Ata da reunião de 20/08/2018 – Operacional

A reunião de hoje teve 3 convidadas de um grupo de estudos da UNESP, estudiosas das questões de gênero na música. Elas expuseram seus anseios e as razões pelas quais formaram o grupo. Elas perceberam a maior ausência de mulheres nos cursos de composição e regência, além da evasão de estudantes destes cursos – principalmente mulheres. O grupo de estudos delas se chama Vozes Inaudiáveis. Elas estão em busca de repertório de mulheres para inserir nos concertos, etc. A Sonora se interessa muito em juntar forças com este grupo.

Além delas, a Tide Borges integrou o encontro e pretende estar mais presente nas reuniões da rede. Ela falou da importância de falar sobre as histórias das mulheres, entre outros, porque quando a gente fala a gente também se ouve.

Foi apresentado um breve resumo das atividades da Sonora para as novas integrantes. Logo após esta introdução, passamos aos informes.

 

Informes

  • Fabio Cury, fagotista, é professor da USP e está responsável pela direção artística da OSUSP. Ele procurou a Valéria e a Lilian para conversar sobre seus planos para a orquestra, com a intenção de modernizar um pouco o repertório habitual da mesma e de aproximar o grupo do Depto. de Música. Ele já se aproximou do Rogério para fazer projetos com a Orquestra Errante e do Fernando para fazer projetos com o NuSom. Agora pensou em fazer alguma atividade com a Sonora, para estimular a participação de mulheres e estimular repertório de compositoras.
  • Ligiana Costa procurou a Lilian para fazer uma parceria com a Sonora para apresentar algo no SESC. Ela pensa em unir a OSUSP, a Sonora e seu duo, chamado NU. Uma ideia seria chama-la para um evento da serie Vozes, para conhecer melhor seu trabalho.

 

Propostas de calendário

  • Existe o desejo de fazer um encontro sobre maternidade com o Coletivo Feminista. Flora ficou de ver uma data comum para a rede e o coletivo.
  • Há também o projeto de conversar sobre assédio no Depto. de Música da ECA. Vamos retomar este assunto oportunamente.
  • Sobre calendário, há um desejo de fazer um concerto com obras de Vânia Dantas Leite. A dificuldade é arranjar o material, gravações, etc. Davi disse que a UNIRIO deve estar preparando um evento em torno da Vania, poderíamos entrar em contato com quem estiver organizando e talvez espelhar o evento aqui em SP. Há a turma de eletroacústica, do Fernando Iazzetta. Lilian ficou de falar com o Alexandre Fenerich para abordar o assunto. Se nada for possível, faremos um grupo de estudos sobre a Vânia.
  • Para o dia 24/9 falta definir o nome da serie de concertos que será aberta com o recital da Eliana. Uma proposta seria “Sonora Concerta”, ou “Concerta Sonora”, entre outras.
  • A ideia de chamar a Carô Murgel para falar de sua pesquisa de Doutorado sobre compositoras brasileiras pode gerar um Visões. Eliana enviou uma mensagem pelo Facebook sugerindo as datas 10 e 17/9.
  • Teca e Suzana Igayara estão na lista de convidadas.

 

Radio

  • Foi apresentado à Tide Borges um relato sobre o programa que está sendo montado com a Valéria e a Alma.
  • Valéria se comprometeu a mandar a própria bio para o programa.
  • A próxima reunião ficou marcada para as 15:00h. Flora se comprometeu a trazer o material para editarmos.

 

Inserção de nomes no site

  • Ainda temos que discutir melhor como fazer isso, já que poucas pessoas responderam manifestando sua vontade.

 

 

 

 

Ata da reunião de 17/08/2018 – Women in Sound: Linda O’Keeffe & Isabel Nogueira (evento Sonora / NuSom)

O evento de hoje reuniu duas musicistas, artistas e pesquisadoras em torno da temática de gênero. Elas estão desenvolvendo um projeto conjunto, financiado pelo British Arts Council e pelo CNPQ. Este projeto pretende desenvolver uma prática artística baseada em processos feministas, bem como criar uma metodologia inovadora para o envolvimento da comunidade com mulheres e meninas.

Linda iniciou o evento falando de sua atividade e experiência, e sobre como esta coincide com a de Isabel Nogueira em alguns pontos, o que possibilita esta conversa conjunta.

