Ata da reunião de 02/12/2019 – Operacional

Informes

  • Lilian trouxe notícias da requisição que a Sonora fez para que a ECA providencie alguns trocadores para a escola. O diretor disse que encaminhou um pedido de pesquisa sobre como estes devem ser colocados, onde podem ser adquiridos, etc. O tema vai ser discutido na próxima reunião da congregação ou do conselho do CMU.
  • Marina disse que o projeto Carteadas vai ser publicado em breve no álbum do Sonatório – Desafios Sonoros. Ela trouxe a gravação final para aprovação do grupo.
  • Marina comentou o feminicídio ocorrido no mês passado na Universidade do Recôncavo Baiano. Ela sugeriu fazer uma chamada para um novo projeto Desafios-Sonoros abordando o tema do feminicídio, em homenagem à mulher assassinada.
  • Dani contou que em 2020 vai gravar um áudio para a sua tese. Ela convidou integrantes da Sonora para participar. Ela também está estudando a hipótese de realizar uma apresentação ao vivo na defesa.

Pauta

Laura Mello: nesta reunião a Laura, que mora fora do Brasil, esteve presente. Além de nos contar sobre sua trajetória profissional, Laura falou sobre seu projeto com o músico Alexandre Fenerich, intitulado Radio Pamonha.

  • Laura e Alexandre estão lançando um projeto chamado Distopia, com pequenos focos em cidades diversas. Para esta iniciativa ela convidou a Sonora para participar, aqui no Brasil. Seria o Distopia Brasil.
  • Ela comentou sobre uma galeria chamada SAVVY Contemporary, que também recebe projetos e realiza parcerias. Aqui no Brasil ela está em contato com o SESC.
  • Laura nos deu um livro sobre os festivais de música eletroacústica Heroins of Sound. O livro traz artigos sobre as edições de 2014 a 2018 do festival. Ela deixou um pendrive com dados do projeto para que vejamos depois.

GE Vanessa De Michelis, divulgação:

  • Marina ficou de fazer e Eliana vai postar no site e facebook.

Balanço de 2019:

  • 25/02: Foi decidido o pedido de participação da Sonora na Comissão de Direitos Humanos por meio de uma representante. A participação se efetivou em maio de 2019, quando a Eliana foi à 1ª reunião da comissão.
  • 25/03: 1ª Reunião Sonora de 2019 – Sonorização ao vivo de vídeo-arte de mulheres brasileiras / Apresentação da Rede Sonora. Material requisitado: objetos musicais / sonoros. O vídeo do evento está disponível no site da Sonora.
  • 20/05: GE sobre texto “Hydrofeminism: Or, On Becoming a Body of Water” de Astrida Neimanis. O vídeo do evento está disponível no site da Sonora.
  • 03/06: Visões com “Vozes Inaudiáveis”. O vídeo do evento está disponível no site da Sonora.
  • 10/06: GE sobre texto “Lauren Otamina e eu nos portões do fim do mundo”, de Jota Mombaça. Para esta atividade foi realizada uma leitura de tarô pelo integrante Francisco L. Ribeiro.
  • 24/06: Confecção de projeto com orçamento para projeto NuSom. Envio de programa de radio sobre Valéria Bonafé e Alma Laprida para Projeto Tsonami, na Bolívia. Os créditos deste programa estão disponíveis no site da Sonora.
  • 01/07: “Escuta:” com Jazzmin’s. Local: Espaço das Artes da USP. O vídeo do evento está sendo editado para ser disponibilizado no site da Sonora.
  • 19/08: Atividades ligadas à apresentação da Ópera P.R.I.S.M., realizada no Teatro Municipal. Valéria Bonafé participou da atividade “Roda Viva” e Lilian Campesato participou do podcast “Teatro Municipal”.
  • 29/10: Gravação de “Carteadas”, para o projeto Desafios Sonoros, (do Sonatório) no estúdio do CMU.
  • 25/11: Encontro com Tom Richards

Desejos para 2010:

  • Evento sobre maternidade;
  • Trazer pessoas que discutam sobre vocabulário, gênero-inclusivo. Isso se deu a partir de nossas discussões sobre o uso do “x”, “e”, “i”, “@” nos textos do site sobre a Sonora;
  • Fazer algo especial para os 5 anos da Sonora;
  • Convidar Thais para falar da pesquisa dela na Sonora;
  • Convidar Cláudio Bueno, Coletivo Explode! – que faz residência para um público LGBTQI+ para falar na Sonora/Nusom;
  • Convidar Daniel Lima, da frente 3 de fevereiro, movimento negro;
  • Retomar sessões de Escuta, cada pessoa trazia 3 escutas e apresentava o trabalho, fazia um post no site.
  • Flora e Irina falaram da importância de fazermos algo da Sonora na semana dos Calouros, para xs alunxs da graduação saberem que existimos.

