16/10/2017 – GE sobre texto “O Público e o Privado” de Flavia Biroli

O encontro de hoje foi dedicado ao Grupo de Estudos sobre o texto “O Público e o Privado” de Flavia Biroli. Vários pontos do texto foram levantados e geraram discussão sobre temas mais amplos, mostrando a complexidade do tema.

 

Em relação à dualidade esfera pública e privada:

  • Flavia aponta a necessidade de expor a história não contada da CONSTRUÇÃO DA ESFERA PÚBLICA a partir da POSIÇÃO DAS MULHERES. Segundo a autora, a política das relações de poder começa na VIDA COTIDIANA.
  • De acordo com o conceito de que esfera pública baseia-se na RAZÃO e na IMPESSOALIDADE e esfera privada corresponde às relações de caráter PESSOAL e ÍNTIMO, a domesticidade feminina foi cultivada culturalmente para manter esta dualidade. Tal domesticidade foi cunhada de modo a parecer um TRAÇO NATURAL E FISIOLÓGICO das mulheres, frente ao qual qualquer outra característica era considerada DESVIO DE COMPORTAMENTO.
  • A esfera privada foi “protegida” da intervenção do Estado, preservando relações autoritárias que limitaram a autonomia das mulheres. A garantia de privacidade para o domínio familiar e doméstico garantiu a dominação masculina e bloqueou a proteção a indivíduos mais vulneráveis nas relações de poder correntes – como mulheres e crianças. A esfera privada é vista como lugar onde a justiça comum não se aplica porque envolve RELAÇÕES DE AFETO.
  • Mas é a dominação da mulher na esfera privada que garante o sucesso do homem na esfera pública. Sem falar na AUSÊNCIA DE CIDADANIA E DE DIREITO À INTEGRIDADE FÍSICA que sofrem mulheres expostas a abusos e estupros no casamento. Seus corpos não lhes pertencem: são passados da dominação paterna à do marido na cerimônia do matrimônio.

 

Em relação aos horizontes limitados:

  • “Relações mais justas na vida doméstica permitiriam ampliar o horizonte de possibilidades das mulheres, com impacto em suas trajetórias pessoais e formas de participação na sociedade”. Nas relações familiares há diferença na divisão das responsabilidades sobre a vida doméstica (pesando mais sobre as meninas) e dos estímulos que favorecem maior exercício da autonomia (mais dirigidos aos meninos).
  • A falta de mulheres na vida pública reduz a possibilidade de que se discutam e avancem em questões como CUIDADO COM AS CRIANÇAS, CUIDADO COM IDOSOS, VIOLÊNCIA E DOMINAÇÃO DE GÊNERO.
  • As barreiras para que mulheres exerçam trabalho remunerado fora de casa são associadas ao TEMPO QUE AS MESMAS GASTAM NA ESFERA DOMÉSTICA (Didier Marc Garin contou, quando esteve no Brasil, que na França as mulheres recebem 25% menos que homens na mesma função por sua “suposta” menor dedicação à empresa devido aos afazeres doméstico e familiares. Ainda que isso não se comprove na prática).
  • A mesma justificativa permite aos homens ter mais acesso a trabalhos de grande dedicação e responsabilidade na empresa, pois SUPÕE-SE QUE SEJAM LIVRES PARA ATENDER A EXIGÊNCIAS PROFISSIONAIS.
  • As expectativas sociais conduzem a desenvolvimentos de habilidades diferenciadas para homens e mulheres. Mulheres são orientadas para a CONQUISTA DO CASAMENTO (e há todo um mercado de consumo para que disputem o parceiro que lhes garantirá suporte econômico).

 

Em relação ao mundo corporativo:

  • “O mundo do trabalho se estruturou com o pressuposto de que os ‘trabalhadores’ têm esposas em casa”. O controle dos recursos ficou a cargo dos homens, ainda que o resultado de seu trabalho conte com a dedicação das mulheres.
  • Por outro lado, a atuação das mulheres na prática do cuidado é vista como formadora de uma ÉTICA DISTINTA (isso pode ser visto nas urnas, quando vota-se em mulher POR SEU CARÁTER e não por sua CAPACIDADE DE GESTÃO).
  • Algumas feministas apontam também a desvalorização do trabalho doméstico frente ao assalariado, o que nem sempre é real. Muitas mulheres da classe trabalhadora são exploradas, recebem menos que o salário mínimo e poucos benefícios. NEM SEMPRE TRABALHAR FORA DE CASA É SINÔNIMO DE PROJEÇÃO E INDEPENDÊNCIA. “A FAMÍLIA PODE SER UM REFÚGIO PARA INDIVÍDUOS QUE SOFREM DISCRIMINAÇÃO NA SOCIEDADE MAIS AMPLA”.

