Espaço Aberto (bloco 1) – Tania Mello Neiva

Como o campo da música experimental se configura em relação às mulheres criadoras – apresentação de resultados temporários de pesquisa de campo

Tania Mello Neiva

 

É uma apresentação dos resultados da pesquisa sobre a formação do campo da música experimental no Brasil e como esta se comporta em relação à participação feminina. Será expositivo com apresentação de dados relativos ao campo.

Quando falamos em música experimental podemos estar nos referindo a uma infinidade de práticas musicais diferentes. No caso da presente pesquisa o termo música experimental será usado em referência à práticas como: música de ruído, improvisação livre, utilização de objetos amplificados, circuit bending, paisagem sonora e algumas outras. Nessa comunicação pretendo fazer uma breve introdução explicando essas práticas através de exemplos. Em seguida apresentarei dados referentes à dinâmica de funcionamento desse campo. Através de depoimentos de produtores da cena, análise de programas de concertos/apresentações e de releases de cds e selos independentes pretendo mostrar como a cena tem se comportado nos últimos anos (aproximadamente 8 anos) em relação à presença feminina. É uma pesquisa ainda em andamento, portanto, os dados apresentados não serão definitivos. O intuito da apresentação é divulgar os dados já coletados e abrir para o debate.

 

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Foto: Gustavo Ferri

Tania Mello Neiva

Tânia Neiva tem atuado como violoncelista nos últimos 13 anos, especialmente com música antiga e contemporânea. Também tem experiência como educadora musical tanto como professora de instrumento (piano e violoncelo), como com musicalização infantil. É mestre em musicologia pela Unicamp (2006) e atualmente desenvolve sua pesquisa de doutorado na UFPB pesquisando mulheres criadoras brasileiras na música experimental. É orientada, em sua pesquisa, pelos pesquisadores professores Profa. Dra. Adriana Fernandes e Prof. Dr. Didier Guigue. É membro do coletivo de arte + um coletivo de arte, com o qual atua como performer, criadora e violoncelista. Também é membro da rede Sonora.

Espaço Aberto (bloco 1) – Camila Durães Zerbinatti

Investigações iniciais sobre a condição de sujeito nômade em/de Kaija Saariaho: abordagem de questões de gênero feitas por uma compositora mulher em declarações públicas.

Camila Durães Zerbinatti

 

Neste artigo apresento reflexões analíticas de investigações iniciais sobre declarações públicas da compositora finlandesa Kaija Saariaho (1952-) nas quais questões de gênero são abordadas. Foram selecionados para análise preliminar trechos de entrevistas de mídia escrita/ impressa e declarações textuais de Saariaho que abordam situações e discussões de gênero na música. A análise segue o referencial teórico oferecido por MOISALA (2000, 2009, 2011) e BRAIDOTTI (1994, 2011). O objetivo da pesquisa é investigar a condição de sujeito nômade em/de Saariaho.

Saariaho têm se posicionado gradativamente mais direta e enfaticamente com relação ao gênero e às mulheres na música, o que acontece durante e logo após um período de notável e crescente reconhecimento e visibilidade de sua obra (os primeiros quinze anos do século XXI). Segundo Moisala, a compositora encontrou uma “outra” posição-de-sujeito-de-gênero (gender subject position) em sua história de negociação de gênero no mundo da música, predominante dominado e integrado por homens, que “é a posição do sujeito nômade. A posição do sujeito nômade não permanece dentro do sistema patriarcal da música clássica mas, ao contrário, o transforma.” (MOISALA, 2000, p. 185) 1 O conceito de sujeito nômade, cujas raízes estão em Deleuze e Guattarri, é aprofundado e (re)elaborado por Rosi Braidotti:

“O nômade expressa minhas próprias figurações de uma compreensão situada, culturalmente diferenciada do sujeito. (…) Enquanto eixos de diferenciação como classe, raça, etnia, gênero, idade, e outros interagem uns com os outros na constituição da subjetividade, a noção de nomadismo se refere à ocorrência simultânea de muitos deles de uma vez. Subjetividade nômade tem a ver com a simultaneidade de identidades complexas e multi-dimensionadas. Falar como uma feminista acarreta o reconhecimento da prioridade do gênero, em estruturar essas relações complexas.” (BRAIDOTTI, 2002: 10)

Pretendo conversar com as reflexões apresentadas a partir da minha voz mas também a partir de algumas improvisações-gambiarras ao violoncelo.

