Ata da reunião de 11/06/2018 – Vozes com Paola Picherzky

Paola é argentina, nascida em Mendoza. Mestre em música pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), é Doutoranda no programa de Pós-Graduação da ECA-USP e professora nas Faculdades Santa Marcelina, FMU/FIAM/FAAM e Fundação das artes de São Caetano do Sul.

Sua dissertação de Mestrado intitula-se “Armando Neves: Choro no violão paulista”. O choro é uma marca importante em seu trabalho, Paola participa do grupo Choronas desde 1995.

Paola toca violão desde criança, tinha um violão verde por ser palmeirense. Seu primeiro professor não foi decisivo na escolha da carreira musical, mas ela quis se graduar em violão e se tornou concertista. Fez a Fundação das Artes e a Faculdade Carlos Gomes. Durante a faculdade teve apoio da família, principalmente da mãe, e assim que se formou ingressou como docente na Fundação das Artes.

Sempre se preocupou com a relação professor-aluno e se esforçou muito para ser digna da responsabilidade de lecionar violão. Estudou o método Kodally na Hungria. Sua pesquisa de Doutorado enfoca esta relação, pensando no ensino de violão em grupo.

O grupo de cordas Chorona surgiu por iniciativa de uma amiga, que queria montar um grupo de mulheres no choro. Uma das primeiras apresentações foi no SESC e atraiu um público significativo. Desta apresentação surgiram convites para concertos, que se tornaram frequentes. Começaram a pensar na estrutura do conjunto, roupas que deveriam usar, programa, gestualidade, divulgação. Até 3 anos atrás o grupo se mantinha o mesmo, agora algumas foram substituídas por se interessarem em seguir outros caminhos.

A prática da performance solo seguiu-se paralelamente, assim como a atividade didática. Paola entrou na Faculdade Santa Marcelina para dar aulas de música erudita e popular. A pesquisa acadêmica se deu pela necessidade profissional, mas ela fez questão de investigar peças musicais que pudesse agregar a seu repertório violonístico.

Assim nasceu a dissertação sobre Armando Neves, orientada pelo professor Ikeda. O material desta pesquisa veio do arquivo do músico Colibri, do Clube do Choro. Paola digitalizou toda a obra de Armando Neves, além de gravar um CD com música do compositor. Nos 50 anos da Fundação das Artes ela apresentou obras dele na Sala São Paulo num evento comemorativo da instituição (https://www.youtube.com/watch?v=RkBj5SqJ0kQ&feature=share).

Um dos motivos do grupo Choronas seguir ativo, segundo Paola, foi a preocupação da integrante Roseli Câmara, com seu formato e estrutura. Roseli vinha do Teatro e acabou saindo, mas as Choronas mantiveram a rotina e a disciplina de gravações. O último CD delas é “Choronas em Sampa”, mas tem diversos outros. Para se atualizar nas mídias elas gravaram um clipe em homenagem a São Paulo. A composição do clipe, “Choronas em Sampa”, é da integrante Ana Claudia Cesar (https://www.youtube.com/watch?v=EGgbrX724No).

As Choronas fazem um trabalho pedagógico de formação de plateia. Já o apresentaram em diversos CEUS, assim como em escolas particulares como o Santa Cruz. Participaram de evento criado pela AVON, tocando o Corta-Jaca de Chiquinha Gonzaga com uma orquestra de mulheres (https://youtu.be/2ln0U3G7Zu4).

 

Em relação à política de afirmação das mulheres

Choronas é o 1º grupo de choro formado por mulheres. Apresentando, entre outros, mulheres como Chiquinha Gonzaga, elas enfatizam a importância de romper o círculo machista de certos ambientes como o do choro.

Elas já ouviram comentários do tipo “elas tocam como homens”, mas sentem que tem mesmo que sair da zona de conforto e ocupar espaços. Paola tem várias alunas e se sente bem em ser inspiradora através da pedagogia e de seu exemplo pessoal – mãe, mulher, musicista, pedagoga.