 

Em relação às privacidades seletivas:

  • Privacidades tem sentidos diferentes conforme a posição do indivíduo nas relações de poder:

HOMENS BRANCOS têm privacidade no espaço público (escritórios com portas fechadas e controle sobre quem tem acesso)

MULHERES BRANCAS DE CLASSE MÉDIA podem usar tempo livre – já que outras mulheres (pobres) fazem o serviço doméstico para elas – para atuar na esfera pública. Os eletrodomésticos e maquinário também ajudam as mulheres de classe média

  • Na esfera pública, privacidade pode depender de um menor grau de privatização, ou, da SOCIALIZAÇÃO DAS TAREFAS DOMÉSTICAS (como pensado por Lênin na Revolução).
  • Há um risco na possibilidade de intervenção estatal na esfera privada: o da intervenção em outras formas de relacionamento familiar – LGBT, por exemplo.
  • Mesmo o direito ao aborto é visto por algumas feministas como maléfico por permitir aos homens se livrar das consequências reprodutivas da relação sexual.

 

ALGUMAS CONCLUSÕES:

“A pluralidade democrática depende da garantia do espaço para o florescimento de identidades baseadas em crenças e práticas distintas”

“A garantia da privacidade depende da crítica à dualidade convencional entre o público e o privado” e da crítica “às desigualdades de gênero a que esta realidade tem correspondido”.

Sugestão de autoras para leitura:

  • Valerie Solanas (Scum manifesto)
  • Julie Falket
  • Monique Wittig (Amazonas)
  • Helleieth Saffioti (livro “Gênero, Patriarcado, Violência”)

 

 

 

 

Tutorial para transmissão via Hangout e Youtube

Instruções para transmissão via Google hangout/youtube

(tutorial para a sala do NuSom)

0. Para uso da câmera logitech ser 910 pode ser necessário utilizar o browser Firefox. O Chrome tem funcionado perfeitamente.

1. Fazer log on na conta gmail da Sonora.

2. Clicar em Hangouts ou Youtube (nos apps no canto superior direito)

 

PARA LIVE-STREAMING (Youtube)

1. No youtube, ir para o “Creator Studio”(clicando no ícone da Sonora, canto superior direito)

2. Na barra lateral (esquerda), selecionar “Live streaming – Events”

3. Selecionar “Novo evento ao vivo”

4. Preencher especificações como nome do arquivo ou da transmissão e o horário de início de término se necessário

5. Clicar em “Ao vivo agora”

6. Aparecerá uma janela de transmissão.

 

CABOS

1. Conectar câmera logitech no computador por entrada USB

2. Microfone no canal 1 da mesa

3. Ligar phantom power na mesa

4. Cabo P2-2P10 fazendo a saída do mic pela mesa (ALT OUTPUT L3 e R4) para entrada de microfone do pc (atrás)

5. Apertar o Mute do canal 1 (para o som do mic sair somente no computador e não nas caixas)

6. Testar mic pelo mostrador do Hangouts (ver se não está estourando e se necessário regular o volume do canal 1 pela mesa)

7. Cabo P2-P10 da saída de som do pc (frente) entrando no TAPE IN

8. Apertar TAPE do “Control room source” e Assign to main mix”(para sair nas caixas)

9. Cabos P10 da caixa de som para a saída MAIN OUT

10. Ligar caixa de som

 

NA TRANSMISSÃO

1. Nas configuracoes (ícone da engrenagem), configurar entradas e saídas no Hangouts, conforme:

– Logitech Camera

– Built-in Line Input (pra sala do NuSom)

– Built-in Output

2. Testar mandando o link para alguém

3. Clicar em “Start to broadcast” (youtube) ou “Start new conversation”

4. Copiar o link (no ícone “Invite people”) do hangouts.

5. Mandar por email.

6. No caso de youtube, copiar também o link do youtube.

Visões “Música e Mulher na América Latina: Relatos sobre o III Colóquio Ibermúsicas Chile” por Eliana Monteiro da Silva

Visões “Música e Mulher na América Latina: Relatos sobre o III Colóquio Ibermúsicas Chile” por Eliana Monteiro da Silva

No dia 02/10/2017, tive a alegria de participar da série Visões para contar minha experiência como convidada e representante do Brasil no III Coloquio Ibermúsicas Chile, em Santiago. Comemorando o centenário da cantautora chilena Violeta Parra, o colóquio abordou a temática “Música y mujer em Iberoamérica – haciendo música desde la condición de género”.

