Ata da reunião de 12/11/2018 – Operacional

Informes

  • Valéria sugeriu um Vozes com duas mulheres, mãe e filha, Claudia Feres, regente, e sua mãe Josette Feres, educadora musical. Ambas são naturais de Jundiaí. Valéria contou que esta foi, na verdade, uma sugestão do compositor Tadeu Taffarello, que assistiu ao Visões com a Teca e é de Jundiaí.
  • Lilian foi convidada para participar de uma mesa sobre música no CCSP em dezembro, com o tema “O que os universitários pensam para o futuro”. Lilian vai representar o NuSom e a Sonora, enfocando o aspecto da militância. O evento chama-se SIM – Semana Internacional de Música. Vamos dedicar um tempo das reuniões para colaborar com esta apresentação dela.
  • O concerto sobre a compositora Vania Dantas Leite ficou para o ano que vem. Pessoas ligadas `a compositora disseram que estão em contato com a família e com colegas, coletando material para 2019. Em vista disso pensamos em acompanhar o processo, adiando a nossa proposta.
  • Camila Zerbinatti ofereceu uma performance de seu trabalho “Medusa enredada: como lembrar, mas, também, como esquecer?” para ser feita em algum dos eventos da Sonora, no mês de dezembro. Ela já havia conversado com a Eliana por mensagens de whats app, mas formalizou esta intenção no grupo de e-mails. Como Eliana já havia adiantado a Camila, as atividades da rede se encerram no final de novembro, a menos que os trabalhos com os programas de radio e com o projeto NuSom não sejam finalizados neste tempo. Uma atividade de performance seguida de conversa, como a da Camila, poderá ser pensada em 2019.
  • Valéria sugeriu fazer um Visões Coletivas no início do ano que vem, com as contrabaixistas recém graduadas Beatriz e Giulia.

 

Projetos

  • Foi feita a leitura do resumo do projeto que o NuSom esta apresentando à Fapesp, para pensar o projeto que a Sonora quer fazer e vincular ao mesmo.
  • Foi feita a leitura do esboço enviado por Eliana para este projeto, sobre o qual foram levantadas várias perguntas para definir as possíveis linhas de pesquisa.
  • Destas leituras foram levantados vários pontos norteadores para o projeto e, consequentemente, para a nossa pesquisa. Estes pontos foram listados e enviados por email para o grupo interessado em participar do projeto.

 

Calendário

  • Dia 26/11 projeto NuSom e apresentação para o SIM.
  • Dia 3/12 encerramento do projeto e das atividades da rede. Confraternização.

 

Tarefas

  • Mandar email com respostas, perguntas ou sugestões para projeto NuSom.

Ata da reunião de 5/11/2018 – Operacional

Informes

 

  • Natalia Fragoso desmarcou sua participação na série Vozes dia 12/11. Parece que a universidade em que atua está com verba reduzida, impossibilitando-a de viajar para eventos como este.
  • Carô Murgel ainda não respondeu sobre datas para gravar conversa com Eliana para programa de rádio sobre compositoras. Ficamos no aguardo.

 

Projetos

 

  1. Concerto em homenagem a Vania Dantas Leite, em parceria com o NuSom: foi iniciado um arquivo com dados biográficos e catálogo de obras da compositora que faleceu este ano. Estamos em contato com pessoas ligadas a ela, ex-alunxs, colegas na UNIRIO, para obter partituras e gravações para o concerto.
  • Um possível lugar para o evento seria a SP Escola de Teatro, na Praça Roosevelt. Fabio Martinelli, que tem acesso à escola, colocou-se disponível para colocar NuSom e Sonora em contato com a mesma para o concerto.
  1. Colaboração da Sonora no Projeto NuSom: foi abordado novamente o assunto de elaborar um repositório sobre compositoras. Seria interessante pensar em quantas compositoras, qual recorte de tempo, de estilo ou até de localidade das autoras para ver qual o tamanho da tarefa.
  • Não é preciso delimitar muito detalhadamente a proposta para o projeto. Ela tem que estar alinhada com o projeto principal do NuSom, preferivelmente na aba Cartografias.

 

Tarefas

 

  • Ler o resumo do projeto NuSom-Sonora.
  • Pensar o recorte da pesquisa que seria oferecida pela Sonora.
  • Pensar necessidades materiais da pesquisa.
  • Foi decidido que a reunião do dia 12/11 será destinada ao projeto, já que o Vozes com a Natalia foi cancelado.