 

Na pedagogia

Paola dá aulas nos cursos de Bacharelado e de Licenciatura. Com estas atividades ela diz que aprendeu muito, até em relação a intérpretes de outros instrumentos que estudam violão.

Ela trabalha também com crianças através de uma ONG israelita. Lá ela desenvolve a musicalidade das crianças, além da relação das mesmas entre si.

Idealizou e implantou o projeto “Ensino coletivo de violão”, culminando na criação da primeira Orquestra de Violões da Fundação das Artes de São Caetano do Sul – da qual é regente e diretora artística. Nesta orquestra insere também a pesquisa sonora que explora novas formas de tocar o instrumento (https://youtu.be/A1vhRXlg72o).

 

Sobre criação

As Choronas têm inserido cada vez mais composições próprias em seus programas. A ideia é aumentar esta prática. Os arranjos são todos delas e estão em constante mudança. Elas nunca escrevem os arranjos, até porque são mutantes. A improvisação tem lugar nestas propostas.

 

Sobre autoras mulheres

Um dos próximos projetos das Choronas é gravar obras de autoras mulheres. Para isso elas estão fazendo pesquisa de repertório. Já gravaram um DVD com uma opereta sobre Chiquinha Gonzaga para o projeto TUCCA – Aprendiz de Maestro, que angaria fundos para tratamento de crianças com câncer. A opereta foi gravada na Sala São Paulo, com regência de João Mauricio Galindo.

 

Sobre organização e divulgação

As Choronas tem uma pessoa responsável, um produtor, para pesquisar e escrever projetos para editais, firmar parcerias, etc. Não foi sempre assim, antes elas mesmas faziam esta parte. O grupo chegou a bancar 2 integrantes para fazerem cursos de produção e confecção de projetos para editais. Todas aprenderam muito com isso.

 

Sobre profissão e maternidade

Como organizar o tempo numa profissão autônoma como a de intérprete? Não ter uma licença maternidade definida atrapalha?

Paola diz que o segredo é ter um bom parceiro, como seu marido Paulo Tiné. E saber delegar funções, aprender a não monopolizar as funções relativas aos filhos. Deixar que as crianças tenham contato com o pai do jeito que ele sabe e quer ficar. Ela pensa que o natural da mulher é querer controlar a situação.

Paola sempre levou os filhos aos locais de gravação, com alguém que pudesse ficar nos horários em que ela estava trabalhando. Seu marido também sempre dividiu os cuidados com os filhos. Ela pensa que as crianças devem entrar na vida dos pais e não estes mudarem sua vida por causa delas. E isso tem dado certo!

Assista à entrevista completa em https://youtu.be/Mr1vTaXinRI  

 

 

 

 

 

 

 

Entrevista para o programa “Música Inclusiva”

O programa “Música Inclusiva”, da Rádio Diversa, foi realizado pelos alunos do curso de Jornalismo da ECA-USP Karina Merli, Pedro Ezequiel, Renan Sousa, Samantha Prado e Tainah Ramos. Tendo como tema a maneira como a mulher é retratada na música, entrevistou Eliana Monteiro da Silva, membra da rede Sonora – músicas e feminismos e Doutora em Música pela ECA.

O programa discute o olhar da sociedade para o papel da mulher no decorrer do século XX e como isso transparece em letras de músicas como “Dá Nela”, de Francisco Alves, entre outras. Graças às lutas empreendidas por mulheres e grupos feministas desde, principalmente, a década de 1960, esta realidade vem mudando e se reflete em músicas como “Laura”, de Marina Melo.

Confira!

