Ata da reunião de 29/10/2018 – Visões com Teca Alencar de Brito

Nesta 9ª edição de Visões, a Sonora recebe Teca Alencar de Brito, Doutora e Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC- SP, Bacharel em Piano e Licenciada em Ed. Artística com habilitação em Música. Professora e pesquisadora no CMU/ECA/USP, Teca criou, há trinta e quatro anos, a Teca Oficina de Música, núcleo de educação musical voltado à formação de crianças, adolescentes, adultos e educadores, em São Paulo, Brasil. Autora de vários artigos e livros, produziu oito CDs que documentam a produção musical de crianças e adolescentes da Teca Oficina de Música. Sobre tudo isso ela conversa com alunas (os) da ECA, convidadas (os) e pessoas da Sonora.

 

Trajetória

Teca contou que iniciou os estudos de música pela prática do piano, ainda criança. Cedo ela percebeu que o estudo rígido e tradicional do instrumento não era o que procurava, nem o que considerava importante para o fazer musical.

Sua professora de piano, por outro lado, deu-lhe liberdade para descobrir e experimentar a improvisação por conta própria, entendeu que a menina tinha condições e curiosidade para ir além do estudo técnico do instrumento.

Teca lecionou em diversas escolas antes de ter a sua. De uma delas foi demitida porque a coordenação disse que a escola não tinha seu perfil. E Teca agradece a este fato, pois em outras escolas encontrou ambientes férteis para desenvolver seu trabalho autoral.

 

Koellreutter

Seu relacionamento com o flautista, educador, agitador cultural e músico em geral foi fundamental. Teca estudou e trabalhou com Koellreutter por muitos anos. Chegou a fazer uma viagem com ele e outras (os) pesquisadoras (os)/músicas (os) para a Índia. Teca participou desta imersão com o mestre, assistindo aos indianos improvisar – o que lhes é culturalmente natural.

 

Oficina de Música

Em sua escola, Teca oferece liberdade para as crianças escolherem que instrumentos querem tocar, como e quando. Ela critica o ensino que impede que as crianças se coloquem, exponham suas ideias, componham suas músicas. O mais importante, segundo ela, é escutá-las, acolher suas contribuições e trabalhar com elas a partir disso.

São processos auto-poiéticos, como ela diz.

 

Espaço de criação

Hoje, Teca crê que esteja havendo um retrocesso muito grande na educação musical. Ainda que professores usem materiais novos, técnicas inovadoras, entre outros, raramente há espaço para a criação. Materiais vem com instruções, roteiros e regras. Desta forma, por mais que materiais e técnicas sejam “modernos”, o processo é arcaico. E isso vem aumentando dia a dia, infelizmente.

O sentido de se fazer música

Crianças fazem música com letra, abrem a boca e saem cantando. Quando a música é criada, Teca aponta o que está ali, cria pontes com o pensamento humano de forma, elementos, estrutura. Teca também grava os (as) alunos (as). Isso é importante, porque as crianças esquecem o que criaram e, frequentemente, modificam o que fizeram.

Nos territórios da educação musical, é preciso abrir espaço e dar tempo para que emerjam as ideias das crianças. E não ouvir com espírito e ouvidos já pré-estabelecidos. O que um entende como música não é necessariamente o que entendem os demais.

 

Exemplos

Teca contou histórias e mais histórias de como surgiram os CDs que ela gravou com as crianças. Mostrou vídeos e fez tocar algumas faixas dos discos de sua escola. Os exemplos, assim como a fala completa de Teca foi compartilhada em tempo real e está disponível no canal da Sonora no youtube. O link da transmissão pode ser conferido na aba “Atividades regulares – Visões” do nosso site.

 

 

 

 

 

 

 

 

Visões “Música, infância e educação: que jogo é esse?” – por Teca Alencar de Brito

Música, infância e educação: que jogo é esse?

A partir de experiências pessoais, abordarei aspectos relativos ao acontecimento musical no curso da infância; à sua presença nos territórios da Educação, bem como, à formação de educadores musicais.

Teca Alencar de Brito

Doutora e Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC- SP, é Bacharel em Piano e Licenciada em Ed. Artística com habilitação em Música. Professora e pesquisadora no CMU/ECA/USP, criou, há trinta e quatro anos, a Teca Oficina de Música, núcleo de educação musical voltado à formação de crianças, adolescentes, adultos e educadores, em São Paulo, Brasil. Autora de vários artigos e livros, produziu  oito CDs que documentam a produção musical de crianças e adolescentes da Teca Oficina de Música.