Tarot – por Francisco Lauridsen:

  • Foi feita uma leitura para a Sonora enquanto grupo.

Calendário

  • 9/12 -GE com Vanessa De Michelis. Excepcionalmente às 14:00. Depois, pizza de encerramento.

Ata da reunião de 10/06/2019 – GE com Francisco L. Ribeiro. Texto: Lauren Olamina e eu nos portões do fim do mundo – Jota Mombaça.

Para este GE, Chico preparou uma leitura de tarot a ser realizada no início desta reunião. Porém esta atividade ficou para o final do encontro, depois das leituras e discussões.

A Jota é uma autora não binária que realiza estudos queer, mora em Lisboa, mas tem fortes raízes no nordeste do Brasil. Chico conta que ela nasceu em 1991. Em uma de suas biografias aparece a necessidade da leitura não como inserção no quadro intelectual dominante. Ela estuda teorias hipercríticas, mais diagonais.

Jota traduziu o livro Parable of the Sower, de Octavia E. Butler. O texto deste GE foi o ensaio-resenha que a autora escreveu para o livro, do qual Lauren Olamina é a personagem principal.

Chico fez algumas perguntas relacionando este texto com dois vídeos de Donna Haraway previamente escolhidos por ele: um fragmento e um trailer do documentário story telling for earthly survival. Ele cita outro vídeo desta última, realizado no Encontro “Os mil nomes de Gaia”.

Donna Haraway é antropóloga, autora de “A Cyborg Manifesto: Science, Technology, and Socialist-Feminism in the Late Twentieth Century.” Ela tem um olhar fundado na religião.

De acordo com Chico, o princípio norteador desta exposição é a questão do fim do mundo. Jota se diz negra, num corpo que Chico chama de “monstro-política”. Ele pensou num texto curto para que possamos fabular sobre ele.

Chico diz que Donna Haraway faz uma imagem do fim do mundo com raiz em sua fé católica. Sua visão é diferente da de Jota no que diz respeito ao fim de mundo (Jota pensa em fins de mundo, no plural).

De alguma maneira este texto nos remeteu ao texto que lemos no último GE, Hydrofeminism. O anterior dizia respeito a um outro tipo de apocalipse, o do envenenamento das águas e, portanto, de todos os seres vivos.

Jota traz questões sobre ser negro(a), sobre políticas decoloniais, tempos múltiplos. Pensar no fim como continuidade da vida. Donna Haraway fala do tempo pós-colapso.

Chico formulou as seguintes perguntas:

  • O que é poder pensar o fim?
  • O medo do fim seria o medo do fim de uma realidade dominante? O pudor de lidar com o fim estaria relacionado ao modus operandi patriarcal e colonialista? Pensando em mitos raciais, de gênero, que são fundadores de uma historicidade dominante.
  • Modus fabulatórius. Os mundos fraturados fabulam a continuidade do fim. Negros(as) entraram no mundo acadêmico pelas fraturas dos sistemas.
  • As narrativas da palavra mulher também estão repletas de fraturas.
  • Estudos para fugas indefinidas, sem finalidade.

Sobre o vídeo da Donna Haraway, ela fala sobre a fabulação que existe na academia, e também das contadoras de histórias, como mães e/ou pais para filhas(os), etc.

Quando há pressões fascistas, estas impedem que se crie fins de mundos, cerceia a criação artística, impõe uma disputa de imaginário. A fabulação está ligada à liberdade, ou liberdades, como uma rebeldia. Surgem outras fabulações:

  • Existem muitas lógicas atuando ao mesmo tempo.
  • Temer o fim do mundo seria também superestimar a nossa espécie, como se fôssemos mais importantes que as demais espécies.

O tarot:

Chico pediu a cada uma de nós para pensar um desejo individual e um para o grupo. Tiraremos 2 cartas cada, olharemos sem virar, e dar a ele. Depois ele vai interpretar e nos dar a devolutiva.

É preciso tirar com a mão esquerda. Quem quiser começa. Num segundo momento ele vai misturar as cartas sem saber qual é de quem.

Chico fez uma leitura de todas as cartas no contexto da rede Sonora. Foi uma experiência muito intensa e interessante!