Vozes – Paola Picherzky (Divulgação)

 

 

Paola Picherzky é natural de Mendoza, Argentina, é mestre em música pela Universidade Estadual Paulista – UNESP com o trabalho “Armando Neves Choro no violão paulista”. Trabalho este que teve como fruto o resgate da biografia, a catalogação da obra completa do compositor e a gravação de um Cd com 18 choros resultando em seu primeiro Cd solo “18 Choros – Armando Neves” lançado em 2008.
Com o intuito de trazer ao público o material musical recolhido e não utilizado em seu mestrado, em 2015 lança o Cd “Armando Neves, outras composições” apresentando no repertório gêneros distintos ao choro como prelúdios, maxixes, valsas e gavotas, compostos pelo mesmo autor e violonista.
Sempre atuante na área pedagógica, é professora nas Faculdades Santa Marcelina, FMU/FIAM/FAAM e Fundação das artes de São Caetano do Sul.
Idealizou e implantou o projeto “Ensino coletivo de violão” o qual culminou na criação da primeira Orquestra de Violões da Fundação das Artes de São Caetano do Sul da qual é regente e diretora artística.
Entre 2007 e 2010 integrou o quarteto de violões QGQ com o qual gravou o Cd “Jequibau” e como convidada gravou, entre outros, o cd “Não tem choro” – com o flautista Ricardo Kanji.
Apresentou-se ao lado de artistas como Marco Pereira, Paulo Belinatti, Toninho Ferragutti, Roberto Sion,Swami Jr, Izaías e seus Chorões.
Integrante do grupo Choronas desde a sua criação em 1995, apresentou-se com o grupo em concertos na América Latina e Europa, desenvolveu projetos sociais como o show “Musica instrumental nas escolas publicas, uma historia da musica popular brasileira”, gravou quatro cds: Atrente (2000), Choronas ConVida (2004), O Brasil toca choro(2008), J.A Callado (2009) e apresentou-se frente a várias orquestras como a Orquestra Municipal de Santos, Santo André, Orquestra Filarmônica de São Caetano do Sul, Banda Sinfônica Jovem entre outras. Em Janeiro de 2018 o grupo lançou o quinto cd “Choronas Sampa”, uma homenagem a São Paulo e aos compositores paulistas.
É doutoranda no Programa de Pós Graduação em Música da USP.

11/06/2018, segunda-feira às 17h30
Haverá transmissão. Link será postado neste evento no dia.

CMU-ECA-USP – sala 12

Vozes é um espaço que recebe mulheres para apresentarem e falarem sobre seus trabalhos artísticos e criativos. Com uma dinâmica mais informal, é um espaço aberto para a conversa e para o compartilhamento de experiências.

Apoio:
NuSom

Ata da reunião de 07/05/2018 – Operacional

A pauta de hoje foi: RADIO

  • A primeira hora da reunião foi dedicada à instalação e testes dos equipamentos de gravação para iniciar a confecção do programa de radio da Sonora. Foi difícil, a princípio, conseguir abrir canais para as pessoas que estavam fora do espaço físico da reunião, gravando suas participações com boa qualidade. O intuito foi o de poder utilizar estas gravações no programa, futuramente.
  • Alguns informes também foram discutidos, como convites à rede para projetos que envolvem compositoras e pesquisas em mulheres na música.
  • Foi sugerido fazer uma caminhada, com destino programado, falando sobre memórias. Pensamos então em fazer o percurso passando pelo painel Sonora que foi feito na fachada da parede do CMU na semana da calourada.
  • 3 pessoas foram caminhar, sendo que uma delas não havia participado da intervenção do painel. As 2 outras vão contar para ela como foi o processo.
  • 3 pessoas ficaram na sala para conversar sobre o painel, além da que estava participando por hangout. Foi marcado o tempo de 20 minutos para o processo.

 

Momento 2 – relato de quem saiu do estúdio

  • As meninas que saíram da sala contaram o que ocorreu no percurso. Elas encontraram alunas, alunos e professores. A conversa fluiu livremente, comentando a ausência de peças de mulheres no repertório estudado nos cursos de música da universidade.
  • As pessoas que passearam fotografaram o painel à noite, iluminado pela luz interna do prédio, e mandaram para quem ficou na sala. Perceberam também que muitos papéis haviam desbotado.
  • Foi observado quantos papéis haviam caído (ou sido retirados), e divagaram sobre estes vazios.
  • Tentaram entrevistar o segurança do prédio, perguntando o que ele pensava a respeito do painel. Ele não emitiu qualquer opinião.
  • Com as (os) professoras (es) foi comentado sobre os nomes de compositoras que estudaram no CMU.

