Ata da 1a reunião do 1o semestre de 2017 (interna) – 06-03-2017

 

  • Recepcão Calouros quarta-feira 08-03
  • Reunião de abertura
  • Resposta para a ECA – Eduardo
  • Artigo Anppom (formulário)
  • Calendário: Flora

 

Fala na recepcao dos calouros, quarta, 08/03: Mari, Ariane, Lilian, Jana

11h as 13h o evento todo, são Sonora, Errante, NuSom, GPMac, Edelton?, Análise

Apresentacão de cada grupo, uns 15 minutos.

  • Perguntas para sensibilizar – reflexão pessoal. Repertório, professoras, pessoas no auditório.
  • Mostrar o site, explicar atividades regulares
  • Encontro de abertura dia 20 (evento dia 17 e 18 mulheres na música SP). Na sala 12? 17h30
  • Dados lista de email, Encontra.
  • Convidar manifestacao Paulista
  • Entregar flyers Sonora.

 

Encontro de abertura

20/03. Próxima reunião do dia 14 aproveitaremos para pensar na divulgacao do encontro de abertura. Teaser Lúcia.

  • Desejos para 2017 (que levantamos no fim do ano passado, revisitar)

 

Resposta a ECA

  • Marcar café com Claudia Lago para propor uma conversa coletiva de todos os grupos para nos conhecermos e listarmos demandas da ECA (construir coletivamente)

 

Painel da Sonora na ANPPOM – 3 artigos. Até 03/04

  • Histórico da Sonora (report)
  • Mapeamento da rede (Fabiana, Tania)
  • Encontra Sonora (relato – Lucia e teaser)
  • Tirar reunião da semana que vem para falar desse painel
  • Chamar no ZAP e mencionar na lista
  • Definir relatores (2) para cada artigo.

 

Val iniciou e mandou para Lílian, Eliana e Tânia. Ver quem quer participar de cada artigo para redigir por google docs e mandar até o dia 03/04.

 

Calendário

  • 13/03 Reunião sobre o Painel da ANPPOM e calendário
  • 20/03 Encontro de abertura: apresentacao, retomar desejos 2017, calendário
  • 27/03 Sugestão Vozes Flora (que estará em SP) e Leila, Bella, Alessa e Elizabeth .

 

Próxima reunião, 13/03

  • Divulgacao e preparacao do: Encontro de abertura Sonora 2017. Facebook.
  • Painel da Sonora na ANPPOM. Debate e terminar 4 resumos (painel + 3 artigos)

E não as chame de “mulheres”* compositoras

Pauline Oliveros, 13 de setembro de 1970
tradução de Ariane Stolfi, 13 de dezembro de 2016

Porque não existem “grandes” compositoras mulheres? A questão é frequentemente feita. A resposta não é um mistério. No passado, talento, educação, habilidade, interesse, motivação eram irrelevantes porque ser mulher era uma qualificação unicamente para trabalho doméstico e para uma contínua obediência e dependência dos homens.

Hoje em dia isso não é menos verdade. As mulheres têm sido ensinadas a desprezar as atividades fora do âmbito doméstico considerando-as não-femininas, assim como os homens têm sido ensinados a desprezar as tarefas domésticas. Para o homem, independência, mobilidade e ação criativa são imperativas. A sociedade tem perpetuado uma atmosfera não natural que encoraja distorções como a palavra “menina” ser usada como um palavrão por garotos de 9 ou 10 anos. Desde a infância garotos são enrolados em cobertores azuis e constantemente direcionados contra o que é considerado atividade feminina. Que tipo de auto-imagem as meninas novas podem ter, dessa forma, com metade de seus pares lhes desprezando por terem sido desencorajadas das chamadas atividades masculinas e enroladas em mantas cor de rosa?

A distorção continua quando a puberdade chega e os garotos se voltam às garotas como objetos sexuais mas sem compreender como se relacionar com elas em outros níveis importantes. Pense na taxa de divórcios! Não importam quais sejam suas realizações, quando chega a hora, é esperado que a mulher ceda, se dedique aos seus deveres femininos e obedientemente siga seu marido onde quer que seus esforços ou inclinações o leve – não importando o quão prejudicial possa ser para ela mesma.

Um compositor bastante renomado tem uma esposa que também é uma compositora competente. Eles viajam juntos extensivamente e frequentemente retornam aos mesmos lugares para performances dos trabalhos dele. Ela raramente é, se é que foi alguma vez, solicitada pelo seu próprio trabalho e ninguém parece ver nada de errado em ignorar constantemente a produção dela e ao mesmo tempo procurar continuamente pelo trabalho de seu marido.