Linda trabalha com o som como material, como um elemento artístico e visual. Ela estudou Artes Plásticas e fez a intersecção entre as linguagens. Trabalhou em instalações e trabalhos artísticos envolvendo dança, radio, performance, entre outros, por uns 5 anos. Depois disso fez uma 2ª pós-graduação em comunicação e tecnologia que envolve o som, em Chicago.

Chegou a Chicago em 2008, num momento político bastante instável. A cidade tem um sério problema racial, de preconceito e racismo. Linda não entendia isso naquela época, mas veio a perceber com o tempo. Quis pesquisar esta relação social entre adolescentes, pessoas menos favorecidas economicamente e comunidades e seu trabalho. Estudou metodologias ligadas a este tipo de pesquisa.

Algumas de suas pesquisas envolvem instalações que podem ser visitadas online, em seu website. São experiências virtuais. Ela coloca nestas instalações questões como feminismo, meio-ambiente, desigualdade social, etc. Também pensa nos efeitos que as novas tecnologias têm e terão no ambiente. Ela mostrou algumas instalações que estão funcionando em seu país neste momento.

Uma das preocupações de Linda é a ausência de mulheres no âmbito da educação acadêmica, especialmente no que se refere ao uso de tecnologias.  Ela fala também da dificuldade de conseguir financiamento para os eventos que organiza.

Isabel contou sobre o trabalho que vem desenvolvendo na universidade em que leciona, em Porto Alegre (UFRGS), junto a grupos, estudantes e profissionais, sobre corpo e música relacionados a gênero. Ela está trabalhando com o grupo coordenado, entre outros (as), por Marilia Velardi. Coordena o Simpósio Temático relacionado a pesquisas de gênero no Congresso da ANPPOM em 2018, entre muitas outras atividades.

Isabel convidou Linda para trabalhar consigo alguns anos atrás. Atualmente elas têm um projeto para construir instrumentos e ensinar tecnologia para mulheres. Elas trabalham bastante com soundwalkings. A ideia é mostrar às mulheres que elas podem lidar com tecnologias diversas na música e na arte.

Soundwalkings

Linda diz que a escuta difere de acordo com o gênero. Mulheres são silenciosas, tímidas, não aprendem a ser barulhentas. Elas percebem o mundo como ruidoso demais às vezes, acham que homens são barulhentos, perturbadores. Nas caminhadas sonoras, mulheres são convidadas a usar a escuta como primeira fonte sensorial, captando sons e pensando sobre eles e o que representam no espaço.

Existem métodos para realizar um soundwalking. Podem envolver gravações de histórias sobre os lugares em que passam, etc.

“Decisões sobre o lugar, estilo, conteúdo e montagem do som numa caminhada sonora tem consequências políticas, sociais e ecológicas. Estas caminhadas acontecem em espaços urbanos, rurais, selvagens ou mistos”(slide de Linda O’Keeffe).

A metodologia envolve a percepção sobre a escuta involuntária e a voluntária, seletiva, inclusiva ou excludente que ocorre o tempo todo.

Métodos

Trabalhando com artistas: esta prática possibilita o compartilhamento de habilidades, colaboração entre membros do grupo e a criação de espaços seguros.

Trabalhando em escolas: envolve a criação de modelos em som, tecnologia e música. Desenvolve habilidades em tecnologia e produção sonora, além da interação entre professores (as) e estudantes.

Uma das ferramentas usadas é a caixa com aparelhos e objetos sonoros que Linda e sua equipe enviam às escolas para que façam atividades similares. Chama-se research in a box.

Em relação à montagem da caixa, Linda pergunta às professoras e professores o que querem usar e para que. Pergunta e discute também com alunas e alunos para ver o que funciona e o que não.

Mulheres e tecnologia

Isabel e Linda estão trabalhando juntas, dividindo suas percepções acerca dos avanços, dos medos, da insegurança em relação à tecnologias. Mulheres geralmente têm a sensação de que lhes falta conhecimento neste campo, de que não aprenderam da maneira apropriada, até porque não frequentaram, ou pelo menos não de igual maneira, os mesmos lugares frequentados pelos homens.

Dificuldades em relação à divulgação e adesão ao projeto

Linda disse que uma das dificuldades enfrentadas por ela é envolver professores homens no projeto. Eles agem como se não tivessem que lidar com este tipo de problema, da desigualdade de gênero (além da racial e social).

Linda reforça que meninos precisam saber dividir o espaço com meninas, precisam saber das dificuldades que elas enfrentam, para ter um ambiente mais diverso – incluindo pessoas de cores e níveis econômicos diferentes. Mas ela diz que em UK este diálogo é bem difícil ainda.