Vozes – Laura Mello (Divulgação)

 

Laura Mello é compositora, artista do som e performer (piano, voz, movimento). Trabalha entre Berlim e Viena, em formações solo e em colaborações com outros artistas das áreas de Música Experimental, Arte Sonora e Performance. Formou-se em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda) na UFPR, em Composição e Regência na EMBAP, com especialização em Estética da Música do Século XX na EMBAP e Composição Eletroacústica na Universidade de Música e Artes Dramáticas em Viena. Como doutoranda da Universidade Técnica (TU) de Berlim, frequentou cursos em áreas que vão da produção para rádio à teoria do Happening, passando por aulas de dança Contemporânea e participando dos concertos da classe de Composição Intermídia da Universidade das Artes (UdK). Sua obra engloba peças instrumentais, teatro musical, música eletroacústica, instalações sonoras e performances. Em sua atividade artística desafia as fronteiras convencionais entre formatos, mídias e linguagens. Desenvolveu ferramentas para auxiliar na composição de música experimental para meios visuais, em projetos didáticos abertos a alunos sem experiência musical. Há alguns anos vem se aprofundando na relação entre a música e a língua falada, explorando representações e possibilidades de releitura entre estas linguagens. Elabora desde 2008 um trabalho de Performance solo chamado “Composing for many media including me”.

 

Vozes é um espaço que recebe artistas mulheres para apresentarem e falarem sobre seus trabalhos. Com uma dinâmica mais informal, é um espaço aberto para a conversa e para o compartilhamento de experiências.

Haverá transmissão ao vivo através do nosso canal do Youtube. O link para a transmissão será postado em nossa página do FB alguns minutos antes do evento.

 

Experimenta – Oficina de Drumsynth, com Kelly Rauer (Divulgação)

 

Atenção!!! Nesta quinta-feira faremos uma oficina de DrumSynth com Kelly Rauer (EUA), parte da série Experimenta! Será quinta-feira dia 22/03, das 9h às 13h, na sala do NuSom (CMU-ECA-USP), com o custo de R$50,00 (material), em dinheiro. A oficina será ministrada em inglês. 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐞𝐬𝐬𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞𝐦 𝐞𝐦 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐚𝐭𝐨 𝐚𝐭𝐫𝐚𝐯é𝐬 𝐝𝐨 𝐞𝐦𝐚𝐢𝐥 𝐬𝐨𝐧𝐨𝐫𝐚𝐦𝐮𝐥𝐡𝐞𝐫𝐞𝐬@𝐠𝐦𝐚𝐢𝐥.𝐜𝐨𝐦. 𝐓𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐩𝐨𝐮𝐜𝐚𝐬 𝐯𝐚𝐠𝐚𝐬!

 

Sobre a Oficina de Drumsynth:

In this guided workshop, each student will build an electronic synthesizer module called ‘drumsynth’ designed by the independent artist/musician Zach D’Agostino, from Portland, OR USA. The drumsynth is a simple oscillator triggered by an external sound source, such as, acoustic drums or other percussive instruments, objects or surfaces via a standard or contact microphone. When triggered from the external sound source, the signal can be modulated in three ways: sense/starve, decay and pitch. The goal of this workshop is to provide a basic introduction to soldering and the construction of an electronic synthesizer. Accessibility was a driving force in the creation of this module. Many synthesizer modules are not accessible to most people due to their exceptionally high costs. The cost of this workshop covers the cost of the parts only. Participants will be welcome to bring other instruments, tools, pedals, speakers etc. to add to the experience.

 

Kelly Rauer is an artist who utilizes video, movement, sound, and electronic and acoustic instruments to create installations and performances. She is a facilitator at the artist-run space called S1 & the Synth Library in Portland, OR, USA. She was included in the 2016 Risk/Reward Festival, the PORTLAND2014 Biennial of Contemporary Art and has traveled and presented work in Sao Paulo, Brazil and Berlin, Germany. She is currently enjoying various performative collaborations across genres, club dancing, electronic music, building and learning to play modular synthesizers and learning to play the drums, bass guitar and piano.

www.kellyrauer.com
kellyrauer.tumblr.com
transmissoesdosul.tumblr.com

Vozes – Sylvia Hinz (Divulgação)