Muitos críticos e professores não conseguem se referir a mulheres que também são compositoras sem usar linguagem fofa ou condescendente. Ela é uma “mulher compositora”. Corretamente, esta expressão é um anátema para várias  para várias compositoras mulheres respeitadas. Isso efetivamente separa os esforços das mulheres do mainstream. De acordo com o Dicionário da Gíria Americana, “mulher” usada em tal contexto é quase insultante ou sarcástico. O que os críticos de hoje diriam de um “homem compositor?”

Ainda é verdade que, a não ser que ela seja super-excelente, a mulher na música vai ser sempre subjugada, enquanto homens com o mesmo ou menos talento vão encontrar lugar para si. Não é suficiente que uma mulher escolha ser compositora, regente ou toque um instrumento que tenha sido tocado exclusivamente por homens no passado; ela não consegue evitar de ser esmagada em seus esforços – se não diretamente, então pela sutil e incidente exclusão pelos seus colegas machos.

E mesmo assim, algumas conseguem romper com essa barreira. O catálogo Schwann atual lista cerca de 1000 compositores diferentes. Clara Schumann ou a Elizabeth J. de la Guerre do Período Romântico são as representantes solitárias das mulheres compositoras do passado. Mas, olhando pelo lado positivo, cerca de 75 porcento da lista de mais de 1000 compositores são do tempo presente e 24 deles são mulheres. Essa estatística aproximada aponta duas tendências felizes: 1) que compositoras do nosso tempo não são mais ignoradas, e 2) que as mulheres podem estar emergindo da subjugação musical. (É significativo que na biografia de Schumann que eu li, Clara é sempre mencionada como pianista, não como compositora e é citada por ter dito ‘Eu dei a minha vida pelo Robert’ )

A primeira das duas tendências está se desenvolvendo apesar mesmo da maioria dos performers não incluírem música contemporânea nos seus repertórios e de raramente professores particulares encorajarem seus estudantes a experimentar músicas novas ou mesmo a se familiarizar com seus compositores locais. Agências como as fundações Rockefeller e Ford nos ajudaram a estabelecer centros para música nova em universidades por todo o país e organizações independentes como o Once Group de Ann Arbour e o San Francisco Tape Music Center promovem programas intensos de música nova desde os anos 60. Esforços isolados individuais pelo país têm criado gradualmente uma rede ativa de música nova.

Por fim, as agonizantes organizações sinfônicas e de ópera precisam acordar para o fato de que a música do nosso tempo é necessária para angariar a audiência das pessoas com menos de 30 anos. A mídia de massa, a rádio, a TV e a imprensa, poderiam ter grande influência no encorajamento da música Americana acabando com a competição entre a música do passado e a do presente.

Muitos dos compositores de hoje não estão interessados nos critérios aplicados às críticas aos seus trabalhos e cabe aos críticos identificar novos critérios indo até os compositores. Com mais performances de novos trabalhos, nos quais os compositores estejam presentes, e com a maior mobilidade da nossa sociedade, os críticos têm uma oportunidade única – e um dever – de conversar diretamente com os compositores. Já que os performers são frequentemente irresponsáveis com novos trabalhos por desrespeito ou falta de modelos estabelecidos, trabalhos com os quais os críticos estejam familiarizados tendem a escapar de erros de um mal julgamento mordaz devido à má performance. O crítico ideal poderia não só interpretar tecnicamente e encorajar uma atmosfera que seja simpática ao fenômeno da nova música, mas também apresentar o compositor como uma pessoa real e legítima para as audiências. Certamente, nenhum “grande” compositor, especialmente uma mulher, tem a chance de emergir numa sociedade que acredita que toda “grande” música foi escrita por aqueles que já partiram faz tempo.

A segunda tendência, é claro, é dependente da primeira por causa da privação cultural da mulher no passado. Críticos causam um grande nível de dano tentando descobrir “grandezas”. Não importa que nem todos compositores sejam grandes compositores; importa que suas atividades sejam incentivadas para toda a população, que nós nos comuniquemos uns com os outros de maneiras não destrutivas. Mulheres compositoras são frequentemente tratadas como talentos menores ou mais leves baseado em críticas a um trabalho único por críticos que nunca procuraram examinar suas partituras e nem esperaram desenvolvimentos futuros.

Os homens não precisam cometer suicídio sexual para incentivar suas irmãs na música. Já que eles estiveram no topo por tanto tempo, eles podem procurar pelas mulheres e encorajá-las em todos os campos profissionais. Bibliotecas de músicas de mulheres devem ser estabelecidas. As mulheres precisam saber o que elas podem alcançar. Críticos podem parar de serem fofos e começarem a estudar as partituras. (A Federação Nacional de Clubes Musicais preparou um Diretório de Compositoras Mulheres. Ele pode ser obtido escrevendo para Julia Smith, 1105 West Meulberry Street, Denton, Texas 76201. Uma discografia completa de música gravada por compositoras como listado no catálogo Schwan acompanha este artigo.)

