este fato, pois em outras escolas encontrou ambientes férteis para desenvolver seu trabalho autoral.

 

Koellreutter

Seu relacionamento com o flautista, educador, agitador cultural e músico em geral foi fundamental. Teca estudou e trabalhou com Koellreutter por muitos anos. Chegou a fazer uma viagem com ele e outras (os) pesquisadoras (os)/músicas (os) para a Índia. Teca participou desta imersão com o mestre, assistindo aos indianos improvisar – o que lhes é culturalmente natural.

 

Oficina de Música

Em sua escola, Teca oferece liberdade para as crianças escolherem que instrumentos querem tocar, como e quando. Ela critica o ensino que impede que as crianças se coloquem, exponham suas ideias, componham suas músicas. O mais importante, segundo ela, é escutá-las, acolher suas contribuições e trabalhar com elas a partir disso.

São processos auto-poiéticos, como ela diz.

 

Espaço de criação

Hoje, Teca crê que esteja havendo um retrocesso muito grande na educação musical. Ainda que professores usem materiais novos, técnicas inovadoras, entre outros, raramente há espaço para a criação. Materiais vem com instruções, roteiros e regras. Desta forma, por mais que materiais e técnicas sejam “modernos”, o processo é arcaico. E isso vem aumentando dia a dia, infelizmente.

O sentido de se fazer música

Crianças fazem música com letra, abrem a boca e saem cantando. Quando a música é criada, Teca aponta o que está ali, cria pontes com o pensamento humano de forma, elementos, estrutura. Teca também grava os (as) alunos (as). Isso é importante, porque as crianças esquecem o que criaram e, frequentemente, modificam o que fizeram.

Nos territórios da educação musical, é preciso abrir espaço e dar tempo para que emerjam as ideias das crianças. E não ouvir com espírito e ouvidos já pré-estabelecidos. O que um entende como música não é necessariamente o que entendem os demais.

 

Exemplos

Teca contou histórias e mais histórias de como surgiram os CDs que ela gravou com as crianças. Mostrou vídeos e fez tocar algumas faixas dos discos de sua escola. Os exemplos, assim como a fala completa de Teca foi compartilhada em tempo real e está disponível no canal da Sonora no youtube. O link da transmissão pode ser conferido na aba “Atividades regulares – Visões” do nosso site.