Entre as questões colocadas, discutiu-se “as dificuldades e os estereótipos que a mulher tem enfrentado ao querer se profissionalizar no campo da música; de que maneira o entorno social, cultural e político tem atuado para criar ou resolver tais dificuldades; como a mulher tem se situado no cânone masculinizante da composição, da música erudita ao rock”; entre outros. Participaram do debate representantes dos 11 países que compõem o Ibermúsicas, entre intérpretes, compositoras, musicólogas, antropólogas e sociólogas – além do organizador e musicólogo Juan Pablo González e do diretor do Ibermúsicas José Julio Díaz Infante. Somente o Chile contava com mais de uma representante.

Para contar sobre esta experiência, dividi meu relato em duas partes, que são:

  • Parte 1 – Da minha participação no III Colóquio Ibermúsicas Chile
  • Parte 2 – Das demais participantes latino-americanas

Na parte 1, contei que minha conferência se intitulou “Compositoras brasileiras no contexto da música erudita: uma história de luta contra a invisibilidade”. O objetivo foi mostrar a atuação das compositoras brasileiras na música erudita e sua luta por reconhecimento e visibilidade.

Comecei apontando que, do meu lugar de fala como intérprete, em algum momento constatei a negação da produção destas compositoras pelos estabelecimentos de ensino de música e pelo mercado de concertos e gravações, uma vez que há muito tempo estudava e divulgava obras variadas sem jamais ter tocado uma só composição feita por mulher. Isto me alertou para a naturalização das questões de gênero no ensino do instrumento, assim como na teoria musical, análise, etc.

Conforme me inseri no ramo da pesquisa acadêmica fui descobrindo compositoras incríveis, que passei a divulgar em recitais do meu duo dedicado a este fim com a cantora Clarissa Cabral, o Duo Ouvir Estrelas, em artigos, capítulos de livros e no livro “Clara Schumann: compositora x mulher de compositor”. Fruto desta investigação são as 20 compositoras brasileiras que mostrei no colóquio, nascidas entre 1847 e 1987.

Estas guerreiras, apesar do ambiente adverso, participaram da construção de uma música com características próprias do Brasil e, consequentemente, da América Latina. São elas: Chiquinha Gonzaga, Branca Bilhar, Dinorá de Carvalho, Helza Cameu, Cacilda Borges Barbosa, Eunice Katunda, Lina Pires de Campos, Esther Scliar, Kilza Setti, Maria Helena Rosas Fernandes, Jocy de Oliveira, Marisa Rezende, Vania Dantas Leite, Nilceia Baroncelli, Ilza Nogueira, Denise Garcia, Silvia Berg, Silvia de Lucca, Valéria Bonafé e Patricia de Carli. Poderia mostrar muitas mais, não fosse o tempo restrito. O recorte que escolhi abarcou a maior quantidade possível de estilos, técnicas, locais de nascimento e instrumentos utilizados.

A última parte da minha fala no colóquio foi dedicada a ações afirmativas empenhadas em mudar o cenário conservador e machista da música erudita no Brasil, entre as quais destaquei as atividades realizadas pela nossa rede “Sonora – músicas e feminismos”.

A participação do violonista Cauã Canilha tocando “Ponteio e Tocattina” de Lina Pires de Campos deu um charme especial a esta edição do Visões!

Sobre as demais participantes da América Latina, que relatei na Parte 2, colocarei aqui um breve resumo de suas conferências:

Romina Dezillio (Argentina)“Las primeras compositoras profesionales de música académica en argentina: logros, conquistas y desafíos de una profesión masculina”

Em seu trabalho, Romina apresentou algumas das primeiras compositoras eruditas que se profissionalizaram na Argentina, nascidas entre o fim do século XIX e início do XX, e que atingiram certa visibilidade na década de 1930. A autora discutiu a recepção de suas obras pela imprensa, que lhes atribuiu como qualidade a “sinceridade” e conferiu a condição de “adorno” às suas práticas musicais.