Esta é uma das razões porque ela escolheu pesquisar este assunto, para promover mudanças neste espectro.

O evento completo pode ser conferido no link

http://youtu.be/QOhqz3bztZk

 

 

Conversa com Linda O’Keeffe e Isabel Nogueira

Linda O Keeffe (IRE / UK) e Isabel Nogueira (BRA) apresentarão uma discussão sobre seu projeto colaborativo, Soando o Corpo Feminista. Este projeto é financiado pelo British Arts Council e pelo CNPQ. O trabalho é dividido em duas partes, em primeiro lugar, o desenvolvimento de uma nova prática artística baseada em processos feministas e, em segundo lugar, o desenvolvimento de uma metodologia inovadora para o envolvimento da comunidade com mulheres e meninas, Ressonando o Corpo Feminino no Espaço. O Keeffe e Isabel apresentarão as atividades atuais que aconteceram em Porto Alegre e exemplos de trabalho que estão criando juntos.

Linda O Keeffe é fundadora da organização Women on Sound Women in Sound, uma rede que une indivíduos, grupos e organizações, promovendo a troca de conhecimento que molda nossa atual compreensão de som e tecnologia (www.wiswos.com). Ela também é editora do Interference Journal, uma revista acadêmica sobre cultura do áudio (www.interferencejournal.org). Ela é mais conhecida por seu trabalho analisando as condições sociais do espaço em relação à percepção e ao som, mas o impacto do gênero, de ser uma mulher no espaço, levou a uma reconfiguração de sua prática. Trabalhos recentes em grande escala incluíram uma comissão de 2016 para a Bienal irlandesa ‘My Voice is Still Lost’, que explorou o papel da igreja católica nos papéis das mulheres e na sexualidade na vida cotidiana na Irlanda e ‘Score For Her’ no Cibelo Cibelo Palace Concert salão em Madrid em 2017. www.lindaokeeffe.com

Isabel Nogueira é compositora-performer e musicóloga, doutora em musicologia (UAM/ Espanha) e graduada em piano (UFPel). Pesquisadora do CNPQ e professora Titular do Departamento de Música (IA/UFRGS), atuando na graduação e pós-graduação. Coordena o Grupo de Pesquisa em Estudos de Gênero, Corpo e Música (UFRGS), tem pesquisas sobre música e gênero, performance e criação sonora. Lançou os discos Impermanente movimento, Voicing e LusqueFusque (2016), Mar de tralhas, Betamaxers, Légua, Meteoro-phoenix, Unlikely Objects e Hybrid (2017), Zah e Isama Noko (2018). Participa dos trabalhos colaborativos Medula Experimentos Sonoros (RS), Elatrônicas (RS), Strana Lektiri (com Leandra Lambert), Mulheres na Lua: som e movimento (com Ana Fridman) e If I Were Me (com Linda O’Keeffe).

Ata da reunião de 13/08/2018 – Vozes com Tide Borges

Esta é a 13ª edição da Série Vozes. É também a data em que a compositora brasileira Vania Dantas Leite faria 73 anos. Vania faleceu dia 11/8/2018 e em sua homenagem a Sonora fez uma curta apresentação de sua biografia, seguida da audição de sua peça Di-Stances, composta em 1982.

Conversando com Tide Borges

Tide graduou-se em Comunicação Social, com Habilitação em Cinema, na ECA-USP, em 1984. Foi uma das pioneiras a trabalhar com som direto no Brasil. Desde 82 trabalha com cinema. É Diretora de Som, entre outros, do som do filme “A hora da Estrela”, de Suzana Amaral, e “Mulheres Olímpicas”, de Laís Bodanski.

Tide conta que os primeiros professores que ensinavam a trabalhar com eletrônica na ECA abordavam, principalmente, a física dos sons, suas propriedades. A investigação artística nesta área se deu, para ela, um pouco empiricamente.

Ela conta que no curso de cinema, a parte do “som” era a que menos atraía alunos e alunas. Ela acabava fazendo as trilhas e a produção sonora de todos os filmes da escola.

Usava um gravador portátil, o Naga 3, que havia pertencido à equipe de Thomas Farka, fotógrafo e cineasta conhecido por seus documentários.

Tide voltou à USP para fazer o Mestrado em Ciência da Comunicação. Sua pesquisa, intitulada “A introdução do som direto no cinema documentário brasileiro na década de 1960”, enfocou a ligação do gravador com a possibilidade de se colocar a voz das pessoas nos documentários. Um dos filmes que ela analisou foi “Opinião Pública”, de Arnaldo Jabor, que dava voz às mulheres para saber o que estas achavam da função da mulher na sociedade. Este filme chamou sua atenção porque era raro este interesse pela opinião das mulheres acerca da vida que levavam.