Próximo ao começo do século, Nikola Tesla, engenheiro elétrico e inventor da corrente alternada, previu que as mulheres iriam um dia liberar seus enormes potenciais criativos e por um certo tempo iriam se sobressair aos homens em todos os campos por estarem tanto tempo adormecidas. Certamente os maiores problemas da sociedade não vão ser solucionados até que uma atmosfera igualitária que utilize as totais energias criativas roubadas que existem entre todos homens e mulheres.

Trabalhos de Mulheres Compositoras: Em Discos (em 1970)       

Ballou, Esther Williamson – Prelude and Allegro(1965). Adler, Vienna Orchestra CRI 115.

Bauer, Marion – Suite for Strings (1940): Prelude and fugue (1948). Adler, Vienna Orchestra CRI 101.

Beach. Mrs. H.H.A.– Improvisations for Piano. Rogers. Dorian 1006.

Boulanger, Lili – Music of Lili Boluanger. Markevitch, Orchestre Lamoureux. Everest 3059.

Crawford (Seeger), Ruth – Quartet (1931) Amati Quartet. Columbia CMS-6142.

  • Study in Mixed Accents; Nine Preludes for Piano (1926). Bloch. CRI S-247.
  • Suite for Wind Quintet. Lark Quintet. CRI S-249.

Daniels, Mabel – Deep Forest (1931). Strickland, Tokyo Imperial Philharmonic, CRl 145.

Diemer, Emma Lou – Toccata for Flute Chorus. Armstrong Flute Ensemble. Golden Crest S·4088

Dillon, Fannie Charles – From the Chinese. Andrews. Dorian 1014.

Dworkin, Judith – Maurice ( 1955). Randolph Singers. CRI 1020.

Fine, Vivian – Alcestis (Ballet Music) (1960). Strickland, Tokyo Imperial Philharmonic. CRI 145.

  • Concertante for Piano and Orchestra ( 1944). Honstro. Watanabe. Japan Philharmonic. CRI 135.
  • Sinfonia and Fugato for Piano (1963). Helos. RCA LSC-7042.

Gideon, Miriam – How Goodly Are Thy Tents (Psalm 84) (1947). Weisgall, Chizuk Amuno Congregation Choral Society of Baltimore. Westminster 9634.

  • Lyric Pieces for Strings (1941). Strickland. Tokyo Imperial Philharmonic. CRI 170.
  • Suite No. 3 for Piano (1963). Helps. RCA LSC-7042.
  • Symphonia Brevis (1953). Monod. Zurich Radio Orchestra CRI 128.

Glanville-Hicks, Peggy – Nausicaa (Selections) (1961). Stratas, Modenos, Ruhl. Steffan. Surinach, Athens Symphony Orchestra. CRI 175.

  • Sonata for Harp ( 1953). Zabaleta. Counterpoint/ Esoteric 5523 .
  • Transposed Heads (1953). Nossman, Harlan, Picket, Bombard. Kentucky Opera Association, Louisville Orchestra. Two Discs, Louisville 545·6.

Howe, Mary – Castellana for Two Pianos and Orchestra (1935). Dougherty. Ruzicka, Strickland, Vienna Orchestra.CRI 124.

  • Spring Pastoral (1936). Strickland. Tokyo Imperial Philharmonic:. CRI 14
  • Stars (1937); Sand ( 1928). Strickland, Orchestra. CRI 103.

Ivey, Jean Eichelberger – Pinball (1965). Electronic. Folkways 33436.

Jolas, Betsy – Quatuor II. Mesplé, French Trio. Angel S-26655.

La Guerre, Elisabeth J. De – Harpsichord Pieces. Dart. Oiseau·Lyre 50183.

Lutyens, Elisabeth – Moret, Op. 27. Aldis Chorale. Argo 5426.

  • Quartet. Op. 25 (1952): Wind Quintet: Five Bagatelles. Dartington Quartet, Leonardo Wind Quintet. Argo 5425.
  • Quicunx, Manning, Howells, Procter, Nendick, Shirley-Quirk. BBC Symphony. Argo ZRG-622.

Maconchy, Elisabeth – Quartet No. 5 (1948). Allegri Quartet, Argo (5329).

Mamlok, Ursula – Variations for Solo Flute. Baron. CRI 212.

Oliveros, Pauline – Outline, for flute, Percussion and String Bass (An Improvisation Chart) (1962). N. and B. Turetsky, George, Nonesuch 7 1237.