– relato de quem ficou na sala

  • Xs 4 integrantes que ficaram contaram que foi recriado o percurso do painel, desde o primeiro encontro com a temática “onde não estão as mulheres da música”.
  • Pensamos também na história de cada um daqueles nomes que estão no painel, além de comentar as reações suscitadas pelas e pelos transeuntes.
  • Foi notada a falta de um espaço de convivência no CMU. A entrada do prédio, por exemplo, funciona um pouco como este espaço.
  • O relato terminou pensando foi como será a retirada destes papéis.

Ata da reunião de 16/04/2018 – Operacional

A pauta de hoje envolveu os assuntos:

Informes

  • Eliana contou sobre a entrevista que deu para Karina Merli, do jornalismo da ECA, sexta-feira passada. A entrevista foi sobre a representação da mulher na música popular, mas abrangeu também a representação na música erudita. Foi sugerido que a Karina envie a parte da entrevista no programa finalizado para ser postada no site da rede.
  • Marina confirmou Vozes com Tide Borges dia 25/6.
  • Fabiana contou sobre o estágio sanduíche que realizou em Belfast, tanto em criação de instrumentos como em antropologia, entre outros. Ela pesquisa a etnografia da música experimental em SP para o Doutorado. Está desde 2016 acompanhando atividades relativas à sua tese. Foi sugerido que ela realize uma palestra na Sonora sobre sua pesquisa e esta experiência no exterior.

Painel Sonora

  • Foi colocado o vazio gerado pelo posicionamento da direção (de recriminação) em relação ao painel. Como soluções, foram apresentadas desde ideias ligadas à retirada dos papeis como à realização de outras ações de posicionamento. Ficou decidido que retiraremos os papeis num evento ligado ao programa de radio que estamos confeccionando.

Calendário

  • 11/6 – Vozes com Paola (das Choronas)
  • 25/6 – Vozes com Tide Borges

Radio

  • Amanda, aluna de bacharelado em instrumento na ECA, contou de sua atuação como estagiária na radio USP. Ela disse que a radio tinha uma programação muito “morna”, com músicas populares brasileiras, com pouca variação. Ela foi chamada para dar um tom diferente à programação, com programas especiais. O 1º foi dedicado a Jacob do Bandolim, com biografia, exemplos musicais, entrevistas e tal. Houve um outro dedicado ao Ernesto Nazareth, em que ela colocava também falas de Mario de Andrade, entre outros. Isto fez bastante sucesso.
  • Uma dificuldade apontada por ela é a parte técnica, o suporte que existe para realizar os programas. Ela monta e conta com um técnico que coloca no formato.
  • O ambiente da radio é bastante conservador. Existem algumas ideias preconceituosas acerca de alguns gêneros musicais, conceitos pré-concebidos sobre o que é bom ou ruim em música. Por esta razão ela pensou na Sonora, para unir forças no sentido de ampliar o leque musical da programação da radio.
  • Sobre a categorização das músicas, Amanda disse que tem “Manhã na USP”, para repertório de artistas menos conhecidas (os), e “Som da USP”, para apresentar autoras (es) mais consagradas (os).
  • O jornal da USP, por exemplo, ocupa entre 2 e 3 horas do período da manha da radio. A parte musical usa CDs do arquivo, com música popular brasileira.
  • Informações práticas:

– Programa tem 1 h. Precisa deixar uns 3 minutos para vinhetas. Tem um            intervalo no meio, sem comercial, com tempo flexível.

– Pode enviar programa por pendrive ou outra mídia. Não dá para gravar na       própria radio.

– Depois que veicular na radio a Sonora pode postar o programa no site.

– Existe uma vinheta para todos os programas da edição “USP Especiais”.