Técnica e criatividade

Tide se especializou mais na captação de sons durante a filmagem e, atualmente, discute o fazer criativo nesta profissão. Critica a visão de que este é um trabalho puramente técnico. Tem que haver uma escuta sensível e criativa na hora de fazer as escolhas do que e como gravar.

Os custos dos equipamentos são outra dificuldade, muitos são importados, tudo é caro. Tide conta que iniciou a parceria com Lia Camargo também para que juntas pudessem comprar equipamentos melhores.

Sua parceria com Lia Camargo vem de décadas. Não há hierarquia nesta relação, o que difere das relações habituais do mundo do cinema. Elas dividem os microfones, até porque dividir a monitoração auxilia a vencer a rapidez das tomadas nas filmagens. Tudo ocorre muito depressa, o ensaio é gravado e pode servir para material definitivo.

Como professora, conta da dificuldade de sistematizar um conhecimento adquirido através da experiência para colocar em suas aulas. O livro “Como fazer um filme”, de Carlos Abbate, foi uma publicação muito útil e cuja tradução foi uma conquista de Tide, entre outros (as). Desde 2010 leciona Direção de Som no curso de cinema da FAAP.

A escolha de microfones, do material ou da forma de trabalhar nem sempre é o principal num filme: o relacionamento entre as pessoas envolvidas numa filmagem é muito importante para a boa realização. Pode haver muita disputa de egos, pois o que cada profissional espera da obra é único e individual. Nem todos (as) entendem como funciona a escuta através do microfone, para o que Tide convida diretores (as) e atores (as) para ouvir com um fone sensível. Com isto eles (as) percebem como é difícil conseguir filtrar falas e sons específicos em meio à poluição sonora comum das cidades.

Tide conta que não costuma ouvir música em seus trajetos, prefere prestar atenção nos sons que a rodeiam. Está fazendo, com alunos e alunas da FAAP, um mapa sonoro da faculdade. Este trabalho de gravação da paisagem sonora do local convida os (as) jovens a conhecer e sentir o espaço que frequentam a partir dos sons.

Sobre a atuação de mulheres na área de sons diretos

Tide conta que já foi mais difícil atuar na direção de som por ser mulher. Entre outras questões, os gravadores eram mais pesados e alguns diretores achavam que mulheres não dariam conta de carregá-los.

A questão familiar é difícil também, pela necessidade de viajar, estar em campo. Tide conta que trabalhou até os 9 meses de sua gravidez, mas depois se dedicou à propaganda por um tempo, para estar mais em casa.

Na docência ela conta que foi privilegiada em certo aspecto pela carência de profissionais da área que tivessem formação acadêmica. O fato de estar na ativa, fazendo filmes, também é valorizado pela faculdade.

Em relação aos salários também, ela não tem reclamações. Mas o assédio existe, apesar de estar diminuindo.

Música x som direto

Tide conta que a relação entre trilha sonora e som direto tem se tornado mais frequente. Eram universos muito distantes, já que a trilha quase sempre chega no final das filmagens. Ela tem trabalhado mais na finalização dos filmes, o que possibilita que faça a interação das composições com o som direto. Sente que quanto mais houver esta interação, melhor será o resultado final.

 

 

Vozes com Tide Borges – 25/06/2018

Tide Borges é graduada (1984) e mestra (2008) em cinema pela Escola de Comunicações de Artes da USP. Desde 1982 trabalha com som. Fez vários curtas, documentários, filmes para a TV, longas-metragens. Além disso, desde 2002, organiza mesas de debate sobre som no cinema durante a Semana ABC. Em 2010 começou a dar aulas para a disciplina Direção de Som no Curso de Cinema da Faculdade de Comunicações da FAAP-SP.

Seus principais trabalhos:

Longa-metragens: A Hora da Estrela e Hotel Atlântico (dir. Suzana Amaral), Dois Coelhos e Mais Forte que o Mundo (dir. Afonso Poyart), Os Amigos (dir. Lina Chamie), Ausência (dir. Chico Teixeira).

Telefilmes: Kurt Masur: adventures in listening (dir. Amit Breuer), Mulheres Olímpicas (dir. Laís Bodanski).

Série Para TV: Os Experientes-Episódio “O primeiro Dia” (dir. geral Fernando Meirelles), Carcereiros II.