Yael Bitrán Goren (México)“De la invisibilización al canon: mujeresen la academia, el rock y la sala de concierto en méxico en la segunda mitad del siglo XX”

Yael enfocou a presença sólida de mulheres na música de concerto e no rock mexicano da segunda metade do século XX, apesar do caráter machista inerente a estes ambientes artísticos.  Por meio de entrevistas, buscou responder às perguntas: em que medida foram superadas as dificuldades das mulheres em profissões eminentemente masculinas como a composição destas vertentes musicais? Como são vistas estas compositoras frente ao cânone masculino? “

Soledad Castro Lazaro (Uruguai) “Murgas de mujeres (estilo uruguayo) en América Latina”

A autora falou sobre a murga uruguaia, manifestação musical e carnavalesca na qual, em mais de cem anos de historia, somente quatro grupos de mulheres participaram do carnaval oficial. Por meio de um breve recorrido histórico da murga uruguaia com una perspectiva de gênero, Soledad questionou as razoes da invisibilização e exclusão da mulher durante todo o século XX.

Ana María Arango Melo (Colômbia) “Entre arrullos, chumbes y sanpachitos. Cuidados de la primera infancia y estéticas sonoras en los afrochocoanos de Colombia”

A conferencia de Ana Maria pretendeu visibilizar uma serie de praticas e rituais das mães e avós do Pacifico Colombiano em torno das crianças em sua primeira infância. Ela mostrou que a forma como estas concebem os corpos, os sons e o movimento denota uma enorme relação destas praticas e estéticas com a vida musical desta população, além de apontar sua visão de mundo.

Susan Campos Fonseca (Costa Rica)“Artistas electrónicas en Costa Rica: un estudio de filosofía tecnológica feminista”

Susan analisou os estudos dedicados às compositoras, artistas sonoras e cantautoras na Costa Rica, procurando evidenciar como a historia da música ocidental, a historia da música do século XX e a historia da música latino-americana constroem narrativas que se introduzem na historiografia costarricense. Ela apontou que tais narrativas se refletem na formação em composição musical e na educação básica em geral, perpetuando métodos herdados da filosofia e da historia eurocêntrica, com suas ideias de civilização, cultura, obra, autor/a e cânone. Segundo a pesquisadora, é preciso descolonizar a pesquisa e repensar as propostas metodológicas e teóricas, sob risco de mantermos os mesmos paradigmas que indicam o que merece ser estudado e o que não.

Lorena Valdebenito (Chile) “Creación musical femenina en Chile: canon, estereotipos y autorias”

Lorena se propôs a rever a maneira como a academia tem abordado a criação musical feminina no Chile, enfocando, principalmente, o surgimento da cantautora como figura chave na formação de cânones na cena musical popular que se inicia no final dos anos ‘90 e inicio de 2000.

Karla Lamboglia (Panamá) – “La mujer en la música panameña: un retrato contemporâneo”

A autora refletiu sobre a situação atual da mulher no ambiente musical panamenho, segundo diferentes estilos e manifestações. Ela apontou a condição particular do Panamá, pela convivência de seus habitantes nativos com imigrantes norte-americanos do sexo masculino que vão trabalhar na zona do canal. Em vista deste cenário, evidenciou as dificuldades de fazer música sendo mulher, mas, também, buscou apontar soluções possíveis e sustentáveis para tornar o panorama musical mais balanceado e equitativo.

Romy Martínez (Paraguai) – “La mujer paraguaya: roles y desafíos como profesional de la música”

Romy buscou ilustrar alguns dos papéis desempenhados por artistas paraguaias como profissionais da música na atualidade, por meio de biografias e relatos de mulheres nascidas entre as décadas de 60 e 80 que atuam dentro ou fora de seu país como instrumentistas, cantoras, compositoras e/ou docentes. A própria autora, que é cantora e pesquisadora, participa dos relatos.

Sarah D. Yrivarren (Peru) – “Construcción y representación de discursos de femineidad en la escena “metalera” de Lima”

Sarah pesquisa os conflitos que afrontam mulheres em comunidades eminentemente masculinas como a metaleira, corroborados pelo formato conservador da sociedade peruana. Sua investigação agrega observação em bares “metal”, concertos, shows e feiras de discos, traçando um perfil das formas de organização e comunicação destes grupos.