– Em relação aos direitos autorais, a radio paga o ECAD. Foi combinado que a      rede fará um documento padrão para registrar assinaturas de entrevistadas (os), compositoras (es) e/ou intérpretes, para o caso de precisar apresentar à entidade.

  • Foram ouvidos áudios de programas de radio trazidos para ilustrar práticas e servir de modelo e inspiração para a rede. Entre outros, foram ouvidos o IFAR musique concrète 4’33’’ compilation (https://ifarmusiqueconcretecompilation.bandcamp.com/…/ifar-mu…). Outros foram o “Meet the composer” com Meredith Monk (https://nadiasirota.com/meet-the-composer/), o “Máquina de inscrever 3” (https://soundcloud.com/maquina-inscrever/maquina-de-inscrever-3-programa-da-serie) e Supertônica com Nicole Puzzi e Rafael Spaca: Memórias da Boca (https://soundcloud.com/maquina-inscrever/maquina-de-inscrever-3-programa-da-serie).
  • Valeria compartilhou que o Instituto Moreira Salles tem uma plataforma de radio com vários formatos. O padrão é mais tradicional, mas tem vários formatos interessantes. Há uma espécie de repositório de músicas com release, com uma imagem na qual se pode clicar e ouvir a gravação.
  • Foi sugerido que as próximas edições de Vozes sejam gravadas já direcionadas para programas de radio. Também surgiu a ideia de fazermos oficinas de edição para possibilitar membras (os) da rede editar tais programas. A ideia é também criar a partir do material coletado, para fazer radio arte.
  • Foi observado que seria interessante ter um formato para, a partir daí, poder variar. Falou-se em criar quadros.

Muitos exemplos foram resgatados de memória e somados aos exemplos apresentados. Todo este material será assimilado durante esta semana para discussão no próximo encontro da rede.

 

Próxima reunião – 23/4: Discussão sobre divisão de tarefas e organização da rede.

Ata da reunião de 09/04/2018 – Operacional

A reunião de hoje teve como pauta:

  • Painel Sonora – discutir. A rede soube que o painel Sonora tem sido depredado pela retirada subjetiva de papeis com nomes de mulheres atuantes na música. Houve uma discussão sobre este processo, sobre a repercussão da intervenção em outros departamentos da ECA e sobre qual o futuro desta ação. O assunto não foi esgotado e deve ser retomado em reuniões futuras. Uma ideia é expandir o painel em conjunto com outros coletivos, como o Coletivo Feminista, que já demonstrou interesse.
  • Projeto Radio – Foi selecionado o mês de maio para montar o projeto. As reuniões de 7, 14, 21 e 28/5 serão dedicadas a uma imersão no assunto e na prática. Antes disso, usaremos a reunião do dia 16/4 para falar com a Amanda, da Radio USP. Para este encontro a tarefa será pesquisar modelos de programas que já existem.
  • Propostas de Vozes – o próximo evento da série seria mais uma parceria com o NuSom, dia 23/4, no horário das 14:00 h, com a Paula Garcia. Por vários motivos foi decidido que a Sonora divulgará e apoiará o evento sem ser exatamente parceira e sem intitular o evento Vozes. Até porque o enfoque do encontro não envolve questões de gênero.
  • Outras possibilidades são Vozes com Paola da Choronas, a principio dia 11/6, e com Tidi Borges, a princípio dia 25/6.
  • Conversa sobre atividade da Kelly – foi colocado que a oficina realizada com ela ficou concentrada na confecção do drumsynth, não sobrando tempo para conhecer melhor sua trajetória artística, suas atividades e seu posicionamento relacionado a questões de gênero, em que milita.
  • Nomeação de membras (os) para uma equipe organizadora dos eventos da rede – foi colocado que a Sonora completa 3 anos em abril e que, frente a isso, suas membras e membros gostariam de computar as muitas atividades e trabalho realizado semanalmente em alguma plataforma que possa ser usada profissional e academicamente. Esta discussão já foi pautada e abandonada algumas vezes. Foi sugerido retomar a conversa em reunião futura, num email convidando membras e membros da rede para tal. Este email será elaborado na reunião do dia 23/4.
  • Organização dos materiais / site / tarefas – após a reunião para nomeação de membras (os) da equipe organizadora dos eventos da rede, deve ser pensada uma divisão de tarefas para a realização destas atividades.