Debate – Educação Musical sob perspectivas de gênero e feminismos

Debate – Educação Musical sob perspectivas de gênero e feminismos

26/11, sab, 14h-18h, Sala de Debates do CCSP.

Com as educadoras, artistas e pesquisadoras Eliana Monteiro da Silva (mediadora), Barbara Biscaro, Camila Zerbinatti, Isabel Nogueira e Vanessa Rodrigues.

 

Onde [não] estão as mulheres na música? Por que se observa uma maior quantidade de homens do que de mulheres atuando profissionalmente com música? Quais os caminhos para ampliar a participação e visibilidade das mulheres na música? Em que medida essas questões se relacionam com o campo da educação musical? Quais são as possíveis causas, problemas e desafios a serem enfrentados tanto no âmbito do ensino formal de música (do ensino infantil ao ensino superior), quanto em cursos livres, oficinas, festivais etc. Este debate pretende discutir questões como estas, buscando mapear o cenário atual e propor alternativas que possam contribuir positivamente para sua transformação, com ideias inovadoras, imaginativas, pensantes e desafiadoras.

 

O debate será dividido em dois blocos, com intervalo de 30 minutos:

 

Bloco I – Experiências e mapeamento dos problemas

Formato de mesa de debates com as convidadas. As perguntas abaixo foram encaminhadas previamente às debatedoras:

  1. Quais experiências educacionais ou não-educacionais moldaram o seu envolvimento com a música e as artes? Conte um pouco de como sua trajetória a levou a escolher essa área de atuação, levantando as experiências positivas e negativas.
  2. Por que, ainda hoje, mesmo com a visível expansão no Brasil dos diversos tipos de ações e instâncias de formação musical, as mulheres e meninas ainda são minoria em diversos cursos de graduação e pós-graduação, grupos e projetos voltados para a  música? Esse cenário apresenta diferenças nos contextos das chamadas músicas ‘eruditas’ e ‘populares’?
  3. Como o sistema educacional atual reforça e mantém um ambiente cultural que atribui às mulheres um papel restrito na sociedade? Comente como se dá a participação do Estado, das instituições de ensino, da religião e de outras instituições para a regulação desse papel.
  4. Em que medida a ausência de modelos ou referências de mulheres na música contribui para a manutenção de ambientes predominantemente masculinos?
  5. No campo institucional (universidades; concursos para cargos públicos; concursos e competições artísticas; seleções de projetos para receber fomento), a maior parte dos mecanismos de seleção se coloca como neutro no que diz respeito a questões de gênero. Entretanto, é notável a discrepância na quantidade de homens e mulheres que têm sucesso nesses processos. Para citar alguns exemplos concretos: 1) o número de professores nos cursos de música nas universidades públicas brasileiras é significativamente maior do que o número de professoras (a título de exemplo, nas universidades públicas paulistas, temos: USP   27 homens / 6 mulheres  (22%), UNICAMP   31 / 8  (20%), UNESP  20 / 8  (28%); 2) entre os 46 compositores premiados no último concurso da Bienal da Funarte de Música Clássica figura apenas 1 compositora [3,27%]; 3) numa orquestra como a OSESP, entre os 108 músicos listados, 80 são homens e apenas 28 (35%) são mulheres. Se as portas de entrada para essas posições realmente não fazem distinção de gênero, onde estariam localizados os empecilhos que provocam uma participação feminina numericamente muito inferior à masculina?
  6. A situação recorrente de confrontar um número maior de homens acaba levando as mulheres a adotar uma postura idealista, tendo que se superar e destacar no âmbito do grupo?
  7. Quais iniciativas já existem e que encorajam as meninas e se envolverem com a música?

 

Bloco II – Sugestões, alternativas, ideias inovadoras, imaginativas, pensantes e desafiadoras para a transformação desse panorama

Formato de roda de conversa. As perguntas abaixo serão encaminhadas a todas as pessoas presentes:

  1. Quais os caminhos para ampliar a participação, visibilidade e representatividade das mulheres na música?
  2. O que nós podemos e devemos (ou não) fazer para transformar esse cenário?