  • Sound Patterns (1962). Lucier, Brandeis University Chamber Chorus. Odyssey 32160156.
  • I of IV ( 1966). Electronic. Odyssey 32160160

Perry, Julia – Homunculus C. F., for 10 Percussionists ( 1960). Price, Manhattan Percussion Ensemble CRI S·252.

  • Short Piece for Orchestra (1952). Strickland, Tokyo Imperial Philharmonic. CRI 145.
  • Stubat Mater (1951). Strickland, Japan Philharmonic. CRI 133.

Schumann, Clara – Trio in G minor. Mannes. Gimpel. Silva. Decca 9555.

Smiley, Pril – Eclipse (1967). Electronic. Turnabout 34301.

Talma, Louise – Corona(Holy Sonnets of John Donne). Arks. Dorian Chorus. CRI 187.

Toccata for Orchestra (1944). Strickland, Imperial Tokyo Philharmonic. CRI 145.

Warren, Elinor Remick – Abram in Egypt (1961); Suite for Orchestra (1954). Lewis . Wagner, London Philharmonic, Wagner Chorale, Strickland, Oslo Philharmonic. CRI 172.

White, Ruth – Trumps from the Tarot Cards(1968): Pinions (1968). Electronic. Limelight 86058.

 

*nota de tradução: O título original é “And Don’t call them ‘Lady’ Composers, na tradução optamos por traduzir como ‘mulher’ compositora ao invés de dama, por ser um termo utilizado frequentemente no brasil para ser referir a compositoras de um modo geral, em português existe uma versão feminina para a palavra compositor, compositora, embora as ferramentas de correção automática não reconheçam, equivalente ao termo que Pauline reivindicava, composeress, já palavra dama não tem um sentido semelhante ao empregado em inglês para a palavra Lady.

Lista final de participantes – OFICINA “Instrumentos Eletrônicos de Garagem”, com Vanessa De Michelis

bella

Camila Durães Zerbinatti

Carolina Braga Zanatta

Daniele Santos Dantas

Flora Holderbaum

Gabriela Barbara Rodrigues de Lima

Isabel Porto Nogueira

Jessica Karin Rosen

Leandra Duarte Lambert Soares

Mariana Torres de Carvalho

Monike Raphaela de Souza Santos

Sarah Alencar Alves

Tania Denise da Silva Meyer

Tânia Mello Neiva

Viviane Barbosa de Santana

Debate – Educação Musical sob perspectivas de gênero e feminismos

Debate – Educação Musical sob perspectivas de gênero e feminismos

26/11, sab, 14h-18h, Sala de Debates do CCSP.

Com as educadoras, artistas e pesquisadoras Eliana Monteiro da Silva (mediadora), Barbara Biscaro, Camila Zerbinatti, Isabel Nogueira e Vanessa Rodrigues.

 

Onde [não] estão as mulheres na música? Por que se observa uma maior quantidade de homens do que de mulheres atuando profissionalmente com música? Quais os caminhos para ampliar a participação e visibilidade das mulheres na música? Em que medida essas questões se relacionam com o campo da educação musical? Quais são as possíveis causas, problemas e desafios a serem enfrentados tanto no âmbito do ensino formal de música (do ensino infantil ao ensino superior), quanto em cursos livres, oficinas, festivais etc. Este debate pretende discutir questões como estas, buscando mapear o cenário atual e propor alternativas que possam contribuir positivamente para sua transformação, com ideias inovadoras, imaginativas, pensantes e desafiadoras.

 

O debate será dividido em dois blocos, com intervalo de 30 minutos:

 

Bloco I – Experiências e mapeamento dos problemas

Formato de mesa de debates com as convidadas. As perguntas abaixo foram encaminhadas previamente às debatedoras:

  1. Quais experiências educacionais ou não-educacionais moldaram o seu envolvimento com a música e as artes? Conte um pouco de como sua trajetória a levou a escolher essa área de atuação, levantando as experiências positivas e negativas.
  2. Por que, ainda hoje, mesmo com a visível expansão no Brasil dos diversos tipos de ações e instâncias de formação musical, as mulheres e meninas ainda são minoria em diversos cursos de graduação e pós-graduação, grupos e projetos voltados para a  música? Esse cenário apresenta diferenças nos contextos das chamadas músicas ‘eruditas’ e ‘populares’?
  3. Como o sistema educacional atual reforça e mantém um ambiente cultural que atribui às mulheres um papel restrito na sociedade? Comente como se dá a participação do Estado, das instituições de ensino, da religião e de outras instituições para a regulação desse papel.
  4. Em que medida a ausência de modelos ou referências de mulheres na música contribui para a manutenção de ambientes predominantemente masculinos?
  5. No campo institucional (universidades; concursos para cargos públicos; concursos e competições artísticas; seleções de projetos para receber fomento), a maior parte dos mecanismos de seleção se coloca como neutro no que diz respeito a questões de gênero. Entretanto, é notável a discrepância na quantidade de homens e mulheres que têm sucesso nesses processos. Para citar alguns exemplos concretos: 1) o número de professores nos cursos de música nas universidades públicas brasileiras é significativamente maior do que o número de professoras (a título de exemplo, nas universidades públicas paulistas, temos: USP   27 homens / 6 mulheres  (22%), UNICAMP   31 / 8  (20%), UNESP  20 / 8  (28%); 2) entre os 46 compositores premiados no último concurso da Bienal da Funarte de Música Clássica figura apenas 1 compositora [3,27%]; 3) numa orquestra como a OSESP, entre os 108 músicos listados, 80 são homens e apenas 28 (35%) são mulheres. Se as portas de entrada para essas posições realmente não fazem distinção de gênero, onde estariam localizados os empecilhos que provocam uma participação feminina numericamente muito inferior à masculina?
  6. A situação recorrente de confrontar um número maior de homens acaba levando as mulheres a adotar uma postura idealista, tendo que se superar e destacar no âmbito do grupo?
  7. Quais iniciativas já existem e que encorajam as meninas e se envolverem com a música?

 

Bloco II – Sugestões, alternativas, ideias inovadoras, imaginativas, pensantes e desafiadoras para a transformação desse panorama

Formato de roda de conversa. As perguntas abaixo serão encaminhadas a todas as pessoas presentes:

  1. Quais os caminhos para ampliar a participação, visibilidade e representatividade das mulheres na música?
  2. O que nós podemos e devemos (ou não) fazer para transformar esse cenário?

Participantes e Chamada de Suplentes – OFICINA “Instrumentos Eletrônicos de garagem”, com Vanessa De Michelis

bella

Camila Durães Zerbinatti

Carolina Braga Zanatta

Daniele Santos Dantas

Eliana Monteiro da Silva

Isabel Porto Nogueira

Jessica Karin Rosen

Leandra Duarte Lambert Soares

Maíra Mendes Galvão

Mariana Carvalho

Sarah Alencar Alves

Tânia Mello Neiva

Valéria Bonafé

 

As selecionadas devem confirmar a inscrição através do email sonoramulheres@gmail.com, até o dia 19/11, sábado.

Como recebemos 13 inscrições até a data limite, abrimos mais uma vaga: 13 selecionadas sem suplência. Porém, devido à procura que surgiu após o encerramento de inscrições, decidimos abrir NOVAS INSCRIÇÕES PARA SUPLENTES, que devem ser feitas através do email sonoramulheres@gmail.com, até o dia 19/11, sábado, contendo:

  • Nome completo
  • Data de nascimento
  • Telefone
  • Email
  • Endereço completo
  • Raça/etnicidade
  • Identidade de gênero
  • Como ficou sabendo da oficina
  • Experiência artística (500 caracteres com espaço)
  • Porque quer participar da oficina?  (500 caracteres com espaço)

Espaço Aberto (bloco 1) – Renata Roman e Natacha Maurer

Dissonantes

Renata Roman e Natacha Maurer

 

Dissonantes é uma série de apresentações de música experimental organizada por Renata Roman e Natacha Maurer. O projeto surge, em dezembro de 2015, como resposta à pergunta “onde estão as mulheres na cena experimental?” provocada pela reduzida presença feminina nos concertos e apresentações de música pelos quais passaram, seja apresentando-se, produzindo ou ainda enquanto público.

Visando modificar esse contexto e ampliar a participação das mulheres nessa cena, a série pretende criar um espaço de visibilidade e troca com apresentações de mulheres e/ou grupos compostos por pelo menos 50% de mulheres. Com periodicidade mensal e realizada em espaços diferentes, conta com duas apresentações por edição.

Renata Roman e Natacha Maurer conversarão com o público sobre a experiência de organizar o Dissonantes a partir da visão das organizadoras. Serão abordadas questões como busca de artistas, de espaços apoiadores (dado que o projeto é itinerante). Conversaremos também sobre a questão do público: nas apresentações do Dissonantes sempre foi observado uma maior homogeneidade de gêneros na plateia. Por que isso acontece no Dissonantes e não em outros eventos? como solucionar isso?