Próxima reunião:

16/4 – Amanda e proposta de rádio. Tarefa: trazer modelos de programas para discussão.

Ata da “Conversa com Marilia Velardi” – evento Sonora/NuSom 09/04/2018

Marília Velardi, professora no curso de graduação em Educação Física e Saúde, atuando na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP), iniciou este evento explicando sua linha de pesquisa: a investigação qualitativa. É uma linha de pesquisa que parte de um referencial epistemológico clássico e do conhecimento em métodos indutivos para atingir uma investigação autoral, rompendo com estruturas pré-estabelecidas para questionar as lógicas geralmente aceitas e romper com estruturas rígidas.

Marilia entende que muitas teorias têm a capacidade de ser aplicadas em contextos e tempos variados, mas, ainda assim, elas funcionarão melhor se associadas a conhecimentos específicos, principalmente em se tratando da pesquisa sobre assuntos não europeus ou do Hemisfério Norte. A bibliografia usada, por exemplo, na América Latina, é fundamentalmente europeia e, por esta razão, precisa ser associada a estudos realizados localmente para que a pesquisa seja mais legítima. Não se trata de negar a importância das pesquisas e teorias tradicionais, mas sim de amplia-las.

Como referências tradicionais ela aponta:

  • Escola de Chicago
  • Movimentos
  • 4ª geração

 

Em relação à Escola de Chicago, a pesquisadora diz que é quando surgem narrativas acadêmicas que se iniciam com a biografia do investigador, desde que esta tenha relação com o objeto pesquisado. O pesquisador (a) se relaciona diretamente com aquilo que esta pessoa procurará, dando uma força e uma credibilidade maior à sua pesquisa. Este conceito dá origem, em certa medida, ao chamado “lugar de fala”. A pessoa não precisa, obrigatoriamente, ser originária do campo pesquisado, mas deve no mínimo ser capaz de fazer a ponte entre a academia e o objeto investigado.

 

Validação e avaliação

Foi levantada a questão da validação e avaliação da pesquisa qualitativa. Marilia disse que este tipo de investigação requer a criação de grupos que fortaleçam este tipo de critério. As pessoas envolvidas precisam se apoiar umas às outras, criar espaços de discussão, encontros, bancas investigativas. Porque os parâmetros são mutáveis, embora isso não seja fácil. É preciso publicar, mas para isso pode ser preciso criar periódicos que aceitem este tipo de pesquisa. Ainda que estes sejam pior avaliados no início.

A pesquisa qualitativa se insere positivamente no campo interdisciplinar, o que favorece seu fortalecimento. Marilia cita as comunidades interpretativas. É como se a investigação fosse mais sobre o método do que sobre o assunto. Mas é preciso ser claro e explícito acerca do método escolhido, dizer porque se opta por métodos qualitativos.             Um texto que se baseia em métodos como materialismo histórico ou fenomenologia, mais cristalizados no âmbito da universidade, não precisa ser precedido de explicação. Entretanto, a escolha da pesquisa qualitativa necessita ser elucidada, defendida, legitimada, para que este caminho seja sedimentado e se torne tão natural quanto os demais. Marilia lembra um professor que dizia para a classe: “Inventem metodologias!”, “Criem epistemologias!”. Já há algum tempo é ela quem assume esta postura provocadora.

 

Singularidade e particularidade

O raciocínio binário nos toma de assalto, diz Marilia. É preciso pensar em outros glossários, não nomear com presteza, nem por oposição.

 

Auto etnografia

Quando se pesquisa a própria experiência encontra-se muita coisa interessante. Produzir material a partir da própria experiência. Isto está localizado nas propostas mais radicais da pesquisa qualitativa.