REFERÊNCIAS

  • BRAIDOTTI, Rosi. Diferença, Diversidade e Subjetividade Nômade, Tradução de Roberta Barbosa. labrys, estudos feministas número 1-2, julho/ dezembro 2002. http://www.historiacultural.mpbnet.com.br/feminismo/Diferenca_Diversidade_e_Subjetividade_Nomade.pdf Acessado em 27/10/2016.
  • MOISALA, Pirkko. Gender Negotiation of the Composer Kaija Saariaho in Finland: The Woman Composer as Nomadic Subject. In: MOISALA, Pirkko; DIAMOND, Beverley. (Editors). Music and Gender. Urbana and Chicago: University of Illinois Press, 2000. p. 166- 188.

 

Camila Durães Zerbinatti

foto-camila-dura%cc%83es-zerbinattiNasci em São Paulo, onde comecei a amar a música ouvindo meu pai cantar, minha mãe cantarolar e adorando escutar um par de fitas cassetes e LPs vezes sem fim. Comecei a estudar música com Fátima Viegas e continuei meus estudos de piano com o mestre Armando Fava Filho. Me apaixonei pelo violoncelo quando o vi na apresentação de uma orquestra jovem no salão da Igreja São Francisco, Jaguaré. Não sei o porquê nem como, mas senti que queria muito tocar aquele instrumento, e aconteceu! Fiz licenciatura em música na USP, pós-graduações em música contemporânea e curso técnico em violoncelo na UFRN, me tornei mestra em musicologia-etno-musicologia na UDESC, continuando as pesquisas sobre música contemporânea e performance para violoncelo. Neste caminho descobri as mulheres compositoras e me descobri mulher e feminista. Sou educadora há 14 anos, trabalhando na educação infantil e instrumental, de crianças, jovens, adolescentes e adultos. Sinto que as coisas acontecem todas juntas: tocar, aprender, criar, educar, descobrir, sentir, pensar, pesquisar, vir a ser quem sou – aqui e agora, num fluxo contínuo.

Chamada pública – OFICINA “Instrumentos Eletrônicos de garagem”, com Vanessa De Michelis

Estão encerradas as inscrições para a oficina “Instrumentos Eletrônicos de garagem”, com Vanessa De Michelis, que acontecerá como parte da programação do Encontra 2016. A oficina será dia 27/11, das 10h às 13h, no Disjuntor.

[Ver a lista de participantes aqui + chamada de suplentes]

 

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Cronograma

  • até 15/11: Inscrições através de formulário eletrônico.
  • 16/11: Divulgação das participantes selecionadas no site www.sonora.me e facebook.
  • 17-20/11: As selecionadas devem confirmar sua participação através do email sonoramulheres@gmail.com.
  • 21-23/11: Chamada de eventuais suplentes.
  • 27/11: Oficina!

 

Resultado – Convocatória CRIAÇÃO DE MÚSICA-VISUAL: MULHERES CRIADORAS

Depois do sucesso de inscrições recebidas (64 projetos) e do intenso trabalho da comissão de seleção, divulgamos aqui as artistas selecionadas através da convocatória Criação Musical-Visual: Mulheres Criadoras, uma parceria realizada entre a Sonora/Encontra 2016 e o 4º Festival Música Estranha. Devido o grande número de propostas bem qualificadas a comissão de seleção decidiu abrir uma 3ª vaga.