Documentários: São Silvestre e Dorina (dir. Lina Chamie), Do pó da terra (dir. Maurício Nahas), Futuro do Pretérito: tropicalismo now (dir. Fracisco César Filho e Ninho Moraes), Variações sobre um quarteto de cordas (dir. Ugo Georgetti), Rogério Duprat: vida de músico (dir. Pedro Vieira), Hip Hop SP (dir. Francisco Cesar Filho).

Lista completa dos trabalhos:

Imdb: https://www.imdb.com/name/nm0096601/?ref_=nv_sr_1

Vídeos no Youtube:

CINEMA POR QUEM O FAZ: Tide Borges

– https://www.youtube.com/watch?v=zWxOl_7r6Kg

Semana ABC 2016 – Entrevista com Tide Borges

– https://www.youtube.com/watch?v=KSrBwcApyR4

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Preview YouTube video CINEMA POR QUEM O FAZ: Tide Borges

CINEMA POR QUEM O FAZ: Tide Borges

Preview YouTube video Semana ABC 2016 – Entrevista com Tide Borges

Semana ABC 2016 – Entrevista com Tide Borges

 

Ata da reunião de 06/08/2018 – Operacional

A primeira reunião do semestre foi neste dia gelado, mas com muita energia! Iniciamos, como sempre, com os informes das semanas passadas e planos para as futuras.

Informes

  • Flora disse que o Coletivo Feminista da ECA tem participado de vários eventos fora da universidade às quintas-feiras, dia do encontro semanal delas, razão pela qual não tem tido muitos encontros presenciais na USP. No entanto, nesta semana o coletivo inicia as atividades presenciais com os eventos que se seguem:
  1. Oficina de panos verdes para a legalização do aborto, dia 7/8 às 15:30 na FFLCH.
  2. Dia 16/8 terá reunião na sede para a Legalização do aborto.

 

  • Houve mobilização sobre o caso do estupro na Faculdade de Medicina da USP. As movimentações continuam.
  • Sobre o corte de verbas da CAPES, nas bolsas para pesquisa, houve uma manifestação no MASP quinta-feira passada e terá outra na FFLCH na próxima quinta-feira dia 9/8.
  • Claudia Lago convidou um palestrante que falará sobre Teoria Queer no horário da aula dela, provavelmente quarta-feira 15, às 19:30 h no auditório. A confirmar.

 

Radio

  • Flora não conseguiu ouvir os áudios da conversa entre ela e a Mariana, que ficaram com a Valéria durante as férias de julho.
  • Carol ficou de coletar trechos de obras de outras compositoras relacionadas ao assunto da conversa entre Mariana e Flora. Porém, ela precisa ouvir a conversa das duas para ver quanto tempo pode ser destinado a este material.
  • O Desfazendo Gênero deste ano será na ECA entre 21 e 24/8 (terça a sexta).
  • Congresso ANPPOM – Marina vai apresentar trabalho. Valéria e Lilian também, no Simpósio de Sonologia. Eliana tem trabalho previsto para o Simpósio de Gênero, mas não sabe se poderá ir.

 

Linda O’Keefe (palestra-workshop)

  • O encontro será dia 17/8 em conjunto com o NuSom. Linda mandará uma bio e foto para divulgação.

 

Nomes no site

  • Foram inseridos os nomes da Fabiana Severo e da Tania Neiva na aba da equipe organizadora, com as datas fornecidas pelas mesmas. Até agora estas foram as únicas integrantes da rede que responderam ao email sobre créditos referentes a organização de eventos.

 

Sugestões para as séries Vozes e/ou Visões

  • Susana Igayara
  • Teca Alencar
  • Inaiê (tem projeto que envolve o lado dos rituais ligados ao feminino).
  • Marina gostaria de convidar 2 artistas que trabalham com “foley” (criam sons ambientes artificialmente, em estúdio). As 2 foram alunas da ECA, uma é a Rosana Stefanoni e a outra é Guta Roim.
  • Suzana Reck Miranda – pesquisadora, professora da UFSCar. Pesquisa sons do cinema brasileiro.
  • Antonilde Rosa (por hangout?) – pesquisadora da UFRJ, cantora e membra, além da Sonora, de vários coletivos ligados a mulheres negras. Ela qualifica em setembro para o Mestrado, e fica disponível depois.
  • Annita Costa Maluf (poeta) – trabalha, entre outros, com arte sonora.