 

ECOAR – estudos em corpo e arte

O grupo ECOAR, de que Marilia faz parte, discute as possibilidades de diálogo entre o corpo e as artes, entre os movimentos sociais feministas, das artes junto aos movimentos sociais de periferias, entre outros. A pesquisa qualitativa se insere neste contexto perguntando o porquê de determinadas escolhas metodológicas em detrimento de outras.

 

Conversa com Marilia Velardi – Pensando qualitativamente

 

O próximo evento da rede Sonora será em parceria com o NuSom, dia 9/4, as 14:00 h, na sala 12 do Depto de Música da ECA USP. A conversa com a professora e pesquisadora Marilia Velardi tratará da sua investigação sobre a relação entre métodos formulados por agentes alheios ao campo artístico e a possível interferência na forma de pensar e conduzir pesquisas em artes, procedimento que ela denomina “camisas de força epistemológicas”.

“Com esse encontro a minha ideia é propor um diálogo sobre o que significa ‘pensar qualitativamente’ no campo das pesquisas acadêmicas, partindo da premissa de que o método – concebido como forma de pensamento e ação – determina a nossa relação com os objetos, os campos, as experiências, os experimentos ou as coisas que investigamos. No campo das Artes, algumas vezes, o método subordina o pensamento e a ação das pessoas artistas à normas procedimentais alheias ao campo e ao modo original de pensar e conceber a investigação”.

Marilia é professora nos curso de graduação em Educação Física e Saúde, atuando na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP). É também docente e orientadora no Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política no Ciclo Básico, além de atuar como docente no curso de Bacharelado em Música e no programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da ECA/USP.

No campo da saúde, sua pesquisa enfoca os programas e intervenção no serviço público de Saúde, na perspectiva do ideário da Promoção em Saúde e na Educação para a autonomia. No campo das Artes, propõe intervenções, performances, encenação e projetos de pesquisa e investigação na área artística junto a cantores líricos e instrumentistas, desenvolvendo práticas e estudos sobre preparação corporal para a encenação e criação em ópera. O lócus dessas investigações tem sido o NUO-Ópera Laboratório.

Realiza pesquisas colaborativas com grupos do campo da Saúde, da Educação, das Artes da Cena, da Musicologia e dos Estudos Sociais. Coordena o Grupo de Estudo e Pesquisa ECOAR – Estudos em Corpo e Arte, que atualmente tem como focos: (a) a construção de conhecimento com artistas sobre a Arte; (b) a busca por epistemologias artísticas como suporte para as investigações qualitativas e (c) a criação de estruturas de performances dos dados ou dos conhecimentos produzidos nas investigações. (Texto publicado pelo grupo NuSom, disponível em: http://www2.eca.usp.br/nusom/evento_mvelardi.

Ata da reunião de 02/04/2018 – Vozes com Laura Mello

Laura Mello é compositora, artista sonora e performer. Morando entre Berlim e Viena, ela passou por São Paulo e concedeu uma palestra/entrevista para a rede Sonora.

Ela contou sua trajetória, uma parte da qual se passou na Alemanha, estudando, e apresentou obras eletroacústicas e multimídia de sua autoria. Em seu currículo constam experiências com dança, teatro, edição de vídeo e outras vertentes artísticas. Esta atuação colaborativa abriu-lhe os sentidos para varias possibilidades.

A mudança para Berlim para fazer Doutorado se deu em 2006. O programa de Doutorado permitiu-lhe ter acesso a todas as universidades da Alemanha. Se aprofundou na composição com palavras, sons, ruídos, imagens, silêncio. Suas produções costumam fazer questionamentos, por exemplo, em relação à diversidade cultural, à falta de profundidade de algumas propostas, a ideias que vão surgindo. Muitas vezes utiliza o humor para levantar tais questões.

Em 2009 realizou “Josephine Joseph”, produção que envolvia a ilusão cinematográfica de que duas pessoas se tornavam uma única. Havia a questão espacial também, com espelhos, pessoas do público que ficavam fora do ambiente em que os atores faziam movimentos sutis e pessoas que entravam neste recinto.