 

natacha-maurerNatacha Maurer

Desde de 2010 é produtora do Ibrasotope, núcleo de música experimental sediado  em São Paulo, com qual desenvolve diversos projetos, entre os quais se destaca o FIME –  Festival Internacional de Música Experimental (2015 / 2016). Integra, ao lado de Marcelo Muniz, a banda-duo “Brechó de Hostilidades Sonoras”, com o qual vem desenvolvendo trabalhos que envolvem concepção de instrumentos experimentação. Tem como interesse principal a pesquisa sobre possibilidades sonoras com instrumentos não convencionais.

 

renata-roman_arquivo-pessoalRenata Roman

Artista sonora. Seu trabalho transita entre música experimental, instalação , rádio arte e gravações de campo. Produtora, junto com Natacha Maurer, da série Dissonantes, voltada ao incentivo e visibilidade de mulheres artistas na cena experimental. Criadora do SP SoundMap (mapa sonoro de São Paulo).

Espaço Aberto (bloco 1) – Sonora Floripa SC

Relato de Processo do Sonora Floripa SC – Ciclo Internacional de Compositoras

Sonora Floripa SC (representada por Camila Durães Zerbinatti, Flora Holderbaum e Tânia Meyer)

 

Neste relato pretendemos compartilhar, a partir de nossas subjetividades, diferenças e semelhanças, um pouco do que foi o processo de mobilização, elaboração, construção e organização do Sonora Floripa SC, compartilhando os saberes e práticas vividos e construídos coletivamente neste processo.

A edição da Sonora em Florianópolis/SC surgiu para dar visibilidade à presença das MULHERES COMPOSITORAS no meio musical catarinense, reconhecendo e mapeando sua produção musical autoral em todas as vertentes musicais existentes no nosso estado. Além das apresentações das compositoras inscritas na Mostra de Palcos, abrimos inscrição também para as intérpretes em SC, por entendermos que as intérpretes são multiplicadoras das composições.

O evento ainda contou com um fórum temático abordando questões relevantes – como educação musical e gênero, acessibilidade às composições de mulheres, reflexões sobre o que já alcançamos em representatividade de mulheres na música em SC – e com uma mostra audiovisual com documentários e videoclipes sobre mulheres criadoras, compositoras e intérpretes em SC. Um ponto muito especial e comovente de nosso evento e do Fórum, foi a apresentação de Letícia Grala, professora de música da rede pública municipal de Florianópolis, com sua aluna Gabriela, Ventura, de apenas 13 anos.

Foram marcantes e característicos do evento a pluralidade, a diversidade, a inclusão, a coexistência das diferenças e dos/as diferentes, a representatividade, a colaboração, a valorização e o reconhecimento dos diversos saberes, práticas, formas de criar, ser e estar, na música e no mundo das mulheres da música em SC.

 

Sonora – Ciclo Internacional de Compositoras – Florianópolis/SC

A Mostra Sonora – Ciclo Internacional de Compositoras é um evento de alcance internacional e que integra uma rede global de mulheres na música que se fortalece cada vez mais. A edição da Sonora em Florianópolis/SC surgiu para dar visibilidade à presença das MULHERES COMPOSITORAS no meio musical catarinense, reconhecendo e mapeando sua produção musical autoral em todas as vertentes musicais existentes no nosso estado. Além das apresentações das compositoras inscritas na Mostra de Palcos, abrimos inscrição também para as intérpretes em SC, por entendermos que as intérpretes são multiplicadoras das composições, e tivemos a participação de 4 delas.  O evento ainda contou com um fórum temático abordando questões relevantes – como educação musical e gênero, acessibilidade às composições de mulheres, reflexões sobre o que já alcançamos em representatividade de mulheres na música em SC – e uma mostra audiovisual com documentários e videoclipes sobre mulheres criadoras, compositoras e intérpretes em SC. Um ponto muito especial e comovente de nosso evento e do Fórum, foi a apresentação de Letícia Grala, professora de música da rede pública municipal de Florianópolis, com sua aluna Gabriela Venturi, de apenas 13 anos de idade.

 

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Foto: Chris Mayer

 

 

foto-camila-dura%cc%83es-zerbinattiCamila Durães Zerbinatti

Nasci em São Paulo, onde comecei a amar a música ouvindo meu pai cantar, minha mãe cantarolar e adorando escutar um par de fitas cassetes e LPs vezes sem fim. Comecei a estudar música com Fátima Viegas e continuei meus estudos de piano com o mestre Armando Fava Filho. Me apaixonei pelo violoncelo quando o vi na apresentação de uma orquestra jovem no salão da Igreja São Francisco, Jaguaré. Não sei o porquê nem como, mas senti que queria muito tocar aquele instrumento, e aconteceu! Fiz licenciatura em música na USP, pós-graduações em música contemporânea e curso técnico em violoncelo na UFRN, me tornei mestra em musicologia-etno-musicologia na UDESC, continuando as pesquisas sobre música contemporânea e performance para violoncelo. Neste caminho descobri as mulheres compositoras e me descobri mulher e feminista. Sou educadora há 14 anos, trabalhando na educação infantil e instrumental, de crianças, jovens, adolescentes e adultos. Sinto que as coisas acontecem todas juntas: tocar, aprender, criar, educar, descobrir, sentir, pensar, pesquisar, vir a ser quem sou – aqui e agora, num fluxo contínuo.