 

Tarefas

  • Marina ficou de formatar o flyer de divulgação da Tide e mandar para Eliana.
  • Eliana ficou de colocar o flyer no site e no facebook.

 

Próximas reuniões:

13/8 – Vozes com Tide Borges

17/8 – Linda O’Keefe com NuSom (sexta a tarde)

20/8 – Operacional enfocando calendário (definir Vozes ou Visões do dia 10/9)

27/8 – Grupo de trabalho para programa de radio (Semana ANPPOM)

3/9 – Feriado

10/9 – Vozes ou Visões?

17/9 – Operacional

24/9 – Recital/palestra (ou conversa) com Eliana (16h no auditório do CMU)

01/10 – Operacional

8/10 – Vozes ou Visões (não pode ser Teca, é aniversário dela). Antonilde? Susana?

 

 

 

 

 

Ata da reunião de 11/06/2018 – Vozes com Paola Picherzky

Paola é argentina, nascida em Mendoza. Mestre em música pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), é Doutoranda no programa de Pós-Graduação da ECA-USP e professora nas Faculdades Santa Marcelina, FMU/FIAM/FAAM e Fundação das artes de São Caetano do Sul.

Sua dissertação de Mestrado intitula-se “Armando Neves: Choro no violão paulista”. O choro é uma marca importante em seu trabalho, Paola participa do grupo Choronas desde 1995.

Paola toca violão desde criança, tinha um violão verde por ser palmeirense. Seu primeiro professor não foi decisivo na escolha da carreira musical, mas ela quis se graduar em violão e se tornou concertista. Fez a Fundação das Artes e a Faculdade Carlos Gomes. Durante a faculdade teve apoio da família, principalmente da mãe, e assim que se formou ingressou como docente na Fundação das Artes.

Sempre se preocupou com a relação professor-aluno e se esforçou muito para ser digna da responsabilidade de lecionar violão. Estudou o método Kodally na Hungria. Sua pesquisa de Doutorado enfoca esta relação, pensando no ensino de violão em grupo.

O grupo de cordas Chorona surgiu por iniciativa de uma amiga, que queria montar um grupo de mulheres no choro. Uma das primeiras apresentações foi no SESC e atraiu um público significativo. Desta apresentação surgiram convites para concertos, que se tornaram frequentes. Começaram a pensar na estrutura do conjunto, roupas que deveriam usar, programa, gestualidade, divulgação. Até 3 anos atrás o grupo se mantinha o mesmo, agora algumas foram substituídas por se interessarem em seguir outros caminhos.

A prática da performance solo seguiu-se paralelamente, assim como a atividade didática. Paola entrou na Faculdade Santa Marcelina para dar aulas de música erudita e popular. A pesquisa acadêmica se deu pela necessidade profissional, mas ela fez questão de investigar peças musicais que pudesse agregar a seu repertório violonístico.

Assim nasceu a dissertação sobre Armando Neves, orientada pelo professor Ikeda. O material desta pesquisa veio do arquivo do músico Colibri, do Clube do Choro. Paola digitalizou toda a obra de Armando Neves, além de gravar um CD com música do compositor. Nos 50 anos da Fundação das Artes ela apresentou obras dele na Sala São Paulo num evento comemorativo da instituição (https://www.youtube.com/watch?v=RkBj5SqJ0kQ&feature=share).

Um dos motivos do grupo Choronas seguir ativo, segundo Paola, foi a preocupação da integrante Roseli Câmara, com seu formato e estrutura. Roseli vinha do Teatro e acabou saindo, mas as Choronas mantiveram a rotina e a disciplina de gravações. O último CD delas é “Choronas em Sampa”, mas tem diversos outros. Para se atualizar nas mídias elas gravaram um clipe em homenagem a São Paulo. A composição do clipe, “Choronas em Sampa”, é da integrante Ana Claudia Cesar (https://www.youtube.com/watch?v=EGgbrX724No).

As Choronas fazem um trabalho pedagógico de formação de plateia. Já o apresentaram em diversos CEUS, assim como em escolas particulares como o Santa Cruz. Participaram de evento criado pela AVON, tocando o Corta-Jaca de Chiquinha Gonzaga com uma orquestra de mulheres (https://youtu.be/2ln0U3G7Zu4).

 

Em relação à política de afirmação das mulheres

Choronas é o 1º grupo de choro formado por mulheres. Apresentando, entre outros, mulheres como Chiquinha Gonzaga, elas enfatizam a importância de romper o círculo machista de certos ambientes como o do choro.