Ultimamente Laura tem trabalhado com um projeto autoral chamado “many media including me”. Gosta de mexer com as temporalidades, do filme, da música, de si mesma, etc. Foi mostrado um filme deste projeto, em que, como o nome diz, ela também atua.

Certa vez trabalhou com o Alexandre Fenerich sobre o “Bonde do Tigrão”, mixando gravações com vídeos feitos por eles, juntamente com a imitação de áudios que Laura experimentou trabalhando numa espécie de central telefônica de venda de ingressos em Berlim. Ela gosta muito de gravar em transportes públicos e usar estes materiais em outras ocasiões.

“São muitas coisas diferentes” – diz Laura. “Esta heterogeneidade é isso mesmo, eu trabalho desta forma”. Ela junta gravações, filmagens e tomadas ao vivo para obter determinados resultados sonoros, visuais e assim por diante. Um de seus trabalhos com rádio é “Living Radio”, e já envolveu varias pessoas.

No início de seus trabalhos com radio não havia streaming, era complicado captar varias pessoas em lugares e situações diferentes. Agora os recursos são bem mais sofisticados. Na serie Living Radio, a autora constrói programas a serem seguidos pelos atores/cantores/etc. Laura mostrou a partitura de uma peça, que conta com símbolos e indicações do que as/os performers devem fazer, sentir, entoar. Esta peça vai ser apresentada novamente em Berlim no festival Distopias.

Laura tem desenvolvido uma escrita que fica entre a linguagem musical e a literatura. Gosta de formar paralelos entre língua falada e música. Um de seus mais recentes trabalhos foi interativo e contou com a participação da Mariana Carvalho, Camila Zerbinatti e Renata Roman, entre outrxs. Cada participante devia fotografar a paisagem de sua janela e falar sobre o que estava vendo, sem usar termos subjetivos. Descrever o som como estivesse ouvindo, sentindo, vivenciando. Depois Laura uniu todos os depoimentos. No encontro de hoje ela mostrou alguns destes depoimentos.

Laura fala sobre explicitar o que não é declarado através dos sons e das atmosferas. A transmissão completa deste encontro pode ser acessada em http://youtu.be/BGGJdKL6jsw

 

Vozes – Laura Mello (Divulgação)

 

Laura Mello é compositora, artista do som e performer (piano, voz, movimento). Trabalha entre Berlim e Viena, em formações solo e em colaborações com outros artistas das áreas de Música Experimental, Arte Sonora e Performance. Formou-se em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda) na UFPR, em Composição e Regência na EMBAP, com especialização em Estética da Música do Século XX na EMBAP e Composição Eletroacústica na Universidade de Música e Artes Dramáticas em Viena. Como doutoranda da Universidade Técnica (TU) de Berlim, frequentou cursos em áreas que vão da produção para rádio à teoria do Happening, passando por aulas de dança Contemporânea e participando dos concertos da classe de Composição Intermídia da Universidade das Artes (UdK). Sua obra engloba peças instrumentais, teatro musical, música eletroacústica, instalações sonoras e performances. Em sua atividade artística desafia as fronteiras convencionais entre formatos, mídias e linguagens. Desenvolveu ferramentas para auxiliar na composição de música experimental para meios visuais, em projetos didáticos abertos a alunos sem experiência musical. Há alguns anos vem se aprofundando na relação entre a música e a língua falada, explorando representações e possibilidades de releitura entre estas linguagens. Elabora desde 2008 um trabalho de Performance solo chamado “Composing for many media including me”.

 

Vozes é um espaço que recebe artistas mulheres para apresentarem e falarem sobre seus trabalhos. Com uma dinâmica mais informal, é um espaço aberto para a conversa e para o compartilhamento de experiências.

Haverá transmissão ao vivo através do nosso canal do Youtube. O link para a transmissão será postado em nossa página do FB alguns minutos antes do evento.