 

flora_2Flora Holderbaum

É violinista, pesquisadora, compositora e poeta dos parêntesis. Seu trabalho envolve pesquisa e prática com poesia sonora, arte sonora e música instrumental. Faz parte do núcleo de Sonologia da USP, onde é doutoranda em Processos de Criação Sonora. Tem apresentado trabalhos em diversos eventos e locais no Brasil, entre eles a II Bienal de Curitiba (PR), EIMAS (MG), ENCUN (RJ-SP)e FIME (SP).

 

taniameyerTania Meyer

59 anos de idade, natural de Santa Maria/RS residente em São José/SC há 27 anos, compositora, cantora, atriz, contadora de histórias, pertence a Academia Brasileira de Contadores de Histórias- ABCH, com sede em Florianópolis, ocupando a cadeira de número sete, é professora no Instituto Federal de Santa Catarina-IFSC há 19 anos, trabalha com o coral e o teatro no ensino técnico integrado ao ensino médio. Atualmente está fazendo uma Especialização de Gênero e Diversidade na Escola – GDE de Ensino a Distância na Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC, o trabalho desenvolvido trata sobre a transexualidade.

Espaço Aberto (bloco 1) – Tania Meyer

Gênero e Diversidade em aulas de arte/teatro na escola: uma experiência pedagógica no IFSC

Tania Meyer

Eu vou apresentar um banner com o resultado deste trabalho sobre Gênero e Diversidade na Escola, onde eu trato a questão da transexualidade através da releitura do filme: “A Garota Dinamarquesa”, os alunos criam um esquete teatral e abordam temas como gênero, igualdade e identidade de gênero, preconceito, diversidade, orientação sexual, nome social, além da transexualidade, relacionando a importância da arte no trabalho com o conceito de gênero, no contexto escolar.

Tania Meyer

taniameyer

59 anos de idade, natural de Santa Maria/RS residente em São José/SC há 27 anos, compositora, cantora, atriz, contadora de histórias, pertence a Academia Brasileira de Contadores de Histórias- ABCH, com sede em Florianópolis, ocupando a cadeira de número sete, é professora no Instituto Federal de Santa Catarina-IFSC há 19 anos, trabalha com o coral e o teatro no ensino técnico integrado ao ensino médio. Atualmente está fazendo uma Especialização de Gênero e Diversidade na Escola – GDE de Ensino a Distância na Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC, o trabalho desenvolvido trata sobre a transexualidade.

Espaço Aberto (bloco 1) – Tania Mello Neiva

Como o campo da música experimental se configura em relação às mulheres criadoras – apresentação de resultados temporários de pesquisa de campo

Tania Mello Neiva

 

É uma apresentação dos resultados da pesquisa sobre a formação do campo da música experimental no Brasil e como esta se comporta em relação à participação feminina. Será expositivo com apresentação de dados relativos ao campo.

Quando falamos em música experimental podemos estar nos referindo a uma infinidade de práticas musicais diferentes. No caso da presente pesquisa o termo música experimental será usado em referência à práticas como: música de ruído, improvisação livre, utilização de objetos amplificados, circuit bending, paisagem sonora e algumas outras. Nessa comunicação pretendo fazer uma breve introdução explicando essas práticas através de exemplos. Em seguida apresentarei dados referentes à dinâmica de funcionamento desse campo. Através de depoimentos de produtores da cena, análise de programas de concertos/apresentações e de releases de cds e selos independentes pretendo mostrar como a cena tem se comportado nos últimos anos (aproximadamente 8 anos) em relação à presença feminina. É uma pesquisa ainda em andamento, portanto, os dados apresentados não serão definitivos. O intuito da apresentação é divulgar os dados já coletados e abrir para o debate.

 

tanianeiva

Foto: Gustavo Ferri

Tania Mello Neiva

Tânia Neiva tem atuado como violoncelista nos últimos 13 anos, especialmente com música antiga e contemporânea. Também tem experiência como educadora musical tanto como professora de instrumento (piano e violoncelo), como com musicalização infantil. É mestre em musicologia pela Unicamp (2006) e atualmente desenvolve sua pesquisa de doutorado na UFPB pesquisando mulheres criadoras brasileiras na música experimental. É orientada, em sua pesquisa, pelos pesquisadores professores Profa. Dra. Adriana Fernandes e Prof. Dr. Didier Guigue. É membro do coletivo de arte + um coletivo de arte, com o qual atua como performer, criadora e violoncelista. Também é membro da rede Sonora.