Artistas selecionadas (em ordem de inscrição)

  • bella: embrulho
  • Elisabete Finger e Alessa Camarinha: Movers
  • Leila Monsegur e Flora Holderbaum: Miss Sound System

Suplentes*

  1. Teresa N. Pavía: A T’aan/imagem sonora
  2. Marina Mapurunga, Izabella Baldoíno e Daniele Costa: Estafa Mental nº1
  3. Leandra Lambert e Isabel Nogueira: Cut-up Tragedy Cut-up

* Em caso de desistência, as suplentes serão chamadas na ordem divulgada.

A todas as participantes, nosso muito obrigado. Agradecemos também à comissão de seleção formada por: Daniela Avelar, Lílian Campesato, Magda Pucci, Mariana Carvalho, Raimo Benedetti, Thiago Cury e Valéria Bonafé.

Para mais informações, acompanhe a programação da Encontra 2016 e do 4º Festival Música Estranha.

Chamada interna – ESPAÇO ABERTO

Durante os dias 26 e 27 de novembro de 2016 a Sonora vai realizar a Encontra Sonora – Músicas e Feminismos na cidade de São Paulo. Entre as atividades programadas, está o Espaço Aberto, que acontecerá no dia 27 de novembro, em horário e local a serem definidos.

O Espaço Aberto será um evento de acolhimento e compartilhamento de experiências entre artistas e/ou pesquisadoras(es) que participam da rede Sonora. Serão aceitas propostas individuais ou coletivas de natureza diversa, como por exemplo performances ao vivo, exibição de registros de trabalhos, relatos de processos, apresentação de projetos e pesquisas em andamento etc.

Os conteúdos e formatos das apresentações são livres, mas as(os) artistas e/ou pesquisadoras(es) devem levar em consideração que o espaço possui sistema estéreo de difusão de áudio e projeção de vídeo. Recomendamos o envio de propostas com duração de até 15 minutos, seguidos de 5 minutos para perguntas e bate-papo. Propostas mais longas ou que demandem outras necessidades técnicas poderão ser consideradas.

Para inscrever sua proposta, por favor enviar um email para sonoramulheres@gmail.com até o dia 06/11/2016 anexando um único documento PDF com as seguintes informações:

Dados pessoais

  • Nome(s);
  • Email(s);
  • Telefone(s);
  • Link para site, soundcloud, youtube etc.;
  • Mini biografia (max. 200 palavras cada).

Dados da apresentação

  • Título;
  • Release (max. 400 palavras);
  • Duração;
  • Equipamentos e necessidades. Especificar o que será providenciado pelas(os) próprias(os) artistas e/ou pesquisadoras(es).

Por não possuir qualquer tipo de financiamento, a Encontra Sonora não poderá arcar com auxílios para passagem, estadia ou outras despesas de qualquer natureza.

A programação será definida coletivamente na reunião do dia 07/11/2016, a partir das 17h30, com transmissão por streaming. Todas(os) estão convidadas(os) para participar. A intenção é que o Espaço Aberto se configure enquanto ambiente plural, refletindo as características da própria rede Sonora.

Convocatória CRIAÇÃO MUSICAL-VISUAL: MULHERES CRIADORAS

Em parceria com a SONORA, o 4º Festival Música Estranha inaugura o PRÊMIO DE CRIAÇÃO MUSICAL-VISUAL: MULHERES CRIADORAS, que visa estimular autoras na criação de trabalhos inéditos que se situem na interseção entre a música e o meio visual. Serão selecionados até 2 projetos para serem apresentados ao vivo durante a programação do Festival. Cada projeto selecionado receberá um prêmio de R$ 1.500,00 para a criação do trabalho proposto.

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As inscrições deverão ser realizadas até o dia 27 de outubro de 2016, até às 23h59, horário de Brasília, por meio do formulário online.

 

Clique aqui para conferir o edital completo e fazer sua inscrição online!