Ailer Pérez Gómez (Cuba) – “Mujer y música en Cuba: caminos profesionales”

De acordo com Ailer, o enfoque de gênero não é ainda uma perspectiva sistemática na pesquisa sobre música em Cuba, embora tenha crescido nos últimos quinze anos com a crescente inserção de mulheres em trabalhos associados à música. Esta prática vem sendo mediada pelas particularidades do sistema político-social vigente no país, que tem fomentado um espaço de formação profissional em música de alto nível, e, em essência, inclusivo, tanto no âmbito da formação quanto do desempenho profissional.

Daniela Fugellie (Chile)“Leni Alexander (1924-2005) o la migración perpetua”

Daniela falou sobre a perspectiva de gênero na imigração para o Chile no século XX, enfocando a compositora Leni Alexander, nascida na Alemanha e residente no Chile desde os 15 anos. A autora ressaltou a dificuldade de se obter dados sobre casos como este, ao qual se soma o fato de que Leni era judia, de esquerda e fazia parte da comunidade musical de vanguarda. Entretanto, foi uma das poucas compositoras a se destacar na década de 1950.

Marisol Facuse (Chile)“Música, género e inmigración: carreras musicales de mujeres inmigrantes latinoamericanas en Chile”

Marisol também investiga as comunidades imigrantes no Chile, com atenção especial ao período do retorno à democracia ao país após décadas de ditadura, no século XX.  A autora procurou compreender a influência das práticas musicais nas identidades e sociabilidades, promovendo processos de mestiçagem cultural.

  • Algumas conclusões:

A convivência intensa de 4 dias de colóquio fez das participantes um grupo carregado de intimidade e cumplicidade. O fato de que voltaríamos para nossos países de origem nos deu leveza e liberdade para que nos abríssemos sem reservas e externássemos nossas opiniões de forma produtiva.

O sentimento de ser mulher e latino-americana também nos fez, de certo modo, um pouco subversivas. Isto ficou mais evidente quando participamos como ouvintes do Colóquio Violeta Parra – que incluía convidadas e convidados do chamado Primeiro Mundo, ou, os ”colonizadores”.

  • Outras conclusões (não tão boas):

O fato de estarmos entre mulheres para falar da exclusão da mulher na música (sendo que o convite não se restringia ao gênero feminino) evidenciou a questão do desinteresse dos homens em pesquisar o assunto.

Por mais que os organizadores – homens – se empenhassem em demonstrar o contrário, não houve espaço nem tempo para darmos qualquer encaminhamento às questões pautadas durante o evento.

O primeiro momento musical realizado no intervalo das palestras foi apresentado por um grupo de 4 folcloristas, todos homens, cantando música de homens com letras machistas – típicas do contexto em que foram compostas.

Resta saber se o evento III Colóquio Ibermúsicas Chile ficará isolado do resto do contexto musical, ou se de fato servirá para motivar mudanças na percepção e na atuação da comunidade artística – principalmente a acadêmica.

Alguns vídeos mostrados:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Visões “Música e Mulher na América Latina: Relatos sobre o III Colóquio Ibermúsicas Chile” por Eliana Monteiro (Divulgação)

 

Neste encontro, Eliana Monteiro da Silva vai relatar sua experiência ao participar do III Colóquio Ibermúsicas Chile, no qual representou o Brasil junto a outros 10 países da América Latina. O evento aproveitou o centenário da compositora e intérprete chilena Violeta Parra para pensar a situação da mulher na música em contextos diversos da América Latina. Participaram intérpretes, compositoras, sociólogas e antropólogas. A participação brasileira foi indicada pela FUNARTE.

Cada palestrante apresentou um aspecto da mulher na música de seu país. A fala de Eliana intitulou-se “Compositoras brasileiras no contexto da música erudita: uma história de luta contra a invisibilidade”. Vinte compositoras foram mostradas para dar uma ideia da representatividade da mulher na composição erudita brasileira. A atuação da rede Sonora para romper o cerco de invisibilidade que envolve as musicistas brasileiras em geral, e na composição em particular, foi mostrada na última parte da palestra de Eliana no colóquio.