Sonora: músicas e feminismos convida para o concerto-palestra com a flautista residente em Berlim Sylvia Hinz. Ela é especializada em música contemporânea e improvisação. Nesse encontro, Sylvia vai falar sobre o seu instrumento – flauta doce – e fará a performance de algumas peças, em sua maioria composta por mulheres. Um de seus interesses está em promover o trabalho de mulheres na música a partir de ações de arteativismo que proporcionem a capacitação de mulheres artistas e a conscientização sobre a participação delas na música. Sylvia Hinz vai tratar também da cooperação entre mulheres performers e compositorxs, bem como mostrar partituras, vídeos e descrever seus trabalhos que dialogam com outras formas de arte, como a pintura e a dança, por exemplo. Compositorxs estão convidadxs a trazer suas obras para flauta doce para serem lidas durante o encontro.

 
Sylvia Hinz é uma das mais reconhecidas e atuantes flautistas dedicadas ao repertório de música contemporânea e improvisação para flauta doce. Ela vem realizando um trabalho amplo de divulgação de mulheres compositoras. Além de suas performances solo, de música de câmara e como solista de orquestra, ela tem se apresentado com formações instrumentais não usuais e colaborado com artistas de outras áreas como a pintura, escultura e literatura.

Tutorial para transmissão via Hangout e Youtube

Instruções para transmissão via Google hangout/youtube

(tutorial para a sala do NuSom)

0. Para uso da câmera logitech ser 910 pode ser necessário utilizar o browser Firefox. O Chrome tem funcionado perfeitamente.

1. Fazer log on na conta gmail da Sonora.

2. Clicar em Hangouts ou Youtube (nos apps no canto superior direito)

 

PARA LIVE-STREAMING (Youtube)

1. No youtube, ir para o “Creator Studio”(clicando no ícone da Sonora, canto superior direito)

2. Na barra lateral (esquerda), selecionar “Live streaming – Events”

3. Selecionar “Novo evento ao vivo”

4. Preencher especificações como nome do arquivo ou da transmissão e o horário de início de término se necessário

5. Clicar em “Ao vivo agora”

6. Aparecerá uma janela de transmissão.

 

CABOS

1. Conectar câmera logitech no computador por entrada USB

2. Microfone no canal 1 da mesa

3. Ligar phantom power na mesa

4. Cabo P2-2P10 fazendo a saída do mic pela mesa (ALT OUTPUT L3 e R4) para entrada de microfone do pc (atrás)

5. Apertar o Mute do canal 1 (para o som do mic sair somente no computador e não nas caixas)

6. Testar mic pelo mostrador do Hangouts (ver se não está estourando e se necessário regular o volume do canal 1 pela mesa)

7. Cabo P2-P10 da saída de som do pc (frente) entrando no TAPE IN

8. Apertar TAPE do “Control room source” e Assign to main mix”(para sair nas caixas)

9. Cabos P10 da caixa de som para a saída MAIN OUT

10. Ligar caixa de som

 

NA TRANSMISSÃO

1. Nas configuracoes (ícone da engrenagem), configurar entradas e saídas no Hangouts, conforme:

– Logitech Camera

– Built-in Line Input (pra sala do NuSom)

– Built-in Output

2. Testar mandando o link para alguém

3. Clicar em “Start to broadcast” (youtube) ou “Start new conversation”

4. Copiar o link (no ícone “Invite people”) do hangouts.

5. Mandar por email.

6. No caso de youtube, copiar também o link do youtube.

Manifesto por Mayara no congresso da ANPPOM

por Rede Sonora no XXVII Congresso da ANPPOM 2017 – texto escrito por Eliana Monteiro da Silva e lido por Ísis Biazioli

 

A rede “Sonora – músicas e feminismos”, vêm apresentar seu profundo pesar e consternação frente ao assassinato brutal da violonista e pesquisadora Mayara Amaral, ocorrido no dia 24 de julho de 2017.

Mayara era nossa colega, parceira de trajetória, professora e musicista dedicada à pesquisa do repertório, para seu instrumento, composto por mulheres. Com artigo sobre o assunto aprovado neste Congresso, esta jovem de 27 anos faria também uma performance, em que ampliaria nosso conhecimento e nos encantaria com obras pouco ou nada conhecidas do público em geral. 