Elas já ouviram comentários do tipo “elas tocam como homens”, mas sentem que tem mesmo que sair da zona de conforto e ocupar espaços. Paola tem várias alunas e se sente bem em ser inspiradora através da pedagogia e de seu exemplo pessoal – mãe, mulher, musicista, pedagoga.

 

Na pedagogia

Paola dá aulas nos cursos de Bacharelado e de Licenciatura. Com estas atividades ela diz que aprendeu muito, até em relação a intérpretes de outros instrumentos que estudam violão.

Ela trabalha também com crianças através de uma ONG israelita. Lá ela desenvolve a musicalidade das crianças, além da relação das mesmas entre si.

Idealizou e implantou o projeto “Ensino coletivo de violão”, culminando na criação da primeira Orquestra de Violões da Fundação das Artes de São Caetano do Sul – da qual é regente e diretora artística. Nesta orquestra insere também a pesquisa sonora que explora novas formas de tocar o instrumento (https://youtu.be/A1vhRXlg72o).

 

Sobre criação

As Choronas têm inserido cada vez mais composições próprias em seus programas. A ideia é aumentar esta prática. Os arranjos são todos delas e estão em constante mudança. Elas nunca escrevem os arranjos, até porque são mutantes. A improvisação tem lugar nestas propostas.

 

Sobre autoras mulheres

Um dos próximos projetos das Choronas é gravar obras de autoras mulheres. Para isso elas estão fazendo pesquisa de repertório. Já gravaram um DVD com uma opereta sobre Chiquinha Gonzaga para o projeto TUCCA – Aprendiz de Maestro, que angaria fundos para tratamento de crianças com câncer. A opereta foi gravada na Sala São Paulo, com regência de João Mauricio Galindo.

 

Sobre organização e divulgação

As Choronas tem uma pessoa responsável, um produtor, para pesquisar e escrever projetos para editais, firmar parcerias, etc. Não foi sempre assim, antes elas mesmas faziam esta parte. O grupo chegou a bancar 2 integrantes para fazerem cursos de produção e confecção de projetos para editais. Todas aprenderam muito com isso.

 

Sobre profissão e maternidade

Como organizar o tempo numa profissão autônoma como a de intérprete? Não ter uma licença maternidade definida atrapalha?

Paola diz que o segredo é ter um bom parceiro, como seu marido Paulo Tiné. E saber delegar funções, aprender a não monopolizar as funções relativas aos filhos. Deixar que as crianças tenham contato com o pai do jeito que ele sabe e quer ficar. Ela pensa que o natural da mulher é querer controlar a situação.

Paola sempre levou os filhos aos locais de gravação, com alguém que pudesse ficar nos horários em que ela estava trabalhando. Seu marido também sempre dividiu os cuidados com os filhos. Ela pensa que as crianças devem entrar na vida dos pais e não estes mudarem sua vida por causa delas. E isso tem dado certo!

Assista à entrevista completa em https://youtu.be/Mr1vTaXinRI  

 

 

 

 

 

 

 

Entrevista para o programa “Música Inclusiva”

O programa “Música Inclusiva”, da Rádio Diversa, foi realizado pelos alunos do curso de Jornalismo da ECA-USP Karina Merli, Pedro Ezequiel, Renan Sousa, Samantha Prado e Tainah Ramos. Tendo como tema a maneira como a mulher é retratada na música, entrevistou Eliana Monteiro da Silva, membra da rede Sonora – músicas e feminismos e Doutora em Música pela ECA.

O programa discute o olhar da sociedade para o papel da mulher no decorrer do século XX e como isso transparece em letras de músicas como “Dá Nela”, de Francisco Alves, entre outras. Graças às lutas empreendidas por mulheres e grupos feministas desde, principalmente, a década de 1960, esta realidade vem mudando e se reflete em músicas como “Laura”, de Marina Melo.

Confira!

Vozes – Paola Picherzky (Divulgação)

 

 