Ata da reunião de 25/09/2017 – interna

Pauta

A pauta que ficou para hoje foi a escolha de textos sobre feminismos para GE, conversa sobre projeto com violonistas idealizado por Pauliane Amaral e flyers dos eventos futuros.

Sobre o projeto da Pauliane Amaral, conversamos com o Luciano Cesar e com a Carolina Andrade, violonistas, a respeito das possibilidades e dificuldades de mandar um projeto como este para o Itaú Cultural.

  • Luciano apontou que, em geral, um edital deste porte pede gravações e materiais com grande parte já pronta, sendo que a deadline é em princípio de novembro.
  • Carolina opinou que talvez seja mais fácil planejar uma gravação do que uma serie de recitais, já que seria mais simples orçar um estúdio do que varias salas de concerto pelo país (como parece ser a ideia original da Pauliane).
  • Os três foram postos em contato via email para discutir o projeto. A Sonora se dispõe a ajudar no que for necessário.

Sobre as atividades pensadas para o calendário, a data programada para a flautista Sylvia Hinz terá que ser revista. Ela não poderá estar no dia 13/11.

  • Foi decidido que fica uma edição do Vozes com a Flora Holderbaum no dia 13/11.
  • Outras datas então terão que ser modificadas em função desta mudança. A princípio o calendário foi repensado da seguinte forma:

02/10 Visões com Eliana

16/10 R.O. Selecionar textos para mandar para a seção Reading do WISWOS

23/10 GE com Vozeiral e Coletivo Feminista (provável)

30/10 Vozes com Renata Roman ou Visões com Antonilde Rosa

06/11 Idem

13/11 Vozes com Flora

27/11 Encerramento

Em relação aos flyers, Ariane se ofereceu para fazer o do próximo Visões, de Eliana. Foi enviado para ela a imagem e o release do evento. Davi ficou de colocar o post da Visoes no FB e no site.

Outra atividade realizada foi a troca da imagem de capa do site e correção de alguns posts antigos, bem como colocar algumas publicações da rede no Facebook. Mariana ficou de refazer os links das transmissões antigas.

Lilian retomou o assunto da participação da Sonora no WISWOS, lembrando que há neste site uma aba para inserir textos sobre mulheres na música experimental e/ou contemporânea. Ficou decidido que faremos um levantamento de textos para este fim.

Lilian também ficou de fazer um doodle para resolver a data da participação da flautista.

Próxima reunião

  • Série Visões com Eliana Monteiro da Silva: “MÚSICA E MULHER NA AMÉRICA LATINA: RELATOS SOBRE O III COLÓQUIO IBERMÚSICAS CHILE”.
  • Resolver data da participação da Sylvia Hinz e outras pendências.

 

 

 

 

Ata da reunião de 18/09/2017 – interna

Pauta

De acordo com a reunião passada, a pauta de hoje enfoca o calendário de atividades da rede até o fim de 2017. Havia sido sugerido agendar uma entrevista da serie Vozes com a Renata Roman, uma da serie Visões com Eliana sobre o Colóquio do Chile, um GE sobre feminismo (com texto a escolher) e a participação da alemã que vem para o FIME.

Foram pré-agendadas as seguintes atividades:

  • 25/9 – Operacional. Escolha de textos sobre feminismos, conversa com a Pauliane sobre projeto com violonistas e flyers dos eventos futuros. Foi enviado um e-mail convidando a Pauliane a participar da próxima reunião por hangout.

Quanto aos textos, é desejável que quem puder envie e sugestões na lista.

  • 02/10 – Visões com Eliana
  • 16/10 – GE sobre feminismos (possibilidade de ser com grupo Vozeiral e coletivo feminista)
  • 23/10 – Vozes com Antonilde ou Renata Roman ou Flora
  • 30/10 – Operacional
  • 06/11 – Vozes com Antonilde ou Renata Roman ou Flora
  • 13/11 – Encontro com a flautista Sylvia Hinz
  • 27/11 – Encerramento

Além do calendário, durante a semana passada surgiram algumas sugestões de atividades:

  • Postar o áudio realizado por Isabel a partir da Homenagem-manifesto sonoro para Mayara Amaral apresentada no Congresso da ANPPOM 2017 no site da Sonora. Mariana fez um post na aba “Projetos” do site, na qual constam: o texto redigido por Eliana, Camila, Tânia e Isabel para contextualizar o áudio; a imagem de Mayara com o título “Que sua partida não seja silêncio”; o texto de Eliana lido por Isis no congresso e o texto de Camila publicado pelo Portal Catarinas.
  • Foi postado o link do projeto Mayara Amaral na página da rede no Facebook.
  • Lilian ficou de postar um post sobre a parceria da rede com a WISWOS no site, para depois colocarmos um link na página do FB.
  • Flora ficou de fazer o convite à Antonilde para Vozes, se possível quando ela vier a SP.