Tal desconhecimento merece destaque neste documento por reafirmar o descaso, enraizado em nossa sociedade, à necessidade das mulheres de se expressarem e de serem ouvidas, respeitadas, levadas em consideração.

Mayara Amaral estava engajada nesta luta de maneira responsável e profissional, interpretando com alegria e fidelidade as autoras que divulgava, também, em sua produção bibliográfica. 

Embora sua presença física não esteja mais entre nós, pleiteamos que seu destino trágico possa impedir futuras barbaridades como a de que foi vítima, mediante ações afirmativas de combate à vulnerabilidade das mulheres na música e na vida – especialmente ao feminicídio-, bem como exigindo respeito e justiça nas investigações. 

Atenciosamente

Sonora – músicas e feminismos

Homenagem-manifesto sonoro para Mayara Amaral

O dia 24 de julho de 2017 ficará para sempre marcado na mente, corpo e alma de muitas mulheres brasileiras, especialmente as mulheres da música. Este foi o dia em que Mayara Amaral, violonista e pesquisadora da obra violonística criada por mulheres foi vítima de um feminicídio. Mayara era nossa colega na música, parceira de trajetória, professora e musicista dedicada à causa feminista na música. Quando foi brutalmente assassinada, se preparava para apresentar trabalho escrito e performance no Congresso ANPPOM 2017, evento de grande importância para a comunidade musical acadêmica.

A Rede Sonora – músicas e feminismos se empenhou em manifestar sua consternação através de diferentes ações de diferentes participantes, feitas em nome da Rede, como o texto “Pela Memória de Mayara Amaral, pelas vidas das mulheres na música e no mundo: #NenhumaAMenos” Pela Memória de Mayara Amaral, pelas vidas das mulheres na música e no mundo: #NenhumaAMenos”, de Camila Durães Zerbinatti, publicado pelo Portal Catarinas; o texto de Eliana Monteiro da Silva, que reivindica respeito e seriedade nas investigações sobre o crime hediondo que ceifou a vida de Mayara, assim como atenção para as diversas violências de gênero contra as mulheres, como o feminicídio, lido durante a performance colaborativa da Rede no Congresso da Anppom, e, a peça sonora que aqui disponibilizamos.

“Que sua partida não seja silêncio”

 

Esta peça sonora foi criada a partir de um convite da coordenação do citado Congresso da ANPPOM de 2017, na pessoa do professor Alexandre Zamith Almeida, para que a Rede Sonora realizasse uma performance artística no horário em que seria a apresentação da violonista Mayara Amaral no congresso. A performance foi realizada de forma colaborativa onde, a partir de um convite amplo, as participantes da rede Camila Zerbinatti, Carolina Andrade, Eliana Monteiro da Silva, Mariana Carvalho, Tania Neiva e Valeria Bonafé gravaram áudios relacionados com o feminicídio ocorrido com Mayara.

Este material foi processado por Isabel Nogueira, que também tocou sintetizadores, e transformou-se em uma criação sonora de 20 minutos, da qual esta peça é uma versão reduzida.

No momento da performance no congresso, foram realizadas improvisações por Mariana Carvalho, Flora Holderbaum e Isabel Nogueira sobre a peça sonora. Isis Biazioli leu o texto de Eliana Monteiro da Silva, que está disponível no site da Rede Sonora.

 

 

Áudios e vozes: Camila Zerbinatti, Carolina Andrade, Eliana Monteiro da Silva, Mariana Carvalho, Tania Neiva e Valeria Bonafé.

Sintetizadores e criação sonora: Isabel Nogueira

 

 

 

Quem é Mayara Amaral?

por Pauliane Amaral [1]

Minha irmã caçula, mulher, violonista com mestrado pela UFG e um dissertação incrível sobre mulheres compositoras para violão. Desde ontem Mayara Amaral também é vítima de um crime que parece cada vez mais banal na nossa sociedade: o FEMINICIDIO. Crime de ódio contra as mulheres, contra um gênero considerado frágil e, para alguns, inferior e digno de ter sua vida tirada apenas por ser jovem, talentosa, bonita… por ser mulher.

Em nenhuma matéria na imprensa vi essa palavra – feminicídio – talvez porque seja difícil para uma sociedade ter a consciência de que mais uma vez falhou e uma mulher, uma jovem professora de música de 27 anos, foi outra vítima da barbárie de homens que não podem nem serem considerados humanos. Foram três, três homens contra uma jovem mulher.