Espaço Aberto (bloco 1) – Camila Durães Zerbinatti

Investigações iniciais sobre a condição de sujeito nômade em/de Kaija Saariaho: abordagem de questões de gênero feitas por uma compositora mulher em declarações públicas.

Camila Durães Zerbinatti

 

Neste artigo apresento reflexões analíticas de investigações iniciais sobre declarações públicas da compositora finlandesa Kaija Saariaho (1952-) nas quais questões de gênero são abordadas. Foram selecionados para análise preliminar trechos de entrevistas de mídia escrita/ impressa e declarações textuais de Saariaho que abordam situações e discussões de gênero na música. A análise segue o referencial teórico oferecido por MOISALA (2000, 2009, 2011) e BRAIDOTTI (1994, 2011). O objetivo da pesquisa é investigar a condição de sujeito nômade em/de Saariaho.

Saariaho têm se posicionado gradativamente mais direta e enfaticamente com relação ao gênero e às mulheres na música, o que acontece durante e logo após um período de notável e crescente reconhecimento e visibilidade de sua obra (os primeiros quinze anos do século XXI). Segundo Moisala, a compositora encontrou uma “outra” posição-de-sujeito-de-gênero (gender subject position) em sua história de negociação de gênero no mundo da música, predominante dominado e integrado por homens, que “é a posição do sujeito nômade. A posição do sujeito nômade não permanece dentro do sistema patriarcal da música clássica mas, ao contrário, o transforma.” (MOISALA, 2000, p. 185) 1 O conceito de sujeito nômade, cujas raízes estão em Deleuze e Guattarri, é aprofundado e (re)elaborado por Rosi Braidotti:

“O nômade expressa minhas próprias figurações de uma compreensão situada, culturalmente diferenciada do sujeito. (…) Enquanto eixos de diferenciação como classe, raça, etnia, gênero, idade, e outros interagem uns com os outros na constituição da subjetividade, a noção de nomadismo se refere à ocorrência simultânea de muitos deles de uma vez. Subjetividade nômade tem a ver com a simultaneidade de identidades complexas e multi-dimensionadas. Falar como uma feminista acarreta o reconhecimento da prioridade do gênero, em estruturar essas relações complexas.” (BRAIDOTTI, 2002: 10)

Pretendo conversar com as reflexões apresentadas a partir da minha voz mas também a partir de algumas improvisações-gambiarras ao violoncelo.

REFERÊNCIAS

  • BRAIDOTTI, Rosi. Diferença, Diversidade e Subjetividade Nômade, Tradução de Roberta Barbosa. labrys, estudos feministas número 1-2, julho/ dezembro 2002. http://www.historiacultural.mpbnet.com.br/feminismo/Diferenca_Diversidade_e_Subjetividade_Nomade.pdf Acessado em 27/10/2016.
  • MOISALA, Pirkko. Gender Negotiation of the Composer Kaija Saariaho in Finland: The Woman Composer as Nomadic Subject. In: MOISALA, Pirkko; DIAMOND, Beverley. (Editors). Music and Gender. Urbana and Chicago: University of Illinois Press, 2000. p. 166- 188.

 

Camila Durães Zerbinatti

foto-camila-dura%cc%83es-zerbinattiNasci em São Paulo, onde comecei a amar a música ouvindo meu pai cantar, minha mãe cantarolar e adorando escutar um par de fitas cassetes e LPs vezes sem fim. Comecei a estudar música com Fátima Viegas e continuei meus estudos de piano com o mestre Armando Fava Filho. Me apaixonei pelo violoncelo quando o vi na apresentação de uma orquestra jovem no salão da Igreja São Francisco, Jaguaré. Não sei o porquê nem como, mas senti que queria muito tocar aquele instrumento, e aconteceu! Fiz licenciatura em música na USP, pós-graduações em música contemporânea e curso técnico em violoncelo na UFRN, me tornei mestra em musicologia-etno-musicologia na UDESC, continuando as pesquisas sobre música contemporânea e performance para violoncelo. Neste caminho descobri as mulheres compositoras e me descobri mulher e feminista. Sou educadora há 14 anos, trabalhando na educação infantil e instrumental, de crianças, jovens, adolescentes e adultos. Sinto que as coisas acontecem todas juntas: tocar, aprender, criar, educar, descobrir, sentir, pensar, pesquisar, vir a ser quem sou – aqui e agora, num fluxo contínuo.