Próxima reunião

Escolha de textos sobre feminismos para GE, conversa sobre projeto com violonistas idealizado por Pauliane Amaral e flyers dos eventos futuros.

Manifesto por Mayara no congresso da ANPPOM

por Rede Sonora no XXVII Congresso da ANPPOM 2017 – texto escrito por Eliana Monteiro da Silva e lido por Ísis Biazioli

 

A rede “Sonora – músicas e feminismos”, vêm apresentar seu profundo pesar e consternação frente ao assassinato brutal da violonista e pesquisadora Mayara Amaral, ocorrido no dia 24 de julho de 2017.

Mayara era nossa colega, parceira de trajetória, professora e musicista dedicada à pesquisa do repertório, para seu instrumento, composto por mulheres. Com artigo sobre o assunto aprovado neste Congresso, esta jovem de 27 anos faria também uma performance, em que ampliaria nosso conhecimento e nos encantaria com obras pouco ou nada conhecidas do público em geral. 

Tal desconhecimento merece destaque neste documento por reafirmar o descaso, enraizado em nossa sociedade, à necessidade das mulheres de se expressarem e de serem ouvidas, respeitadas, levadas em consideração.

Mayara Amaral estava engajada nesta luta de maneira responsável e profissional, interpretando com alegria e fidelidade as autoras que divulgava, também, em sua produção bibliográfica. 

Embora sua presença física não esteja mais entre nós, pleiteamos que seu destino trágico possa impedir futuras barbaridades como a de que foi vítima, mediante ações afirmativas de combate à vulnerabilidade das mulheres na música e na vida – especialmente ao feminicídio-, bem como exigindo respeito e justiça nas investigações. 

Atenciosamente

Sonora – músicas e feminismos

Homenagem-manifesto sonoro para Mayara Amaral

O dia 24 de julho de 2017 ficará para sempre marcado na mente, corpo e alma de muitas mulheres brasileiras, especialmente as mulheres da música. Este foi o dia em que Mayara Amaral, violonista e pesquisadora da obra violonística criada por mulheres foi vítima de um feminicídio. Mayara era nossa colega na música, parceira de trajetória, professora e musicista dedicada à causa feminista na música. Quando foi brutalmente assassinada, se preparava para apresentar trabalho escrito e performance no Congresso ANPPOM 2017, evento de grande importância para a comunidade musical acadêmica.

A Rede Sonora – músicas e feminismos se empenhou em manifestar sua consternação através de diferentes ações de diferentes participantes, feitas em nome da Rede, como o texto “Pela Memória de Mayara Amaral, pelas vidas das mulheres na música e no mundo: #NenhumaAMenos” Pela Memória de Mayara Amaral, pelas vidas das mulheres na música e no mundo: #NenhumaAMenos”, de Camila Durães Zerbinatti, publicado pelo Portal Catarinas; o texto de Eliana Monteiro da Silva, que reivindica respeito e seriedade nas investigações sobre o crime hediondo que ceifou a vida de Mayara, assim como atenção para as diversas violências de gênero contra as mulheres, como o feminicídio, lido durante a performance colaborativa da Rede no Congresso da Anppom, e, a peça sonora que aqui disponibilizamos.

“Que sua partida não seja silêncio”

 

Esta peça sonora foi criada a partir de um convite da coordenação do citado Congresso da ANPPOM de 2017, na pessoa do professor Alexandre Zamith Almeida, para que a Rede Sonora realizasse uma performance artística no horário em que seria a apresentação da violonista Mayara Amaral no congresso. A performance foi realizada de forma colaborativa onde, a partir de um convite amplo, as participantes da rede Camila Zerbinatti, Carolina Andrade, Eliana Monteiro da Silva, Mariana Carvalho, Tania Neiva e Valeria Bonafé gravaram áudios relacionados com o feminicídio ocorrido com Mayara.