Um deles, Luis Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, por quem ela estava cegamente apaixonada, atraiu-a para um motel, levando consigo um martelo na mochila. Lá, ele encontrou um de seus comparsas.

Em uma das matérias que noticiaram, o crime os suspeitos dizem que mantiveram relações sexuais com minha irmã com o consentimento dela. Para que o martelo então, se era consentido?

Estranhamente, nenhuma das matérias aparece a palavra ESTUPRO, apesar de todas as evidências.

Às vezes tenho a sensação de que setores da imprensa estão tomando como verdade a palavra desses assassinos. O tratamento que dão ao caso me indigna profundamente.

Quando escrevem que Mayara era a “mulher achada carbonizada” que foi ensaiar com a banda, ela está em uma foto como uma menina. Quando a suspeita envolvia “namorado” hiper-sexualizam a imagem dela. Quando a notícia fala que a cena do crime é um motel, minha irmã aparece vulnerável, molhada na praia.

Quando falam da inspiração de Mayara, associam-na com a história do pai e avô e a foto muda: é ela com o violão, porém com sua face cortada. Esse tipo de tratamento não representa quem minha irmã foi. Isso é desumanização. Por favor, tenham cuidado, colegas jornalistas.

Para nossa tristeza, grande parte das notícias dão bastante voz aos assassinos e fazem coro à falsa ideia de que os acusados só queriam roubar um carro. Um carro que foi vendido por mil reais. Mil reais. Um Gol quadrado, ano 1992. Se eles quisessem só roubá-la, não precisariam atraí-la para um motel.

Um dos assassinos, Luís, de família rica, vai tentar se livrar de uma condenação alegando privação momentânea dos sentidos por conta de uso de drogas. Não bastando matar a minha irmã, da forma que fizeram, agora querem destruir sua reputação. Eis a versão do monstro: minha irmã consentiu em ser violada por eles, elas decidiram roubá-la, ela reagiu fisicamente e eles, sob o efeito de drogas, golpearam-na com o martelo – e ela morreu por acidente. Pela memória da minha irmã, e pela de outras mulheres que passaram por esta mesma violência, não propaguem essa mentira! Confio que o Ministério Público não aceitará esta narrativa covarde, e peço a solidariedade e vigilância de todos para que a justiça seja feita.

Na delegacia disseram à minha mãe que uma outra jovem já havia registrado uma denúncia contra Luís por tentativa de abuso sexual… Investiguem! Se essa informação proceder, este é mais um crime pelo qual ele deve responder. E uma prova de como a justiça tem tratado as queixas feitas por nós, mulheres. Se naquela ocasião ele tivesse sido punido exemplarmente, talvez minha irmã não tivesse sofrido este destino.

Foi tudo premeditado: ela foi estuprada por dois desumanos. E em seguida, ela sofreu um homicídio qualificado: por motivos torpes, sem chance de defesa, por meio cruel, em emboscada, contra uma mulher que tinha uma relação afetiva com um dos assassinos. E só então levaram seus poucos pertences. Parem de tentar qualificar o caso como um roubo seguido de morte (latrocínio), como se fosse o roubo a motivação maior dessa barbárie!

O terceiro comparsa – não menos monstruoso – ajudou a levar o corpo da minha irmã para um lugar ermo, e lá atearam fogo nela, como se a brutalidade das marteladas no crânio já não fosse crueldade demais. Minha irmã foi encontrada com o corpo ainda em chamas, apenas de calcinha e uma de suas mãos foi a única parte de seu corpo que sobrou para que meu pai fizesse o reconhecimento no IML. “Parece que ela fazia uma nota com os dedos”, disse meu pai pelo telefone.

A confirmação veio logo depois, com o resultado do exame de DNA. Era ela mesmo e eu gritei um choro sufocado.

Eu vou dedicar o meu luto à memória da minha irmã, e a não permitir que ela seja vilipendiada pela versão imunda de seus algozes. Como tantas outras vítimas de violência, a Mayara merece JUSTIÇA – não que isso vá diminuir nossa dor, mas porque só isso pode ajudar a curar uma sociedade doente, e a proteger outras mulheres do mesmo destino.

#niunamenos #nenhumaamenos

 

[1] Texto publicado por Pauliane Amaral em seu perfil no FB.