Paola Picherzky é natural de Mendoza, Argentina, é mestre em música pela Universidade Estadual Paulista – UNESP com o trabalho “Armando Neves Choro no violão paulista”. Trabalho este que teve como fruto o resgate da biografia, a catalogação da obra completa do compositor e a gravação de um Cd com 18 choros resultando em seu primeiro Cd solo “18 Choros – Armando Neves” lançado em 2008.
Com o intuito de trazer ao público o material musical recolhido e não utilizado em seu mestrado, em 2015 lança o Cd “Armando Neves, outras composições” apresentando no repertório gêneros distintos ao choro como prelúdios, maxixes, valsas e gavotas, compostos pelo mesmo autor e violonista.
Sempre atuante na área pedagógica, é professora nas Faculdades Santa Marcelina, FMU/FIAM/FAAM e Fundação das artes de São Caetano do Sul.
Idealizou e implantou o projeto “Ensino coletivo de violão” o qual culminou na criação da primeira Orquestra de Violões da Fundação das Artes de São Caetano do Sul da qual é regente e diretora artística.
Entre 2007 e 2010 integrou o quarteto de violões QGQ com o qual gravou o Cd “Jequibau” e como convidada gravou, entre outros, o cd “Não tem choro” – com o flautista Ricardo Kanji.
Apresentou-se ao lado de artistas como Marco Pereira, Paulo Belinatti, Toninho Ferragutti, Roberto Sion,Swami Jr, Izaías e seus Chorões.
Integrante do grupo Choronas desde a sua criação em 1995, apresentou-se com o grupo em concertos na América Latina e Europa, desenvolveu projetos sociais como o show “Musica instrumental nas escolas publicas, uma historia da musica popular brasileira”, gravou quatro cds: Atrente (2000), Choronas ConVida (2004), O Brasil toca choro(2008), J.A Callado (2009) e apresentou-se frente a várias orquestras como a Orquestra Municipal de Santos, Santo André, Orquestra Filarmônica de São Caetano do Sul, Banda Sinfônica Jovem entre outras. Em Janeiro de 2018 o grupo lançou o quinto cd “Choronas Sampa”, uma homenagem a São Paulo e aos compositores paulistas.
É doutoranda no Programa de Pós Graduação em Música da USP.

11/06/2018, segunda-feira às 17h30
Haverá transmissão. Link será postado neste evento no dia.

CMU-ECA-USP – sala 12

Vozes é um espaço que recebe mulheres para apresentarem e falarem sobre seus trabalhos artísticos e criativos. Com uma dinâmica mais informal, é um espaço aberto para a conversa e para o compartilhamento de experiências.

Apoio:
NuSom

Ata da reunião de 07/05/2018 – Operacional

A pauta de hoje foi: RADIO

  • A primeira hora da reunião foi dedicada à instalação e testes dos equipamentos de gravação para iniciar a confecção do programa de radio da Sonora. Foi difícil, a princípio, conseguir abrir canais para as pessoas que estavam fora do espaço físico da reunião, gravando suas participações com boa qualidade. O intuito foi o de poder utilizar estas gravações no programa, futuramente.
  • Alguns informes também foram discutidos, como convites à rede para projetos que envolvem compositoras e pesquisas em mulheres na música.
  • Foi sugerido fazer uma caminhada, com destino programado, falando sobre memórias. Pensamos então em fazer o percurso passando pelo painel Sonora que foi feito na fachada da parede do CMU na semana da calourada.
  • 3 pessoas foram caminhar, sendo que uma delas não havia participado da intervenção do painel. As 2 outras vão contar para ela como foi o processo.
  • 3 pessoas ficaram na sala para conversar sobre o painel, além da que estava participando por hangout. Foi marcado o tempo de 20 minutos para o processo.

 

Momento 2 – relato de quem saiu do estúdio

  • As meninas que saíram da sala contaram o que ocorreu no percurso. Elas encontraram alunas, alunos e professores. A conversa fluiu livremente, comentando a ausência de peças de mulheres no repertório estudado nos cursos de música da universidade.
  • As pessoas que passearam fotografaram o painel à noite, iluminado pela luz interna do prédio, e mandaram para quem ficou na sala. Perceberam também que muitos papéis haviam desbotado.
  • Foi observado quantos papéis haviam caído (ou sido retirados), e divagaram sobre estes vazios.
  • Tentaram entrevistar o segurança do prédio, perguntando o que ele pensava a respeito do painel. Ele não emitiu qualquer opinião.
  • Com as (os) professoras (es) foi comentado sobre os nomes de compositoras que estudaram no CMU.

– relato de quem ficou na sala

  • Xs 4 integrantes que ficaram contaram que foi recriado o percurso do painel, desde o primeiro encontro com a temática “onde não estão as mulheres da música”.
  • Pensamos também na história de cada um daqueles nomes que estão no painel, além de comentar as reações suscitadas pelas e pelos transeuntes.
  • Foi notada a falta de um espaço de convivência no CMU. A entrada do prédio, por exemplo, funciona um pouco como este espaço.
  • O relato terminou pensando foi como será a retirada destes papéis.