Este material foi processado por Isabel Nogueira, que também tocou sintetizadores, e transformou-se em uma criação sonora de 20 minutos, da qual esta peça é uma versão reduzida.

No momento da performance no congresso, foram realizadas improvisações por Mariana Carvalho, Flora Holderbaum e Isabel Nogueira sobre a peça sonora. Isis Biazioli leu o texto de Eliana Monteiro da Silva, que está disponível no site da Rede Sonora.

 

 

Áudios e vozes: Camila Zerbinatti, Carolina Andrade, Eliana Monteiro da Silva, Mariana Carvalho, Tania Neiva e Valeria Bonafé.

Sintetizadores e criação sonora: Isabel Nogueira

 

 

 

Ata da reunião de 11/09/2017 – interna

Pauta

A reunião de hoje não tinha uma pauta definida, uma vez que o último encontro enfocou a participação da rede na Assembleia da Anppom e no manifesto sonoro a ser realizado no mesmo congresso. Desta forma, foram discutidos os temas:

  • Organização da rede: foi sugerido retomar as atividades regulares da Sonora, paralelamente à chamada para a reunião extra feita pela Tania por e-mail para redefinir a organização da rede.
  • Quanto à reunião extra, ficou-se de reafirmar o convite por e-mail e completar o docs iniciado pela Valéria.
  • Carta em resposta à Revista Concerto: foi sugerido que redigíssemos uma carta contestando o artigo escrito pelo Júlio Medalha sobre o “Negro no Brasil”.
  • Carta em repúdio à suspensão da exposição de arte Queer patrocinada pelo Santander: foi sugerido que também nos manifestássemos contra este triste episódio.

Além destes tópicos, Mariana contou sobre a realização do manifesto sonoro em memória da Mayara Amaral no congresso da ANPPOM. Flora disse que há interesse do coletivo feminista em divulgar o áudio e/ou o vídeo do manifesto.

  • Foi lembrado que a Isabel se dispôs a fazer um arquivo conciso do manifesto sonoro para ficar no site da rede. Também foi citado que a Leila faria um vídeo para circular.

Eliana contou sobre sua experiência no III Colóquio Ibermúsicas Chile, realizado em Santiago. Ela pontuou a constatação de que, apesar de o convite aos 11 países que participaram do evento não ter sido restrito a mulheres, somente mulheres se dispuseram a apresentar trabalhos, o que mostra que são as mulheres que pesquisam sua participação na música. Também foi interessante notar que este interesse pela militância feminista se estendia a outros campos, como por exemplo o latino-americanismo, a inclusão racial e social.

  • Foi sugerido que esta experiência seja apresentada com mais detalhes em algum evento futuro da rede.

Lilian contou sobre a parceria que ela firmou em nome da Sonora com a WISWOS, WOMEN IN SOUND, WOMEN ON SOUND. Lilian disse que tomou esta atitude animada por sua participação num evento do Wiswos há alguns anos. O logo da Sonora, assim como o acesso ao site da rede, está entre os parceiros da Wiswos.

  • Foi sugerido que a Lilian contasse sobre esta parceria na lista de e-mails.

Lilian também contou sobre a flautista alemã, Sylvia Hinz, que virá ao Brasil participar do FIME. Ela enviou várias propostas para apresentar na Sonora, entre recitais-palestras, sessões de leitura de obras musicais de compositoras (es) brasileiras (os), palestras sobre mulheres na música, sobre música experimental, etc.

 

Próxima reunião

Calendário até o fim de 2017. Existem convidadas pendentes para Vozes, como a Renata Roman, Eliana para Visões, GEs sobre feminismo (fechar um texto), participação da alemã.

Ata da reunião de 28/08/2017 – interna

Por conta da baixa presença de participantes fizemos uma reunião rápida, sem transmissão por hangouts.

Assuntos tratados:

  • Decidimos não participar da assembleia da anppom por conta das questões pendentes discutidas na última reunião.
  • Decidimos também dar prosseguimento à chamada para a reunião de organização da rede, iniciada pela Tânia. Vamos discutir detalhes por email.
  • Semana que vêm não haverá reunião, pois não haverão atividades na usp por causa da semana da pátria.
  • A próxima reunião será dia 11 de setembro e a pauta será discutida por email.